segunda-feira, 28 de julho de 2008

Corrupção: uma doença que precisa ser vencida

Roubar é tomar dinheiro ou bens que pertencem a outros. Existem, porém, muitas formas de roubar: com ou sem violência, enganando ou não quem está sendo roubado. Nossa sociedade considera o roubo um crime, a ser sempre punido e, nenhuma sociedade em que o roubo seja aceito consegue sobreviver.
A corrupção é uma forma de roubo em que existe a conivência de quem toma conta do dinheiro ou dos bens roubados, exemplo dentro de uma empresa ou em negócios entre empresas, e entre pessoas e empresas. Quem se deixa corromper, ajudando o ladrão, ou facilitando sua ação, rouba também, porque sempre fica com uma parte do que foi roubado, ou obtém alguma vantagem pessoas em prejuízo de quem foi roubado.
A palavra corrupção é, no entanto, mais usada quando o dinheiro ou bens roubados são públicos, de propriedade de todos. Neste caso, quem rouba ou facilita o roubo, exerce funções de governo, ou seja, são os próprios responsáveis pela guarda ou pela administração desse dinheiro público, como se diz, tem de haver, dentro e fora do governo, uma rede de interessados em sugá-los para seus bolsos.
A corrupção é uma perigosa deterioração dos costumes sociais, é como uma doença que vai contagiando e destruindo os órgãos em que ela penetra. Todavia, em pleno século XXI, ainda existem pessoas crentes que a função do vereador é parecer “burrinho de presépio”, só balançar a cabeça. Ainda têm aqueles candidatos que pensam que a Câmara Municipal pertence ao Poder Executivo. Tem pessoas que pensam que quatro anos não passam nunca. Outras pensam que oito anos não chegam ao fim.
O povo não é mais inocente, como antigamente. Veja a próxima eleição! Quem semeia ventos colhe tempestades.
Como diria o grande jurista Rui Barbosa “a improbidade não consiste simplesmente em emporcalhar as mãos no dinheiro alheio. O homem de consciência suja pode lavá-la em quantos sabonetes entender: não terá na epiderme um ponto limpo.”

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Direita, Esquerda e os Ambidestros Políticos.

Recentemente, em algumas conversas informais pela cidade, dois figurões da política local levantaram a questão sobre a Esquerda e a Direita em Adamantina. Um deles tentava dar identidade a certos arranjos casuísticos e politiqueiros, outro, relembrava a própria trajetória pessoal e lamentava a alcunha de conservador que jogaram em suas costas. Como historiador, não pude deixar de relembrar os grandes embates revolucionários na França pós-1789, quando a terminologia Direita e Esquerda entrou no vocabulário político do Ocidente. O interessante, e isso não é particularidade de nossa cidade, é que a divisão ideológica está longe de permear as discussões em relação às políticas públicas e poucos levam para seu palanque esse tipo de debate. Direita e Esquerda, atualmente, salvo raras exceções, são objetos de livros de história. A falta de identidade política que há no Brasil acentua-se em cidades menores, e Adamantina não é exceção, na qual, acima de tudo, discutem-se pessoas e não projetos. Partidos criados de última hora por esse ou aquele grupo, coligações questionáveis e ‘donos de partido’ que tiram a legenda de potenciais candidatos para satisfazer interesses próprios são alguns casos emblemáticos que ocorreram nos últimos meses. Até mesmo o Democratas, cria da antiga Arena, partido que deu sustentação ao Regime Militar, tentou coligar-se com o Partido dos Trabalhadores, símbolo do ‘esquerdismo’ nacional. Esse fato, mesmo que pitoresco na visão de algum analista político, demonstra que, mesmo em partidos historicamente díspares, em Adamantina, há mais confluências do que divergências. Muitos de seus filiados não têm raízes históricas com esse ou aquele grupo político e, às vezes, os projetos para a cidade caminham no mesmo rumo, independente de agremiações. Onde fica o eleitor nessa questão? Não há preocupação em relação a isso, pois não temos uma sociedade politizada. Temos os candidatos de grupo: os evangélicos, os católicos, o representante do bairro X, o indicado da empresa Y, o amarrado com o sindicato W. Essa questão chegou ao extremo, quando um pré-candidato tentou construir sua base dentro das Igrejas da cidade, esquecendo que Adamantina não é formada apenas de católicos e que a diversidade religiosa é um dos grandes pilares de nossa democracia. Em nenhum momento houve projeto para a cidade ou alguma estratégia de desenvolvimento e crescimento sustentável. Por um cargo ou uma indicação, todos viram ambidestros políticos, usando a casaca que convém à ocasião e deixando transparecer, sem nenhum pudor, que ideologia é bandeira de quem não entende nada de política e quem ocupa o poder, muitas vezes, são aqueles que se comportam como verdadeiros camaleões.

