quarta-feira, 30 de julho de 2008

E a democracia, onde fica?

Em tempos de eleição, é muito bonito se falar em democracia, em participação popular, em política limpa. Entretanto, o que se vê nos bastidores, é uma politicagem sem precedentes. Alguns - aqueles mesmos que apregoavam liberdade de expressão e um debate de idéias - deixam-se levar pela falta de “esportividade” e já começam a mostrar suas verdadeiras facetas.
O processo democrático é indispensável para a evolução de toda uma sociedade, mas para que isso ocorra, é necessário interesse dos candidatos, mostrando suas idéias e debatendo com seus oponentes - e não inimigos - sobre as propostas mais viáveis para nossa sociedade.
Existem diversos candidatos, como bem sabemos, que por questão de conveniência procuram esconder seu passado político, impedindo os eleitores de fazerem uma leitura mais completa do seu perfil. Principalmente aqueles candidatos que outrora estiverem militando em partidos que hoje combatem. Ora, a redução, a manipulação e a supressão da memória histórica são práticas tipicamente nazistas, nada tendo a ver com a construção democrática. Os candidatos que delas fazem uso, devem ser banidos, através do voto, de mandatos políticos.
A omissão, neste momento, é prejudicial para todos. O candidato perde credibilidade; a população deixa de ter informações essenciais. Com tudo isso, mais uma vez, o eleitor tem que se desdobrar para analisar as reais intenções de cada político. Ressalte-se a importância e o dever de prestar informações à comunidade. Não estamos, nem estaremos pendendo para nenhum dos lados, mesmo que alguns o façam.
Portanto, cabe ao Estado Democrático não apenas garantir a cidadania política, mas criar as condições, promover e garantir a cidadania civil de todos os cidadãos, a partir daqueles que mais necessitam. O que é preocupante hoje é ver os modelos sócio-econômicos implantados por muitos governos nacionais, democraticamente eleitos, serem incapazes de melhorar a situação moralmente repugnante de tantos cidadãos, chegando muitas vezes a piorá-la.
Falamos isso, sem distinção!
Mas, por exemplo, no Brasil de 2002, o desemprego aumentou consideravelmente em relação aos anos anteriores; as empresas estatais foram privatizadas, mas a dívida externa triplicou; e a economia, sempre aos trancos e barrancos, foi bem mais ou menos. Isto sem considerar que boa parte da população empregada recebia salários que não lhes permitia possuir moradia, educação, saúde, lazer, cultura num patamar que lhes justifique a existência de uma cidadania civil, gerando no seio de uma mesma comunidade, de uma mesma cidade, cidadãos de primeira categoria e cidadãos marginalizados, impedidos do acesso aos resultados da riqueza da vida comunitária.
Até hoje, há que se dizer, os modelos implantados por diversos Estados Democráticos não conseguiram corrigir estes desequilíbrios; pelo contrário, a cada dia só fazem aumentá-los. Mas algumas perguntas se fazem obrigatórias e devem ser, pelo menos, respondidas: Até que ponto essas populações discriminadas e miseráveis podem recorrer às liberdades políticas de um regime democrático como plataforma de proteção e fonte de poder, nas lutas pela ampliação dos direitos socais e civis? Que novos rumos os Estados Democráticos precisam tomar para corrigir esta aberração civil, para, de fato, conferir a todos os membros da comunidade nacional o mínimo de igualdade social?
O debate sobre o aperfeiçoamento do Estado Democrático tendo em vista a sua aplicação na busca de produzir igualdade com fraternidade parece ser um dos pontos basilares da atualidade. É inadmissível permanecermos indiferentes ao que nos acontece ao redor, aos nossos co-cidadãos mutilados pela miopia de políticas concentradoras de renda e poder, acarretando a desagregação e violência social. O Brasil não pode se furtar a este debate.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Dupla personalidade

