sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A elite branca

A história brasileira está repleta de exemplos que confirmam o conservadorismo político e a aversão das classes dominantes a abrir espaço para outros segmentos sociais. Em nome dos “ilustrados” ou dos abastados, vistos muitas vezes como empreendedores, convencionou-se que a política deveria ter como capitães homens saídos das “boas” famílias brasileiras.

   A sanha pelo poder consolidou a crença no nosso país e também no microcosmo dele, no caso Adamantina, de que o destino da plebe deveria ser regido por aqueles que figuram no andar de cima da nossa anacrônica pirâmide social. Quem defende tal premissa pode até mesmo se ancorar nos filósofos iluministas, Voltaire e Montesquieu, por exemplo, que defendiam a igualdade social, mas não a política. A elite que assim pensa estaria amparada em grandes pensadores.

A escolha do regime monárquico e centralizador de D. Pedro I, no século XIX, já dava indícios de como seriam aqueles que assumiriam os postos públicos no Brasil. Brancos, cristãos, bacharéis. Uma terra governada por escolhidos, donos do poder por gerações, legitimados pela condição financeira ou pela pretensa intelectualidade.

Há pouco tempo um articulista de um jornal de grande circulação nacional escreveu: “É aos mais sábios e instruídos que deveria caber a suprema regência”. Esse pensamento leva em consideração apenas o saber diplomado, como se a população fosse uma criança a ser tutelada e, quando necessário, repreendida.

   Passadas duas décadas da redemocratização do Brasil, notam-se poucas mudanças. A vitória de um presidente operário cristalizou ainda mais o discurso conservador que entende a governabilidade atrelada ao capital. Os populares eleitos para cargos públicos carregam o constrangimento de ocupar um espaço que, na visão elitista, não é seu. “Bons tempos quando só os ricos votavam”, cheguei a ouvir anos atrás de uma senhora colunável de Adamantina. Observei então que, se fosse para retroceder politicamente, que se eliminasse também o voto feminino, conseguido a duras penas na década de 1930. E a conversa parou por aí.

A elite reclama, mas sabe que seus dias de hegemonia política, fundamentada no pensamento conservador e retrógado, têm data para acabar. A participação efetiva da população, por meio da fiscalização, da organização nos bairros e do contínuo acompanhamento das funções do legislativo e do executivo trará uma revolução silenciosa, porém irrevogável.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

“O PT foi passado para trás, o PT levou toco” afirma a vereadora Cleusa


Em um programa especialmente apresentado por Bruno Soares, o Cultura Livre entrevistou nesse sábado, 31/01, a vereadora reeleita do PT, Cleusa da Pastoral. A convidada, que está na Pastoral da Saúde desde 2000, filiou-se ao PT (Partido dos Trabalhadores) em 2001 e se elegeu na primeira disputa a vereança em 2002 com 680 votos. Seus principais projetos foram “Uma criança e uma árvore”, que estabelece o plantio de uma árvore para cada criança nascida em Adamantina, e “Fila do banco”, que determina apenas 15 minutos de espera para o munícipe ser atendido.

Como de costume ao entrevistar políticos da cidade, Cleusa explicou quais os motivos para ter ingressado na política adamantinense. Relatou nunca ter gostado do assunto, mas percebeu que com o trabalho social na Pastoral,de certa forma, já estava realizando esta atividade e que, como vereadora, poderia ajudar ainda mais a população. Para isto, filiou-se ao PT por causa de amigos que pertenciam ao partido e também devido à ação que essa agremiação política tem com a área social.

Quando questionada sobre sua atuação na política disse que não é perfeita e que pode se avaliar com nota 7. Acredita que evoluiu muito após 4 anos de mandato, porém tem auto-critica suficiente para saber que ainda precisa melhorar. Cleusa admitiu sua frustração na primeira experiência como vereadora por não ter conseguido aprovar o projeto da Lei do Silêncio, que regularia a atividade de carros de som, estabelecimentos noturnos, automóveis com rádios potentes e música alta em festas. O projeto perdurou desde o começo do seu mandato e não foi aprovado, segundo ela, devido à influência de pessoas que seriam prejudicadas caso a lei fosse aprovada.

Sem fugir de assuntos polêmicos, Cleusa comentou sobre o vereador e companheiro de partido Fabião. A entrevistada disse que existe algumas arestas e divergências de pensamento entre ambos e que esses problemas ainda não foram resolvidos. Relatou que mesmo estando no mesmo partido, ambos tomam posições independentes e não O votam em conjunto. Já sobre a possível influência política do Pe. Nelson no PT, disse que o considera como um conselheiro por sua inteligência e experiência, mas que ele não interfere diretamente nas suas decisões como vereadora.