E agora! Em quem devo acreditar?

O momento é mesmo de reflexão. E, desta reflexão, deve emanar nosso espírito cidadão. A sociedade clama por justiça social, no entanto, nada adiantará continuar rezando por isso. É preciso participar!
Mas como devemos participar? Como devemos agir? Como iremos suportar as “propostas de sempre” em um país onde tudo é faz de contas? Simples. Seja cidadão, exerça seus direitos e cobre ação dos candidatos.
A mesma ladainha de sempre, como sempre, aparece novamente e só você, cidadão, poderá responder ao apelo de toda uma comunidade. Justiça social não é só habitação, saúde, esporte ou lazer e sim muito mais do quê isso. A participação, defendida pela sociedade democrática de direito, é essencial para este processo.
Não se deixe levar por festas, comentários maldosos ou sequer aquele “brinde” ou ajuda de custo, que sempre aparece de quatro em quatro anos. Essa síndrome deve acabar. Nosso município merece ficar livre desta doença.
Neste jogo político, como em uma partida de xadrez, as opções de movimento são muitas, mas cada um deles deve ser estrategicamente realizado. Um único peão pode significar a derrota e, nem sempre, ter a vantagem de uma rainha é decisivo. Mas todo cuidado é pouco, sobretudo em um mundo globalizado, onde a concorrência é palavra chave e nem sempre o mais fraco perde.
A experiência e análise contextual devem ser levadas em consideração, mas a ética, preferencialmente a de princípios, deve estar em primeiro lugar. O voto é a chave para todo este enigma. Decida e não doe. Cobre, mas não seja comprado. Analise, mas desconfie das promessas de sempre. Vote consciente e faça uma sociedade melhor.
Nestas eleições, todo cuidado é pouco, principalmente, quando precisamos conviver com os antigos dogmas de uma sociedade marcada pelo coronelismo, perseguição e corrupção. Participe deste processo e lute por uma mudança radical, opções nós temos.... Agora, só depende de você.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Chega de tédio

Há muitos anos, Genival Lacerda gravou uma música onde se destacava o seguinte refrão: “A véia debaixo da cama / A véia criava um gato / Na noite que se danava / O gato miava /E a véia dizia: Ai meu Deus se acaba tudo / Tanto bem que eu te queria”.
Hoje, com o tédio reinando absoluto em nossa comunidade, principalmente na política, entendo ter chegado a hora de mostrar, mais uma vez, que, quase sempre, a realidade se confunde com a ficção. Pois, acreditem se quiserem, décadas após a véia e o gato terem feito sucesso em todo Brasil, não é que um intelectual e seu cãozinho também foram parar debaixo da cama!
Assim, nasceu uma inédita paródia da música (música?), cujo refrão que está fazendo sucesso nas esquinas de Adamantina diz mais ou menos isso: “O intelectual debaixo da cama / O intelectual criava um cão / O intelectual debaixo da cama / O intelectual criava um cão / E na noite que se danava / Enquanto o cão latia, o intelectual dizia: Ai meu Deus que acaba tudo / Tanto bem que eu te queria”.
Mas, deixando a ficção de lado, dizem que o intelectual insiste em perguntar para o pobre cãozinho:
— Por que um dia fui me envolver em assuntos de eleição? Por quê? Por quê? Buááá...
E o cãozinho não se cansa de responder:
— Au, au, au, quem mandou se meter onde não devia.
Agora, deixando de lado o intelectual e seu cãozinho, vamos a um outro sucesso que marcou a vida de muita gente. Quem não se lembra da música “Naquela mesa”, na voz do eterno Nelson Gonçalves? Então recordemos alguns versos que permanecem na mente dos antigos freqüentadores de bar: “Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor (...) Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim / Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele tá doendo em mim”.
Por falar em saudades, veja você caro leitor (ou eleitor) outra paródia que está fazendo sucesso em determinada cafeteria da Cidade Jóia: “ Naquela mesa eles sentavam sempre / E me diziam sempre o que é viver melhor / Naquela mesa eles contavam histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor (...) Naquela mesa estão faltando eles / E a saudade deles não tá doendo em mim / Naquela mesa estão faltando eles / E a saudade deles não tá doendo em mim.
Para encerrar, gostaria de dizer aos meus amigos articulistas que as palavras chatice e mesmice são primas muito próximas. Chega de tédio...