Se, em alguns casos, a dupla personalidade é um distúrbio mental, em outros pode não passar de um truque para esconder a verdadeira identidade. Hitler é um exemplo do primeiro caso: o maior assassino da História, em criança, adorava pintar singelas paisagens. Já exemplos do segundo, os maus políticos oferecem em quantidade. Como se sabe, muitos desses “amigos do povo, da ética e da justiça social” escondem suas fraquezas e seus maquiavélicos planos atrás de belos discursos. Felizmente, na maioria das vezes esses impostores são desmascarados.
Deixando de lado os políticos e seus truques mirabolantes, até porque quem é o crítico mais contundente sobre esse assunto em nossa cidade é o mestre Mauro Cardin, vamos a um famoso caso de dupla personalidade ocorrido no Brasil. Conta-se que Virgulino Ferreira, o Lampião, só entrou no mundo do crime por causa do assassinato do pai. E que, depois de vingá-lo, tomou gosto pelo cheiro da pólvora e pelo sangue, de tal forma, que em pouco tempo, tornou-se líder do maior bando de cangaceiros que já se conheceu.
Mas, o que poucos sabem é que, segundo algumas pessoas, Lampião, mesmo antes de virar criminoso, já tinha costumes corajosos para sua época: cultivava flores da caatinga e remendava a roupa dos irmãos; coisas que não deixou de fazer depois, nos momentos de folga, entre um tiroteio e outro.
E como desgraça (ou calúnia) pouca é bobagem, também falam que o rei do cangaço teve um caso amoroso com seu lugar-tenente, um loiro de olhos azuis, descendente de holandeses, que tinha o apelido de Corisco. E que o chapéu quebrado na testa, marca registrada de Lampião, ganhou esse formato de tanto o cangaceiro encostar a cabeça nas rochas do sertão, para facilitar a vida do companheiro.
Não se sabe ao certo se isso é verdade, mas de uma coisa não podemos duvidar, o moço de costumes delicados só se transformou no mais cruel cangaceiro movido pelo sentimento de vingança. E pela dupla personalidade que pode estar afetando os neurônios de alguns articulistas da Cidade Jóia.

Obs: Publiquei esse artigo pela primeira vez em 2003, e, pelo visto, de lá para cá pouca coisa mudou...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Cadê nosso anel viário?

Dizer que o poder público é, com raras exceções, lento em perceber as necessidade da população é chover no molhado. Porém é papel da imprensa ser insistente e, apesar dessa insensibilidade clássica, dar visibilidade aos problemas na esperança de que um dia haja solução. Há tempo, salta aos olhos da população, que o tráfego de caminhões pesados pelo centro da cidade vem provocando sérios transtornos.
Além de perigoso à integridade física dos transeuntes, dificulta o fluxo de carros. Há também de mencionar o incômodo dos odores deixados nos rastros. Ao transportar produtos fedorentos, os caminhões, por onde passam, exalam mau cheiro, algumas vezes, dando a impressão de estar transportando carniça a céu aberto. Imagine isso pelo centro da cidade. Há registro de que o fedor permanece quase 15 minutos incomodando pessoas. Quando caem pelas ruas restos de carga, o fedor tende a permanecer por mais tempo.
Sabe-se que situações dessa natureza são inevitáveis num ambiente de desenvolvimento econômico. Porém, algumas medidas poderiam atenuar o problema. Bastaria que o poder público, além da fiscalização necessária, tomasse algumas iniciativas. Dentre elas, destaca-se a construção de um anel viário. Aliás, cidade de porte menor do que Adamantina, já tem seu anel viário. Esse é o caso de Valparaíso, Quatá e Cândido Mota.
Há tempo, o problema vem incomodando a população adamantinense, principalmente do centro da cidade. Entretanto até o presente momento quase nada foi feito para por fim a essa situação. O anel viário não só beneficia a população como as empresas instaladas na região oeste da cidade. Afinal, o anel, com adequada pavimentação, ajudaria no fluxo e, certamente, diminuiria prejuízos provocados por frenagens e solavancos dos caminhões. Até mesmo o erário municipal seria beneficiado na medida que se evitaria o tráfego de pesados caminhões sobre as frágeis camadas de asfalto sobre as ruas da cidade.
Enfim, quem sabe, neste período eleitoral, o problema ganhe visibilidade e logo encontre a adequada reposta. Até agora, o que se vê é apenas a insensibilidade da Administração, de vereadores e líderes políticos.