O bate papo ficou mais acalorado quando foi abordado as negociações políticas sobre a sua possível candidatura como vice de Kiko Micheloni, fato ocorrido no ano passado. Nesse momento a vereadora afirmou que o PT foi passado para trás, pois o partido não procurou o grupo de Kiko para negociar essas questões. Segundo ela o convite partiu do próprio DEM e que após negociações resolveram fechar a questão, buscando a autorização do PT federal. Após isso, seu nome não foi aceito para ocupar a vaga de vice. Segundo Cleusa, isso ocorreu devido a um possível preconceito em torno de seu nome.

Nesse momento a vereadora relembrou a polêmica frase vinculada no Jornal da Cidade, na qual algumas pessoas teriam afirmado que ela era feia, gorda, pobre e petista, sendo assim não podendo ser candidata a vice. Cleusa afirmou que essa frase foi dita na câmara municipal e que no mesmo momento chegou a seu consentimento. Perguntada por Carolina Galdino sobre o que achava de tal afirmação deu sua opinião, na qual foi vinculada no jornal, o que gerou forte constrangimento a algumas pessoas. Mesmo assim, a vereadora afirma que o prefeito Kiko nunca teria dito essa frase, pois o conhece há anos e sabe de seu caráter. Mas não descartou a possibilidade de outras pessoas, ligadas ao governo, de terem feito tal afirmação.

Disse ainda que não se acha feia e que ser pobre não é opção. Ressaltou suas qualidades como mãe, esposa, voluntária e cidadã e criticou as pessoas que se apegam apenas a estereótipos e visões superficiais.

No final do programa, em um momento mais descontraído, comentou sobre seu visual chamativo e disse ser uma pessoa muito “colorida”. Lembrou que se sente muito feliz com a vida e que, mesmo desiludida com a política, trabalhará firme nos próximos quatros anos. Lembrou ainda os cidadãos de Adamantina que podem cobrá-la em relação a isso.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O interior e o eterno porvir

Segundo o historiador Marco Antônio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, o interior do Estado de São Paulo mantém-se no século XIX. Enquanto a capital e as cidades vizinhas se notabilizaram pela inovação e pela transformação ao longo do século XX, a maior parte do Estado continua inexpressiva. Não estamos falando de cana-de-açúcar, serviço público encampado por penitenciárias, recapeamento ou ambulâncias. Isso com certeza temos. Em nossa região há faculdades espalhadas em cada grotão, temos uma televisão regional, ponte sendo construída, estradas reformadas e até um Deputado Estadual!

A movimentação passa a falsa sensação de relativo progresso. O que mais podemos querer? Para alguns, principalmente os que estão no poder, nada mais. Será? Para Villa, o interior mantém a política do “sim, senhor”, os jornais são subsidiados pelo poder público, a mobilização social é inexpressiva, os professores universitários são conservadores e buscam composição política com o poder instituído. Isso quando se interessam pelos assuntos do município. Não confundamos professores universitários com intelectuais! É verdade que em nenhum momento o pesquisador escreveu pensando em Adamantina, mas poderia, se a conhecesse.

Vivemos na periferia do sertão. Amparados pelo poder estadual e federal vibramos com as migalhas orçamentárias destinadas a uma ou outra obra. “Bondades” pelos votos angariados. Mesmo no campo cultural, instigante espaço, não necessariamente relacionado ao capital, temos que agradecer o apoio estadual. Sem ele o que seria de nossa região?

De qualquer forma essa postura não é conjuntural e a situação se arrasta por décadas. Quando o falso deslumbramento acabar os mandatários serão inquiridos: O que ficou? Havia política pública eficiente? As medidas não foram paliativas? Onde está a inovação? Pelo visto a roda da história travou no interior. Pouco se construiu de concreto nos tempos de bonança. Como a cigarra da famosa fábula muito se canta e pouco se produz. O momento pede uma mudança clara de postura. Agressiva, inovadora, apartidária, se os egos deixarem. A eleição de novos quadros da Amnap é um momento propício para essa discussão. Elaborar projetos consistentes, direcionando verbas do Governo Federal, com o apoio do empresariado regional, também é uma proposta. Engolir análises, como as feitas por Villa, não é fácil. Mas no momento ele está com a razão.