Que os santos nos ajudem!

A sociedade, em sua maioria, é formada por pessoas de boa índole, preocupadas com o bem estar do próximo e, conseqüentemente, engajadas em uma constante luta por melhoria de condições de vida. Todavia, alguns tentam enganar os demais com falsas alegações e ameaças.
Com a proximidade das eleições, cresce ainda mais a expectativa da população que aposta na vitória de alguns, na derrota de outros. Alguns criticam e desmerecem os candidatos. Entretanto, para que nossa cidade tenha uma administração séria e coerente com os propósitos populares, é necessário muito mais que críticas.
A análise de cada candidato é essencial. Suas virtudes e defeitos. Todavia, devemos analisar criteriosamente os interesses que motivam aquela ou esta candidatura. Será que eles realmente estão preocupados com os anseios populares ou o bolso está falando mais alto, mais uma vez!
No jogo político, quase sempre, a verdade fica escondida, atendendo desta forma os interesses dos “coronéis” e dos “marajás”, mas as mentiras são facilmente desvendadas.
Nestas eleições devemos ter muito cuidado, pois as aparências podem enganar, ainda mais quando não se sabe de que lado os candidatos estão. Votar é uma arma, a maior ferramenta de um estado democrático, portanto, vote. Mas antes de fazê-lo, pense, estude, analise, critique, discuta e duvide.
O cidadão tem papel decisivo e os representantes escolhidos serão o espelho da população e de seu grau de consciência. Se quem entrar lá for corrupto, foi a maioria que escolheu, mas nem por isso, devemos deixar de exercer nosso papel, cobrando, denunciando e sempre, sempre, sempre duvidando.
A guerra começou e as verdades de cada candidato estão sendo lançadas, como se fossem cartas em uma mesa de baralho. Só esperamos que aquele declarado vencedor não esteja blefando....

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A cultura não está órfã em Adamantina.

Há uma grande transformação em curso. Silenciosa, mas não despercebida, uma mudança extremamente importante ocorre há quatro anos em nossa cidade e começa a dar frutos importantes, que deverão ser colhidos por gerações futuras. Apesar de muitos percalços e diversos problemas ‘ela’ reapareceu. Estou falando da Cultura em Adamantina. Não que não houvesse manifestações culturais nos anos anteriores. Elas estavam aqui e acolá, mantidas pelo diletantismo de alguns que tentavam a todo custo manter algo vivo e disponível para a população. Algo insuficiente e que não atendia às necessidades de nossos cidadãos. Todavia, no decorrer dos últimos anos, um trabalho sistemático e bem engendrado foi lançado e um verdadeiro renascimento ocorreu em nosso município. Alguns mais sisudos podem contestar, afirmando que, para quem não tinha nada, qualquer faísca pode parecer fogueira. No entanto, trabalhando com orçamentos reduzidos e lutando contra a falta de interesse, o trabalho realizado por essa secretaria merece maior atenção. Desde a reativação do Projeto Guri, trabalho importante realizado com crianças carentes, a reabilitação da Banda Marcial, a reestruturação de nossa Biblioteca Pública, o projeto Rock na Praça, a vinda de peças teatrais, as oficinas, as diversas exposições, a iniciativa do ‘Vá ao cinema’, a criação dos conselhos municipais, para citar alguns, demonstram um trabalho muito bem feito e que merece maior reconhecimento dos adamantinenses. Trabalho esse, levado a cabo por dois secretários e suas equipes que se esforçaram para que essa transformação ocorresse. É claro que há problemas e alguns pontos devem ser mais bem debatidos. É o caso de uma efetiva integração da Secretaria com as escolas da cidade, uma maior atenção ao patrimônio histórico local e a atuação mais incisiva dos diversos conselhos culturais. Seria de suma importância também a maior participação do empresariado local no financiamento de nossas práticas culturais, assim como a elaboração de leis municipais que favorecessem essa empreitada. Bandeira essa que poderia ser levantada por pessoas envolvidas nesses projetos. Todavia, devemos destacar que algumas bases foram lançadas e que o trabalho, árduo e contínuo, deve ser o norte nessas questões. Pouco se fala nessa transformação. Ela não é tão marcante quanto à reforma de uma praça ou um recapeamento de alguma rua. Tão pouco é mencionada em palanques ou discutida em projetos de governo. Entretanto seu rastro deixa profundas marcas e seus resultados poderão ser sentidos ao longo dos anos. Fica o recado aos postulantes ao legislativo e ao executivo. Tratem com maior atenção o assunto e criem subsídios para que os projetos fluam e continuem nos próximos anos. A população adamantinense só teria a agradecer.