Corrupção: uma doença que precisa ser vencida

Roubar é tomar dinheiro ou bens que pertencem a outros. Existem, porém, muitas formas de roubar: com ou sem violência, enganando ou não quem está sendo roubado. Nossa sociedade considera o roubo um crime, a ser sempre punido e, nenhuma sociedade em que o roubo seja aceito consegue sobreviver.
A corrupção é uma forma de roubo em que existe a conivência de quem toma conta do dinheiro ou dos bens roubados, exemplo dentro de uma empresa ou em negócios entre empresas, e entre pessoas e empresas. Quem se deixa corromper, ajudando o ladrão, ou facilitando sua ação, rouba também, porque sempre fica com uma parte do que foi roubado, ou obtém alguma vantagem pessoas em prejuízo de quem foi roubado.
A palavra corrupção é, no entanto, mais usada quando o dinheiro ou bens roubados são públicos, de propriedade de todos. Neste caso, quem rouba ou facilita o roubo, exerce funções de governo, ou seja, são os próprios responsáveis pela guarda ou pela administração desse dinheiro público, como se diz, tem de haver, dentro e fora do governo, uma rede de interessados em sugá-los para seus bolsos.
A corrupção é uma perigosa deterioração dos costumes sociais, é como uma doença que vai contagiando e destruindo os órgãos em que ela penetra. Todavia, em pleno século XXI, ainda existem pessoas crentes que a função do vereador é parecer “burrinho de presépio”, só balançar a cabeça. Ainda têm aqueles candidatos que pensam que a Câmara Municipal pertence ao Poder Executivo. Tem pessoas que pensam que quatro anos não passam nunca. Outras pensam que oito anos não chegam ao fim.
O povo não é mais inocente, como antigamente. Veja a próxima eleição! Quem semeia ventos colhe tempestades.
Como diria o grande jurista Rui Barbosa “a improbidade não consiste simplesmente em emporcalhar as mãos no dinheiro alheio. O homem de consciência suja pode lavá-la em quantos sabonetes entender: não terá na epiderme um ponto limpo.”

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Direita, Esquerda e os Ambidestros Políticos.

Recentemente, em algumas conversas informais pela cidade, dois figurões da política local levantaram a questão sobre a Esquerda e a Direita em Adamantina. Um deles tentava dar identidade a certos arranjos casuísticos e politiqueiros, outro, relembrava a própria trajetória pessoal e lamentava a alcunha de conservador que jogaram em suas costas. Como historiador, não pude deixar de relembrar os grandes embates revolucionários na França pós-1789, quando a terminologia Direita e Esquerda entrou no vocabulário político do Ocidente. O interessante, e isso não é particularidade de nossa cidade, é que a divisão ideológica está longe de permear as discussões em relação às políticas públicas e poucos levam para seu palanque esse tipo de debate. Direita e Esquerda, atualmente, salvo raras exceções, são objetos de livros de história. A falta de identidade política que há no Brasil acentua-se em cidades menores, e Adamantina não é exceção, na qual, acima de tudo, discutem-se pessoas e não projetos. Partidos criados de última hora por esse ou aquele grupo, coligações questionáveis e ‘donos de partido’ que tiram a legenda de potenciais candidatos para satisfazer interesses próprios são alguns casos emblemáticos que ocorreram nos últimos meses. Até mesmo o Democratas, cria da antiga Arena, partido que deu sustentação ao Regime Militar, tentou coligar-se com o Partido dos Trabalhadores, símbolo do ‘esquerdismo’ nacional. Esse fato, mesmo que pitoresco na visão de algum analista político, demonstra que, mesmo em partidos historicamente díspares, em Adamantina, há mais confluências do que divergências. Muitos de seus filiados não têm raízes históricas com esse ou aquele grupo político e, às vezes, os projetos para a cidade caminham no mesmo rumo, independente de agremiações. Onde fica o eleitor nessa questão? Não há preocupação em relação a isso, pois não temos uma sociedade politizada. Temos os candidatos de grupo: os evangélicos, os católicos, o representante do bairro X, o indicado da empresa Y, o amarrado com o sindicato W. Essa questão chegou ao extremo, quando um pré-candidato tentou construir sua base dentro das Igrejas da cidade, esquecendo que Adamantina não é formada apenas de católicos e que a diversidade religiosa é um dos grandes pilares de nossa democracia. Em nenhum momento houve projeto para a cidade ou alguma estratégia de desenvolvimento e crescimento sustentável. Por um cargo ou uma indicação, todos viram ambidestros políticos, usando a casaca que convém à ocasião e deixando transparecer, sem nenhum pudor, que ideologia é bandeira de quem não entende nada de política e quem ocupa o poder, muitas vezes, são aqueles que se comportam como verdadeiros camaleões.