domingo, 18 de janeiro de 2009

“A democracia deve começar, antes de tudo, no partido”, afirmou Israel


O convidado de sábado passado, 17 de janeiro, do programa Cultura Livre foi Israel Pereira Coutinho. O policial civil que ficou conhecido por algumas proezas no exercício de sua profissão e se tornou lenda na cidade, nas últimas eleições se candidatou a vereador e conseguiu se eleger como o segundo mais votado, somando um total de 1.258 votos em Adamantina.
O primeiro bloco do programa foi mais focado na profissão de policial civil, que o entrevistado exerce há 20 anos como investigador. Israel relatou que seguiu a carreia por ter alguns familiares na polícia ou nas forças armadas, inclusive seu pai, que foi policial militar. Somado a isso, desde criança teve contato visual com armas e fardas, por isso houve a tendência de seguir carreira nesta área. 
No decorrer do bloco, Israel esclareceu dúvidas sobre algumas histórias de sua atuação como investigador que se tornaram “lendas” em Adamantina e que lhe deram a fama de policial eficiente. Tal qualidade pode ser comprovada pelo cargo que ocupa de investigador chefe da Delegacia Seccional de Polícia e pela aprovação nos cursos do GARRA da Polícia Civil de São Paulo, do TIGRE (Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil do Paraná) e, principalmente, da SWAT (Polícia Especial de Miami). Este último foi realizado em São Paulo por uma equipe que veio dos Estados Unidos e apenas 25 policiais de todo o Brasil concluíram o curso.
Israel também teve espaço para esclarecer um problema de saúde que passou no ano de 2006, quando estava prestando a fase final para o concurso de delegado. Apresentava um nível de stress muito elevado devido à importância da prova e este sintoma aumentou de maneira intensa com o início das ameaças e atentados comandados pelo PCC contra a polícia de São Paulo. O resultado foi uma pneumonia grave que deixou o policial por 18 dias em coma induzido.
No segundo bloco a tônica da entrevista foi política local. Israel se elegeu como vereador ao se candidatar pela primeira vez. Explicou que a idéia de ingressar na política surgiu de uma conversa com um amigo, que notou a popularidade do policial. A idéia se concretizou quando houve o convite do PSDB para sua filiação no partido. Para pleitear o cargo Israel se preparou realizando vários cursos de gestão pública e corporativa e lendo livros clássicos sobre o tema. Lembrou também que fez uma campana sem muitos recursos, trabalhando intensamente todos os dias. Dessa forma, afirmou que um candidato pode conseguir uma votação expressiva apenas com boas propostas.
Israel afirmou também que os dias dos “políticos assistencialistas” estão contados e que a população de Adamantina está mais seletiva nesse sentido. Quando indagado sobre e eleição para Presidente da Câmara afirmou que seu partido, apesar de ter maioria, não conseguiu vencer a eleição pois houve imposição de um nome. No seu entender algumas posições arbitrárias racharam o partido na votação. Segundo ele a democracia deve começar nas agremiações políticas, com as decisões sendo votadas e debatidas e não sendo ditadas por uma ou outra pessoa.
O entrevistado disse que suas metas como político estão direcionadas para os portadores de deficiência, as instituições filantrópicas da cidade, os direitos do consumidor, a saúde e o esporte. Israel está ciente que pode haver alguns obstáculos, conseqüentes da sua pouca experiência na política, mas que os cursos e os estudos que realiza aumentam sua capacidade. Afirmou: “Não dá pra fazer milagre, mas eu vou tentar.”

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Serei eu o insensato?