Cuidado! Não é hora de “abracadabra”...

“Brasileiro sabe votar”. Os leitores mais velhos devem recordar essas palavras proferidas pelo Sr. Edson Arantes do Nascimento. Os anos eram sombrios, estávamos sob pesado tacão militar e, para muitos, principalmente para a esquerda e simpatizantes, elas serviram para justificar a continuidade e – quem, então, poderia saber? – a permanência do governo autoritário de exceção. Lutava-se, na oposição, dura e bravamente, pela democracia representativa, que o horizonte revolucionário já desaparecia na névoa sinistra do extermínio e da tortura como política de Estado.
O tempo faz das suas: hoje, em praticamente todos os pronunciamentos oficiais e não- oficiais, voltados para políticas públicas de toda ordem, a expressão mais ouvida é “exercício da cidadania”. Como é sabido, a repetição exaustiva de qualquer signo lingüístico resulta em esvaziamento semântico. Experimente repetir, em voz alta, uma palavra por 60 segundos, sobrarão sons ocos de qualquer significado. Com “cidadania” começa a acontecer algo parecido. Mas é preciso ficar atento, seu esvaziamento trará um grave prejuízo para todos.
A propósito de que essa digressão? O exercício da cidadania, depois da penosa democratização, construiu-se em necessidade urgente para a consolidação efetiva do processo “democratizante” em que mergulhou o país nos últimos anos. Ouve-se muito também a palavra “inclusão”, que já vai cansando. Dá no mesmo. Ora, tais aborrecidas insistências não fariam sentido se a população brasileira gozasse plenamente de seus direitos constitucionais. O que, como todo mundo sabe, não ocorre. Há sutis formas de seqüestrar esse gozo.
Assim, o país parece padecer de curiosa esquizofrenia: o mesmo poder público que não perde a chance de apregoar seu emprego na “luta pelo exercício da cidadania” opera um número significativo de ações – ou simplesmente omite-se – que subtraem do brasileiro o necessário e procurado amplo “exercício”. Pense nos imensos problemas das áreas da saúde, educação, justiça e segurança. É de chorar. A retórica vazia mata aos poucos, mas é fatal como a degola, ora em moda.
Bem, voltemos a Pelé, ou melhor, a Edson Arantes: hoje, mais conscientes do abandono a que vem sendo largado, por séculos, o grosso da população, já não nos parecem tão absurdas as palavras que abrem este texto. Só poderia dar nisso. Lembremos que o direito de voto não constitui, em si, exercício pleno de nada. Até porque a reforma de nosso sistema eleitoral – urgente e imprescindível – tem sido evitada a qualquer preço pelos legisladores da ocasião. Vai ficando para um eterno depois. Enquanto isso, as eleições são “maquinadas” nos caldeirões das bruxas “marqueteiras”. Um teatro de mídia.Ocorre que o eleitor não é um ente passivo e o Estado muito menos um incontrastável pátrio poder. Cabe a nós a recusa permanente e atenta dessas viciadas práticas políticas e eleitorais. A transformação a se exigir não virá por mágica ou generosa concessão de poderosos com suspiros cristãos. A coisa toda pode estar começando no singelo instante em que o munícipe principia a olhar para o que restou da cidade, continua numa verificação exigente (não dói nada) dos espíritos públicos e visíveis nas ações efetivas, prossegue mais um pouquinho no gesto das urnas, e vai, para muito adiante, através do bastão passado às gerações futuras. Não abandonemos o barco.