E agora! Em quem devo acreditar?

O momento é mesmo de reflexão. E, desta reflexão, deve emanar nosso espírito cidadão. A sociedade clama por justiça social, no entanto, nada adiantará continuar rezando por isso. É preciso participar!
Mas como devemos participar? Como devemos agir? Como iremos suportar as “propostas de sempre” em um país onde tudo é faz de contas? Simples. Seja cidadão, exerça seus direitos e cobre ação dos candidatos.
A mesma ladainha de sempre, como sempre, aparece novamente e só você, cidadão, poderá responder ao apelo de toda uma comunidade. Justiça social não é só habitação, saúde, esporte ou lazer e sim muito mais do quê isso. A participação, defendida pela sociedade democrática de direito, é essencial para este processo.
Não se deixe levar por festas, comentários maldosos ou sequer aquele “brinde” ou ajuda de custo, que sempre aparece de quatro em quatro anos. Essa síndrome deve acabar. Nosso município merece ficar livre desta doença.
Neste jogo político, como em uma partida de xadrez, as opções de movimento são muitas, mas cada um deles deve ser estrategicamente realizado. Um único peão pode significar a derrota e, nem sempre, ter a vantagem de uma rainha é decisivo. Mas todo cuidado é pouco, sobretudo em um mundo globalizado, onde a concorrência é palavra chave e nem sempre o mais fraco perde.
A experiência e análise contextual devem ser levadas em consideração, mas a ética, preferencialmente a de princípios, deve estar em primeiro lugar. O voto é a chave para todo este enigma. Decida e não doe. Cobre, mas não seja comprado. Analise, mas desconfie das promessas de sempre. Vote consciente e faça uma sociedade melhor.
Nestas eleições, todo cuidado é pouco, principalmente, quando precisamos conviver com os antigos dogmas de uma sociedade marcada pelo coronelismo, perseguição e corrupção. Participe deste processo e lute por uma mudança radical, opções nós temos.... Agora, só depende de você.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Chega de tédio

Há muitos anos, Genival Lacerda gravou uma música onde se destacava o seguinte refrão: “A véia debaixo da cama / A véia criava um gato / Na noite que se danava / O gato miava /E a véia dizia: Ai meu Deus se acaba tudo / Tanto bem que eu te queria”.
Hoje, com o tédio reinando absoluto em nossa comunidade, principalmente na política, entendo ter chegado a hora de mostrar, mais uma vez, que, quase sempre, a realidade se confunde com a ficção. Pois, acreditem se quiserem, décadas após a véia e o gato terem feito sucesso em todo Brasil, não é que um intelectual e seu cãozinho também foram parar debaixo da cama!
Assim, nasceu uma inédita paródia da música (música?), cujo refrão que está fazendo sucesso nas esquinas de Adamantina diz mais ou menos isso: “O intelectual debaixo da cama / O intelectual criava um cão / O intelectual debaixo da cama / O intelectual criava um cão / E na noite que se danava / Enquanto o cão latia, o intelectual dizia: Ai meu Deus que acaba tudo / Tanto bem que eu te queria”.
Mas, deixando a ficção de lado, dizem que o intelectual insiste em perguntar para o pobre cãozinho:
— Por que um dia fui me envolver em assuntos de eleição? Por quê? Por quê? Buááá...
E o cãozinho não se cansa de responder:
— Au, au, au, quem mandou se meter onde não devia.
Agora, deixando de lado o intelectual e seu cãozinho, vamos a um outro sucesso que marcou a vida de muita gente. Quem não se lembra da música “Naquela mesa”, na voz do eterno Nelson Gonçalves? Então recordemos alguns versos que permanecem na mente dos antigos freqüentadores de bar: “Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor / Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor (...) Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim / Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele tá doendo em mim”.
Por falar em saudades, veja você caro leitor (ou eleitor) outra paródia que está fazendo sucesso em determinada cafeteria da Cidade Jóia: “ Naquela mesa eles sentavam sempre / E me diziam sempre o que é viver melhor / Naquela mesa eles contavam histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor (...) Naquela mesa estão faltando eles / E a saudade deles não tá doendo em mim / Naquela mesa estão faltando eles / E a saudade deles não tá doendo em mim.
Para encerrar, gostaria de dizer aos meus amigos articulistas que as palavras chatice e mesmice são primas muito próximas. Chega de tédio...

