domingo, 20 de julho de 2008

Acesso à Justiça não é privilégio

A não renovação do convênio entre OAB paulista e Defensoria Pública do Estado de São Paulo é apenas mais um episódio típico na história do Poder Público no Brasil brasileiro. Quase sempre, ele se apresenta perdulário e mal gerenciado, cheio de ralos (corrupções) por onde vaza parte considerável dos recursos obtidos dos pesados tributos. O Poder Público, nas três esferas do executivo (Município, Estado e União), com raras exceções, tem estado aquém das necessidades da população.
A Constituição Federal de 88, ao consagrar o princípio da garantia de acesso à Justiça a todos os brasileiros, impôs ao Poder Público o dever de prover os meios para a sua efetividade processual. Claro, cabe a ele a responsabilidade pelo provimento dos recursos. Entretanto, como acontece na Saúde e na Educação, os recursos destinados à assistência judiciária estão longe de atender adequadamente a demanda. Sabe-se que, salvo melhor juízo, a garantia do acesso acontece mais em função da boa vontade dos advogados conveniados do que pela recompensa financeira. Aliás, o que se paga tem sido considerado humilhante, principalmente àqueles que encaram o exercício da defesa dos direitos como sagrado e indispensável à dignidade humana.
A recusa ao atendimento aquilo que já está pactuado no convênio é apenas mais uma confirmação histórica de como o Poder Público brasileiro encara a sua responsabilidade frente o seu dever constitucional. Aliás, sempre querendo se esquivar por meio de subterfúgios e pretextos, que não convencem aqueles que sabem o quanto custam, no seu bolso, os tributos pagos. Não é à toa que, no Império, se consagrou a expressão: “isso é coisa para inglês ver”. Noutras palavras, as aparências bastariam para satisfazer às exigências do governo inglês, então o maior credor das dívidas externas brasileiras. O Estado Brasileiro, quase sempre, se comportou como uma fábrica das aparências. As coisas devem existir e funcionar à base do simulacro, comportamento que custou a pecha de que “o Brasil não é um país sério”, conforme observou o presidente francês, Charles de Gaulle.
Enfim, espera-se que a Defensoria Pública paulista atenda a reivindicação da OAB e exija dessa qualidade nos serviços prestados à comunidade. Afinal, mesmo atendendo, sabe-se que os honorários reivindicados estão muito aquém das responsabilidades exigidas nos serviços prestados à comunidade.

A vida é um sonho!!!

Entre os dias 6 e 8, estive em Maringá. Fui acompanhar minha filha, treineira, para um vestibular na UEM (Universidade Estadual de Maringá). Depois de 13 anos voltei a cidade. Na época, como professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, fui participar de uma palestra do historiador inglês, Peter Burke. Já era uma grande cidade. Mas, de volta, fiquei impressionado com o desenvolvimento de Maringá. Por ser época de vestibular, para qual se inscreveram 22.410 candidatos, o trânsito estava lento. Mesmo assim nada de intolerável. Ao contrário, tudo bem organizado e fluindo, sem irritação. Os candidatos estavam à cata de 1.542 vagas, em 47 cursos de graduação. Como a presença dos jovens vitaliza a cidade!
Claro, diante do imenso movimento, pus-me a pensar e sonhar sobre Adamantina. Fiquei imaginando a presença desses 22.410 candidatos à procura de vagas em nossa instituição de ensino superior. Sabe-se que a FAI, hoje, com os seus 28 cursos, oferece quase 2.000 vagas. Entretanto, quando consegue 1.500 candidatos, dá-se por realizada. Que diferença, não é? Mas são realidades distintas. Sem dúvida, ambas são públicas, porém a UEM é gratuita. Isso faz diferença. Sim, muito. Por quê? No Brasil, consolidou-se a idéia de ensino superior público, como sinal de qualidade, e com a vantagem de ser gratuito.
A FAI tem tudo para ser isso. O seu corpo docente não deve ser muito diferente da UEM, porém o corpo discente, sim, e muito. Aí as diferenças são gritantes. Como isso poderia ser mudado? Bastaria que a FAI oferecesse ensino gratuito. Mas o município não tem dinheiro para isso, diríamos. Concordo, talvez, nem o Estado. Mas há outros caminhos. Então, por que não federalizá-la? O governo federal tem dinheiro, hoje, e muito.
Assim, no meu sonho, imaginei a FAI já federalizada fazendo o seu primeiro vestibular. Que imagens desfilaram em minha mente? O centro da cidade congestionado. Os hotéis e pensões sem vagas, os restaurantes com mesas ocupadas, as lojas cheias de pessoas fazendo compras, os postos de gasolinas com filas enormes de carros, as farmácias lotadas, lojas de conveniência fervilhando... Enfim, Adamantina em polvorosa.
Exagero? Não, vamos aos cálculos. Durante os três dias de Maringá tive um gasto em torno de 1 mil reais. Multiplicados por 20.000, o comércio receberia um fluxo de aproximadamente 20 milhões de reais em três dias. Mas há quem possa achar que é exagero 20 milhões. Então deixemos por 10 milhões. Mesmo assim ainda há exagero. Então fiquemos com uma conta muito simples: cada candidato gastando 100 reais nos três dias, isso representaria cerca de 2 milhões de reais. Quando isso aconteceu em Adamantina?
Ah, não podemos esquecer que isso é apenas um sonho que pode se tornar realidade. Bastaria ter vontade política e espírito de conquista para a comunidade.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

ENTRE TAPAS E BEIJOS


As “mulheres”, que não são mulheres de bandido, ofereço.