domingo, 20 de julho de 2008

Acesso à Justiça não é privilégio

A não renovação do convênio entre OAB paulista e Defensoria Pública do Estado de São Paulo é apenas mais um episódio típico na história do Poder Público no Brasil brasileiro. Quase sempre, ele se apresenta perdulário e mal gerenciado, cheio de ralos (corrupções) por onde vaza parte considerável dos recursos obtidos dos pesados tributos. O Poder Público, nas três esferas do executivo (Município, Estado e União), com raras exceções, tem estado aquém das necessidades da população.
A Constituição Federal de 88, ao consagrar o princípio da garantia de acesso à Justiça a todos os brasileiros, impôs ao Poder Público o dever de prover os meios para a sua efetividade processual. Claro, cabe a ele a responsabilidade pelo provimento dos recursos. Entretanto, como acontece na Saúde e na Educação, os recursos destinados à assistência judiciária estão longe de atender adequadamente a demanda. Sabe-se que, salvo melhor juízo, a garantia do acesso acontece mais em função da boa vontade dos advogados conveniados do que pela recompensa financeira. Aliás, o que se paga tem sido considerado humilhante, principalmente àqueles que encaram o exercício da defesa dos direitos como sagrado e indispensável à dignidade humana.
A recusa ao atendimento aquilo que já está pactuado no convênio é apenas mais uma confirmação histórica de como o Poder Público brasileiro encara a sua responsabilidade frente o seu dever constitucional. Aliás, sempre querendo se esquivar por meio de subterfúgios e pretextos, que não convencem aqueles que sabem o quanto custam, no seu bolso, os tributos pagos. Não é à toa que, no Império, se consagrou a expressão: “isso é coisa para inglês ver”. Noutras palavras, as aparências bastariam para satisfazer às exigências do governo inglês, então o maior credor das dívidas externas brasileiras. O Estado Brasileiro, quase sempre, se comportou como uma fábrica das aparências. As coisas devem existir e funcionar à base do simulacro, comportamento que custou a pecha de que “o Brasil não é um país sério”, conforme observou o presidente francês, Charles de Gaulle.
Enfim, espera-se que a Defensoria Pública paulista atenda a reivindicação da OAB e exija dessa qualidade nos serviços prestados à comunidade. Afinal, mesmo atendendo, sabe-se que os honorários reivindicados estão muito aquém das responsabilidades exigidas nos serviços prestados à comunidade.

A vida é um sonho!!!

Entre os dias 6 e 8, estive em Maringá. Fui acompanhar minha filha, treineira, para um vestibular na UEM (Universidade Estadual de Maringá). Depois de 13 anos voltei a cidade. Na época, como professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, fui participar de uma palestra do historiador inglês, Peter Burke. Já era uma grande cidade. Mas, de volta, fiquei impressionado com o desenvolvimento de Maringá. Por ser época de vestibular, para qual se inscreveram 22.410 candidatos, o trânsito estava lento. Mesmo assim nada de intolerável. Ao contrário, tudo bem organizado e fluindo, sem irritação. Os candidatos estavam à cata de 1.542 vagas, em 47 cursos de graduação. Como a presença dos jovens vitaliza a cidade!
Claro, diante do imenso movimento, pus-me a pensar e sonhar sobre Adamantina. Fiquei imaginando a presença desses 22.410 candidatos à procura de vagas em nossa instituição de ensino superior. Sabe-se que a FAI, hoje, com os seus 28 cursos, oferece quase 2.000 vagas. Entretanto, quando consegue 1.500 candidatos, dá-se por realizada. Que diferença, não é? Mas são realidades distintas. Sem dúvida, ambas são públicas, porém a UEM é gratuita. Isso faz diferença. Sim, muito. Por quê? No Brasil, consolidou-se a idéia de ensino superior público, como sinal de qualidade, e com a vantagem de ser gratuito.
A FAI tem tudo para ser isso. O seu corpo docente não deve ser muito diferente da UEM, porém o corpo discente, sim, e muito. Aí as diferenças são gritantes. Como isso poderia ser mudado? Bastaria que a FAI oferecesse ensino gratuito. Mas o município não tem dinheiro para isso, diríamos. Concordo, talvez, nem o Estado. Mas há outros caminhos. Então, por que não federalizá-la? O governo federal tem dinheiro, hoje, e muito.
Assim, no meu sonho, imaginei a FAI já federalizada fazendo o seu primeiro vestibular. Que imagens desfilaram em minha mente? O centro da cidade congestionado. Os hotéis e pensões sem vagas, os restaurantes com mesas ocupadas, as lojas cheias de pessoas fazendo compras, os postos de gasolinas com filas enormes de carros, as farmácias lotadas, lojas de conveniência fervilhando... Enfim, Adamantina em polvorosa.
Exagero? Não, vamos aos cálculos. Durante os três dias de Maringá tive um gasto em torno de 1 mil reais. Multiplicados por 20.000, o comércio receberia um fluxo de aproximadamente 20 milhões de reais em três dias. Mas há quem possa achar que é exagero 20 milhões. Então deixemos por 10 milhões. Mesmo assim ainda há exagero. Então fiquemos com uma conta muito simples: cada candidato gastando 100 reais nos três dias, isso representaria cerca de 2 milhões de reais. Quando isso aconteceu em Adamantina?
Ah, não podemos esquecer que isso é apenas um sonho que pode se tornar realidade. Bastaria ter vontade política e espírito de conquista para a comunidade.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