Que os santos nos ajudem!

A sociedade, em sua maioria, é formada por pessoas de boa índole, preocupadas com o bem estar do próximo e, conseqüentemente, engajadas em uma constante luta por melhoria de condições de vida. Todavia, alguns tentam enganar os demais com falsas alegações e ameaças.
Com a proximidade das eleições, cresce ainda mais a expectativa da população que aposta na vitória de alguns, na derrota de outros. Alguns criticam e desmerecem os candidatos. Entretanto, para que nossa cidade tenha uma administração séria e coerente com os propósitos populares, é necessário muito mais que críticas.
A análise de cada candidato é essencial. Suas virtudes e defeitos. Todavia, devemos analisar criteriosamente os interesses que motivam aquela ou esta candidatura. Será que eles realmente estão preocupados com os anseios populares ou o bolso está falando mais alto, mais uma vez!
No jogo político, quase sempre, a verdade fica escondida, atendendo desta forma os interesses dos “coronéis” e dos “marajás”, mas as mentiras são facilmente desvendadas.
Nestas eleições devemos ter muito cuidado, pois as aparências podem enganar, ainda mais quando não se sabe de que lado os candidatos estão. Votar é uma arma, a maior ferramenta de um estado democrático, portanto, vote. Mas antes de fazê-lo, pense, estude, analise, critique, discuta e duvide.
O cidadão tem papel decisivo e os representantes escolhidos serão o espelho da população e de seu grau de consciência. Se quem entrar lá for corrupto, foi a maioria que escolheu, mas nem por isso, devemos deixar de exercer nosso papel, cobrando, denunciando e sempre, sempre, sempre duvidando.
A guerra começou e as verdades de cada candidato estão sendo lançadas, como se fossem cartas em uma mesa de baralho. Só esperamos que aquele declarado vencedor não esteja blefando....

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A cultura não está órfã em Adamantina.

Há uma grande transformação em curso. Silenciosa, mas não despercebida, uma mudança extremamente importante ocorre há quatro anos em nossa cidade e começa a dar frutos importantes, que deverão ser colhidos por gerações futuras. Apesar de muitos percalços e diversos problemas ‘ela’ reapareceu. Estou falando da Cultura em Adamantina. Não que não houvesse manifestações culturais nos anos anteriores. Elas estavam aqui e acolá, mantidas pelo diletantismo de alguns que tentavam a todo custo manter algo vivo e disponível para a população. Algo insuficiente e que não atendia às necessidades de nossos cidadãos. Todavia, no decorrer dos últimos anos, um trabalho sistemático e bem engendrado foi lançado e um verdadeiro renascimento ocorreu em nosso município. Alguns mais sisudos podem contestar, afirmando que, para quem não tinha nada, qualquer faísca pode parecer fogueira. No entanto, trabalhando com orçamentos reduzidos e lutando contra a falta de interesse, o trabalho realizado por essa secretaria merece maior atenção. Desde a reativação do Projeto Guri, trabalho importante realizado com crianças carentes, a reabilitação da Banda Marcial, a reestruturação de nossa Biblioteca Pública, o projeto Rock na Praça, a vinda de peças teatrais, as oficinas, as diversas exposições, a iniciativa do ‘Vá ao cinema’, a criação dos conselhos municipais, para citar alguns, demonstram um trabalho muito bem feito e que merece maior reconhecimento dos adamantinenses. Trabalho esse, levado a cabo por dois secretários e suas equipes que se esforçaram para que essa transformação ocorresse. É claro que há problemas e alguns pontos devem ser mais bem debatidos. É o caso de uma efetiva integração da Secretaria com as escolas da cidade, uma maior atenção ao patrimônio histórico local e a atuação mais incisiva dos diversos conselhos culturais. Seria de suma importância também a maior participação do empresariado local no financiamento de nossas práticas culturais, assim como a elaboração de leis municipais que favorecessem essa empreitada. Bandeira essa que poderia ser levantada por pessoas envolvidas nesses projetos. Todavia, devemos destacar que algumas bases foram lançadas e que o trabalho, árduo e contínuo, deve ser o norte nessas questões. Pouco se fala nessa transformação. Ela não é tão marcante quanto à reforma de uma praça ou um recapeamento de alguma rua. Tão pouco é mencionada em palanques ou discutida em projetos de governo. Entretanto seu rastro deixa profundas marcas e seus resultados poderão ser sentidos ao longo dos anos. Fica o recado aos postulantes ao legislativo e ao executivo. Tratem com maior atenção o assunto e criem subsídios para que os projetos fluam e continuem nos próximos anos. A população adamantinense só teria a agradecer.