Alguns devem acreditar que auto-análises são mais propícias quando a finitude nos bate a porta ou em momentos de grandes mudanças em nossas vidas, quando revemos nossas atitudes ao longo da trajetória e buscamos entender a forma como encaramos o mundo. Mas, eu, com 24 anos, começo a questionar certas posições, pois a cada dia vejo os fatos que critico serem vivenciados de forma mais intensa. Não é segredo a minha posição crítica em relação ao uso do erário público na construção de imagens religiosas. Deixo claro que não sou contra a sua veneração. Mas, entendo como desnecessário o uso indiscriminado de impostos em artigos direcionados a satisfazer a egolatria. No entanto, semana passada, foi noticiada a construção de uma imagem na cidade de Sertãozinho no valor de 1 milhão e 500 mil reais. Veja bem, mesmo que a arrecadação dessa quantia fosse alcançada de forma espontânea, entre os fiéis da cidade, não conceberia empregar um valor tão alto numa estátua religiosa. Longe se julgar a consciência de cada um, me calaria por saber que a livre iniciativa e o emprego do próprio dinheiro é um direito inalienável. O que intriga é saber que a importância de 1 milhão e 500 mil reais saíram dos cofres públicos de Sertãozinho, com o aval do prefeito e do secretário de obras. Bem, vale lembrar que esse valor poderia ser empregado na construção de cem casas populares. Ou seja, cem famílias de Sertãozinho poderiam desfrutar de uma melhoria em sua condição de vida se o dinheiro gasto na imagem fosse direcionado para a habitação. Nunca é demais mencionar que esse valor poderia ser bem empregado na educação, saúde, saneamento, entre outros. O leitor deve se perguntar: O que tenho com isso? Acredito que a consciência crítica deva ser atemporal. Deve-se fazer o exercício da reflexão a todo instante, mas não pretendo aqui direcionar as conclusões de ninguém. Continuo sem entender certas questões que não se revelam óbvias: Ostentação não está em desacordo com a tradição original das religiões? Como pregar ajuda ao próximo onde se gasta mais de 1 milhão em uma estátua? Há envergadura moral em líderes que não praticam o discurso que proferem aos seus fiéis? No meu entender, essas pessoas deveriam ser as primeiras a tecer críticas a esse tipo de empreendimento. A ética e a cidadania são ultrajadas em casos como esse. Seja um carro caro e luxuoso, desnecessário, ou mesmo uma imagem milionária, algo não encaixa com o discurso. No entanto, a insensatez e a imaturidade talvez não me deixem entender seus reais significados. Serei eu um insensato num mundo de dissimulados? Farei mais essa reflexão.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

“Tenho diversos projetos para melhorar Adamantina”, afirma Faraday Zanandréa


O programa Cultura Livre do último sábado, 10/01, recebeu como convidado Faraday Geraldo Zanandréa, uma figura marcante de Adamantina, conhecido por suas invenções, histórias e simpatia. Nascido em Matão, Faraday é filho do lendário Alcides Zanandréa, que também foi uma pessoa ligada a ciência, desenvolvimento de projetos e invenções, e que foi responsável pela confecção do galo que fica no alto da torre da igreja Matriz de Santo Antônio.
Faraday começou a entrevista explicando a origem e o significado de seu nome, no qual recebeu como homenagem de seu pai ao grande cientista em estudos sobre o eletromagnetismo Michael Faraday. Quando questionado a respeito de suas invenções, disse que o crédito de inventor deve-se mesmo ao seu pai, a quem considerava um gênio e que teria inventado uma panela de pressão muito tempo atrás, ainda na década de 1930, além de vários outros equipamentos, como um esterilizador para a Santa Casa. No entanto, Faraday não descarta ter desenvolvido alguns projetos e criado algumas engenhocas.
O convidado é um entusiasta da astronomia e ufologia, sendo membro do Clube de Astronomia de Mariápolis, cidade vizinha a Adamantina, e explicou as dificuldades encontradas para desenvolver um projeto desta natureza em nossa cidade. Devido ao seu grande interesse em OVNI’s (Objeto Voador Não Identificado) Faraday coleciona vários filmes com o registro do aparecimento desses objetos em vários lugares do mundo e acredita que o caso Roswell e do ET de Varginha sejam verídicos. Mas disse nunca ter testemunhado algum caso envolvendo OVNI’s ou ET’s em Adamantina. No entanto, afirmou que em nossa região há registros desses fenômenos e que, segundo ele, muitos não relatam por vergonha e pelo descrédito que muitos dão ao tema. Em um momento inusitado do bate papo, explicou aos ouvintes como se deve proceder caso tenha contato com algum disco voador.
Zanandréa também contou sobre seus projetos ambientais e urbanísticos, assim como o de um palco para uso múltiplo que seria feito no pátio da feira livre de Adamantina e que, segundo ele, já está em poder da prefeitura. Além disso, relatou outro projeto, no caso a cobertura do Poliesportivo de Adamantina e algumas modificações para melhoria do transito da cidade. O convidado também confirmou a história de que criou um projeto para solucionar as inundações na cidade de São Paulo, o qual entregou pessoalmente ao governador da época, Geraldo Alckmin.
Ao final desta entrevista, que decorreu de maneira muito descontraída, Faraday finalizou explicando uma curiosidade que vários adamantinenses comentam: se é verdade que ele sai de sua oficina esperando que um saco de dinheiro caia do céu toda que um avião levanta vôo em Adamantina. Segundo ele, a história procede e este costume foi criado devido aos filmes que assistia, onde sempre o bandido deixava cair uma mala de dinheiro de dentro de algum avião. Afirmou que tem esperanças de que um dia esse fato ainda se concretizará.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Cincão


Mais um curta-metragem do cineasta Cacá Haddad. Gostem ou não é cultura autóctone, feita por um adamantinense, com produção adamantinense.