ENTRE TAPAS E BEIJOS


As “mulheres”, que não são mulheres de bandido, ofereço.


Existem situações que não consigo compreender. O famoso amor bandido, vivido nas novelas, filmes e, principalmente, na vida real é intrigante. A mulher ou o homem que, apesar das barbaridades sofridas pelo parceiro algoz, volta aos braços do amado ou da amada, resumindo todos os problemas de relacionamento em uma grande noite de amor, nos faz acreditar que aquela frase babaca: “o amor é lindo!”, tem um poder sobre-humano. A mulher do malandro apanha por vários motivos, às vezes está certa, outras está errada, mas apanha. Sua maneira de pensar é medíocre. Aceitando o que o amado lhe impõe, mostra que a sua vontade única, é uma boa noite de lençóis suados de “amor bandido”.
Diante dos conturbados problemas de relacionamento, a mulher do malandro fala mal do amado, diz que ele não presta, que é um grande sem vergonha, que não tem vergonha na cara. O seu lamento ultrapassa as paredes de sua casa e chega à casa dos vizinhos, dos melhores amigos e à casa de seus pais. Todos sabem que ela, a mulher do malandro, tem graves problemas com o amado, afinal ela gritou para a cidade toda que ele, o malandro, é um grande safado. Mas o malandro não é besta, o primeiro 171 que aplica na parceira, faz com que se derreta, então todos ficam boquiabertos com a mulher, que há tempos atrás difamava o parceiro e que agora está se deliciando com os prazeres da carne. Será que ela o ama de verdade, ou quer apenas satisfazer os seus mais dissimulados desejos?
Podemos adequar o exemplo da mulher do malandro com o atual panorama político brasileiro-adamantinense. Tem gente por aí que “apanhou” bastante, ficou de olho roxo e jogado às traças. A única coisa que sabia fazer era caluniar seu amado, dizer que ele era péssimo, que não prestava. Ficava vagando pelas esquinas, maldizendo seu amante. Chegou, inclusive, a prometer seu amor para outros, disse que não se uniria com ele, que sua vida a partir de agora seria diferente, um novo projeto para um novo tempo. Mas o desejo pelo amado foi mais forte, sua volúpia foi atiçada e o amor que prometera a outros foi por água a baixo, diante do primeiro piscar de olhos. Afinal, malandro que é malandro nunca perde a sua mulher. A mulher mais uma vez deixou seus valores para trás e se entregou a uma noite de prazer, afinal, estar por cima apenas pelo prazer do poder é muito bom, presumo eu.
Quanto a nós, que assistimos esta patifaria político-matrimonial, nos resta apenas continuar intrigados com as atitudes da mulher do malandro e nos perguntar: “Ainda existe ideologia, ou tudo é feito para se manter por cima nesta suruba sem vergonha? Ficamos sem saber quem é pior, o malandro que xaveca ou a mulher que aceita esta situação. Para terminar, sugiro aos políticos do nosso Brasil varonil um trecho da letra da canção “É”, de Gonzaguinha: “É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito. A gente quer viver uma nação. A gente quer é ser um cidadão... É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela...”.