Cuidado! Não é hora de “abracadabra”...

“Brasileiro sabe votar”. Os leitores mais velhos devem recordar essas palavras proferidas pelo Sr. Edson Arantes do Nascimento. Os anos eram sombrios, estávamos sob pesado tacão militar e, para muitos, principalmente para a esquerda e simpatizantes, elas serviram para justificar a continuidade e – quem, então, poderia saber? – a permanência do governo autoritário de exceção. Lutava-se, na oposição, dura e bravamente, pela democracia representativa, que o horizonte revolucionário já desaparecia na névoa sinistra do extermínio e da tortura como política de Estado.
O tempo faz das suas: hoje, em praticamente todos os pronunciamentos oficiais e não- oficiais, voltados para políticas públicas de toda ordem, a expressão mais ouvida é “exercício da cidadania”. Como é sabido, a repetição exaustiva de qualquer signo lingüístico resulta em esvaziamento semântico. Experimente repetir, em voz alta, uma palavra por 60 segundos, sobrarão sons ocos de qualquer significado. Com “cidadania” começa a acontecer algo parecido. Mas é preciso ficar atento, seu esvaziamento trará um grave prejuízo para todos.
A propósito de que essa digressão? O exercício da cidadania, depois da penosa democratização, construiu-se em necessidade urgente para a consolidação efetiva do processo “democratizante” em que mergulhou o país nos últimos anos. Ouve-se muito também a palavra “inclusão”, que já vai cansando. Dá no mesmo. Ora, tais aborrecidas insistências não fariam sentido se a população brasileira gozasse plenamente de seus direitos constitucionais. O que, como todo mundo sabe, não ocorre. Há sutis formas de seqüestrar esse gozo.
Assim, o país parece padecer de curiosa esquizofrenia: o mesmo poder público que não perde a chance de apregoar seu emprego na “luta pelo exercício da cidadania” opera um número significativo de ações – ou simplesmente omite-se – que subtraem do brasileiro o necessário e procurado amplo “exercício”. Pense nos imensos problemas das áreas da saúde, educação, justiça e segurança. É de chorar. A retórica vazia mata aos poucos, mas é fatal como a degola, ora em moda.
Bem, voltemos a Pelé, ou melhor, a Edson Arantes: hoje, mais conscientes do abandono a que vem sendo largado, por séculos, o grosso da população, já não nos parecem tão absurdas as palavras que abrem este texto. Só poderia dar nisso. Lembremos que o direito de voto não constitui, em si, exercício pleno de nada. Até porque a reforma de nosso sistema eleitoral – urgente e imprescindível – tem sido evitada a qualquer preço pelos legisladores da ocasião. Vai ficando para um eterno depois. Enquanto isso, as eleições são “maquinadas” nos caldeirões das bruxas “marqueteiras”. Um teatro de mídia.Ocorre que o eleitor não é um ente passivo e o Estado muito menos um incontrastável pátrio poder. Cabe a nós a recusa permanente e atenta dessas viciadas práticas políticas e eleitorais. A transformação a se exigir não virá por mágica ou generosa concessão de poderosos com suspiros cristãos. A coisa toda pode estar começando no singelo instante em que o munícipe principia a olhar para o que restou da cidade, continua numa verificação exigente (não dói nada) dos espíritos públicos e visíveis nas ações efetivas, prossegue mais um pouquinho no gesto das urnas, e vai, para muito adiante, através do bastão passado às gerações futuras. Não abandonemos o barco.