É apenas o trailer, mas vale a pena conferir o fime todo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Já fui ameaçado por matérias que fiz, afirma Everton Santos no ‘Cultura Livre’


No último sábado, dia 6, o programa ‘Cultura Livre’ bateu papo descontraído com o jornalista Everton Santos. Publicitário e jornalista formado pela FAI, Everton trabalhou nos jornais Diário do Oeste, Impacto e Independente, da cidade de Lucélia e, por conta disso, comentou a atuação do ‘quarto poder’ em nossa cidade, como também sua militância na política, onde ventilaram seu nome para pleitear o executivo, em 2004. 

A entrevista, muito descontraída, abordou temas interessantes de sua carreira jornalística, como as polêmicas reportagens feitas sobre a prostituição infantil no trevo da cidade, onde ele e seu amigo, Eduardo Graboski, passaram horas de ‘tocaia’ esperando o melhor momento para fazer a reportagem e tirar fotos. Contou ainda que a matéria esteve pronta alguns dias antes de ser publicada, mas para não atrapalhar a atuação do Conselho Tutelar, esperaram o momento propício para divulgá-la a população. Everton fez críticas ao poder público, pois afirmou que não adianta a imprensa denunciar e investigar se as autoridades competentes não fizerem seu papel.

Afirmou ainda que manteve várias atritos com a política editorial dos jornais que trabalhou, pois, como já afirmaram Sergio Vanderlei e Antonio Vitor no ‘Cultura Livre’, a imprensa sofre influência de grupos políticos e econômicos da cidade. Sobre a questão, Everton comentou sobre as inúmeras ameaças que sofreu por suas reportagens, no qual, em um momento extremo, foi ameaçado por um cidadão que vaticinou um possível ‘acidente’ que ele sofreria no trânsito com sua moto.

Sobre sua participação na política local, o entrevistado relembrou sua pré-candidatura a prefeito de Adamantina, na época pelo Partido Verde. Disse que, com apenas 23 anos, entendeu que poderia ser uma alternativa a política local, mas que saiu antes do pleito pois ‘forças obscuras’ usariam o palanque para outros fins. Relembrou de um fato pitoresco dessa época, na qual, para retirar sua candidatura, teve que brigar, fisicamente, com um membro do partido.

Mesmo assim, hoje filiado a outra agremiação política, entende que os partidos políticos são importantes para desempenhar mudanças em nossa cidade. Nesse momento, comentou sobre alguns partidos locais e algumas cúpulas que, no seu entendimento, são antidemocráticas. No fim da entrevista, afirmou que no momento não pensa em se candidatar a vereança, mas que por seu interesse pela cidade não é um pensamento a ser descartado. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Decisão Judicial Histórica.

Na última semana, a notícia mais comentada nos jornais locais e em conversas regadas a cafés em Adamantina, foi a decisão judicial que condenou o ex-prefeito José Laércio Rossi e a Mitra Diocesana de Marília a restituir aos cofres públicos o dinheiro usado na construção da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Entretanto, a mesma sentença confirmou a permanência da estátua na entrada da cidade. Uma decisão sensata, mas a ser refletida. Em artigo anterior, afirmei minha posição em relação a questão, defendendo o ressarcimento do dinheiro bem como a retirada da imagem. Não o fiz por questões pessoais e sim por, naquele momento, entender que tal situação se configurava como uma arbitrariedade de seus idealizadores, opinião essa que ainda mantenho. Com o passar do tempo entendi que a população católica adamantinense não deveria ser penalizada pelo erro e omissão de alguns. Mesmo defendendo que as manifestações religiosas devam se manter em âmbito privado ou em espaços reservados para tal fim, acredito que a imagem já se firmou no imaginário religioso de grande parcela dos munícipes e sua retirada poderia ser traumática, dessa forma desnecessária. Mesmo assim, a decisão tomada pela justiça, no que tange o dinheiro público, foi totalmente acertada e serve de exemplo para qualquer idealização futura que, creio eu, será tomada de maneira democrática e sensata. Aos poucos, alguns homens públicos de Adamantina começam a perceber que a sociedade se torna vigilante e que nenhum ato, mesmo populista, não passará pelo crivo dos que zelam pelo patrimônio público e pelo uso correto do erário municipal. O momento torna-se propício para algumas reflexões a esse respeito e a decisão da justiça confirma o caráter laico de nossa constituição. Não privilegiar alguma religião é um dos aspectos mais democráticos que podemos defender. Exigir direitos iguais a todos os credos, ou aos que não o têm, demonstra maturidade política e social em uma comunidade. Dessa maneira, devemos levantar a questão sobre o aniversário de Adamantina, transferido de 2 de abril para 13 de junho em uma manobra de alguns homens, num passado não muito distante, os quais pensavam estar acima do bem e do mal, ou seja, acima das leis. A religião tem um papel social de destaque na sociedade brasileira e seu campo de atuação abrange inúmeros setores e grupos. Não entendo o porquê essa forte mobilização não ser usada como uma ferramenta para diminuir as diferenças sociais em nossa comunidade e criar um ambiente de esforços múltiplos. Ao contrário, esse poder é usado para reafirmar uma posição, muitas vezes ultrapassada, e que não condiz a teoria com a prática. Onde se prega humildade, desprendimento material e desapego ao poder se vêem ostentação e manipulação da opinião pública. A decisão da justiça é um sopro de discernimento que deve servir de reflexão a muitos adamantinenses. Imagens, automóveis caros, entre outras coisas não condizem com uma filosofia que muito pode ser benéfica a quem a professa. Desde que, é claro, seja usada de forma crítica e reflexiva. Adamantinenses, pensemos sobre isso.

domingo, 9 de novembro de 2008

Advogada Carolina Galdino analisa a política local no "Cultura Livre"


O programa Cultura Livre entrevistou, no último sábado, a advogada Carolina Galdino da Silva. Cidadã atuante na sociedade local, a convidada discutiu o engajamento do cidadão dentro da política municipal, o papel dos conselhos municipais e a avaliou os últimos quatro anos da gestão Kiko Micheloni. Carolina, que coleciona um vasto trabalho frente a vários conselhos municipais, tais como, saúde, assistência social e cultura, revelou o porquê de sua saída destes grupos, efetivada na semana passada. Afirmou que em Adamantina os conselhos municipais não cumprem o seu verdadeiro papel, que é orientar o poder público, e que na maioria das vezes as pessoas que estão a frente destes grupos são pessoas direta ou indiretamente ligadas ao governo local, proporcionando uma espécie de acomodação de seus integrantes. 

Perguntada sobre qual a sua proposta para haver uma maior participação popular na cidade, Carolina respondeu que o poder público deve respeitar o povo e promover o diálogo acima de tudo, fato que, segundo ela, começa a ser trabalhado junto a administração com o auxílio do professor Mauro Cardin, classificado pela entrevistada como o “Guru” da gestão.

Sobre a participação feminina na política adamantinense, Carolina afirmou que o tratamento do prefeito Kiko Micheloni à sua vice-prefeita, Beth Meirelles, exemplifica a falta de diálogo do Executivo com o público feminino. Salientou que a posição da vice, no dia da eleição, quando esteve sozinha na frente do Fórum, foi emblemática nessa questão. Relembrou também que, quando esteve como presidente da Rede de Combate ao Câncer, ouviu inúmeras promessas do prefeito, que, segundo ela, não foram minimamente atendidas nos últimos quatro anos.

Carolina teceu fortes críticas a secretária da saúde e disse que a gestão nessa área deixa muito a desejar. Nessa questão, disse que o conselho de saúde, no qual participava, não tem nenhuma representatividade, pois apenas acata ordens e não discute os diversos problemas existentes no setor.

Indagada sobre uma possível candidatura ao legislativo nos próximos anos, afirmou que não passa isso por sua cabeça e que para ser atuante na sociedade não, necessariamente, precise ocupar cargo público. Defendeu ainda a não remuneração da vereança, pois muitos candidatos exercem a função devido ao salário e não por competência.

Respondeu ainda sobre a possibilidade da fundação de um partido em Adamantina sobre a sua liderança. Afirmou que, com muito cuidado, está procurando uma agremiação de orientação esquerdista que possa ajudar no crescimento de Adamantina e acenou com alguns contatos com o PSOL.

No final da entrevista disse que continuará cobrando o poder público por melhorias para a Adamantina e espera uma atuação política mais agressiva dos gestores junto ao poder Estadual e Federal, como já articula o prefeito de Osvaldo Cruz, Valtinho.