Existem situações que não consigo compreender. O famoso amor bandido, vivido nas novelas, filmes e, principalmente, na vida real é intrigante. A mulher ou o homem que, apesar das barbaridades sofridas pelo parceiro algoz, volta aos braços do amado ou da amada, resumindo todos os problemas de relacionamento em uma grande noite de amor, nos faz acreditar que aquela frase babaca: “o amor é lindo!”, tem um poder sobre-humano. A mulher do malandro apanha por vários motivos, às vezes está certa, outras está errada, mas apanha. Sua maneira de pensar é medíocre. Aceitando o que o amado lhe impõe, mostra que a sua vontade única, é uma boa noite de lençóis suados de “amor bandido”.
Diante dos conturbados problemas de relacionamento, a mulher do malandro fala mal do amado, diz que ele não presta, que é um grande sem vergonha, que não tem vergonha na cara. O seu lamento ultrapassa as paredes de sua casa e chega à casa dos vizinhos, dos melhores amigos e à casa de seus pais. Todos sabem que ela, a mulher do malandro, tem graves problemas com o amado, afinal ela gritou para a cidade toda que ele, o malandro, é um grande safado. Mas o malandro não é besta, o primeiro 171 que aplica na parceira, faz com que se derreta, então todos ficam boquiabertos com a mulher, que há tempos atrás difamava o parceiro e que agora está se deliciando com os prazeres da carne. Será que ela o ama de verdade, ou quer apenas satisfazer os seus mais dissimulados desejos?
Podemos adequar o exemplo da mulher do malandro com o atual panorama político brasileiro-adamantinense. Tem gente por aí que “apanhou” bastante, ficou de olho roxo e jogado às traças. A única coisa que sabia fazer era caluniar seu amado, dizer que ele era péssimo, que não prestava. Ficava vagando pelas esquinas, maldizendo seu amante. Chegou, inclusive, a prometer seu amor para outros, disse que não se uniria com ele, que sua vida a partir de agora seria diferente, um novo projeto para um novo tempo. Mas o desejo pelo amado foi mais forte, sua volúpia foi atiçada e o amor que prometera a outros foi por água a baixo, diante do primeiro piscar de olhos. Afinal, malandro que é malandro nunca perde a sua mulher. A mulher mais uma vez deixou seus valores para trás e se entregou a uma noite de prazer, afinal, estar por cima apenas pelo prazer do poder é muito bom, presumo eu.
Quanto a nós, que assistimos esta patifaria político-matrimonial, nos resta apenas continuar intrigados com as atitudes da mulher do malandro e nos perguntar: “Ainda existe ideologia, ou tudo é feito para se manter por cima nesta suruba sem vergonha? Ficamos sem saber quem é pior, o malandro que xaveca ou a mulher que aceita esta situação. Para terminar, sugiro aos políticos do nosso Brasil varonil um trecho da letra da canção “É”, de Gonzaguinha: “É! A gente quer viver pleno direito. A gente quer viver todo respeito. A gente quer viver uma nação. A gente quer é ser um cidadão... É! A gente não tem cara de panaca. A gente não tem jeito de babaca. A gente não está com a bunda exposta na janela prá passar a mão nela...”.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

“FAIFIA”

Talvez o leitor acredite que o titulo deste artigo esteja errado. É FAI e não “FAIFIA”. Vou provar que não está errado. Muita gente acredita que a FAI é recente. Na verdade, esta Instituição nasceu em 1967, com a criação da FAFIA, e tem, portanto, mais de quarenta anos.
Certo dia ouvi dizer: “A FAI é uma criança e, por isso, de vez em quando, ela encha as suas fraudas”. Acho que não se justifica, pois quando a FAI surgiu em 1998, através da unificação da FAFIA e da FEO, ela já era uma jovem. A FAFIA e a FEO (que foi criada em 1980) foram crianças bem tratadas, basta lembrar de seus pais: Antônio Jorge, Ivone Ramos, Maria José Belusci, Roberto Juraci Correa, Célia Duarte, Regina Ruete, Maria Alice Cunha e tantos outros que nunca deixaram a criança sujar as fraudas. Bastava um pequeno problema, para este time de pais competentes limpar a criança.
É claro que a criança cresceu, tornou-se adulta, e, ai sim, temos com a famosa unificação uma linda senhora: formosa, com um belo corpo desenvolvido. Então chegou o dia que a senhora, como todas as mulheres, precisava se estruturar, compor família, ter filhos e procurar o amadurecimento, mas não conseguia. Não se sabe a causa, mas a senhora FAI, apesar de toda a sua exuberância de mulher formada, ainda possuía resquícios de uma adolescente mimada. Vícios, oriundos de uma formação do tipo: “toma filhinha, não precisa chorar, tudo o que você quiser o papai lhe dará”. E não de uma construção de caráter do tipo: “filhinha, não é assim, primeiro as responsabilidades e depois os deleites”.
Hoje a FAI é uma potência em nossa cidade, embora carregue consigo vícios que já deveriam ter sido erradicados ou, talvez, não deveriam nem mesmo ter sido criados. Vícios que atrapalham o seu desenvolvimento e que tiveram a grande chance de serem extirpados na famosa “reforma retirada de pauta”. A atual administração da FAI tem em mãos uma senhora que, para conseguir se estabilizar, precisa urgentemente fazer várias sessões de terapia para entender quem realmente ela é. Vou pedir para o leitor terminar de ler este parágrafo, fechar os olhos e imaginar Adamantina sem a FAI: Mercado imobiliário? Supermercados? Lojas de roupas? Postos de combustíveis? Restaurantes? Entretenimentos? Serviços de moto Táxi? E, é claro, Ensino e Pesquisa?
Fechou os olhos? Pensou? Pois é, vivemos em torno desta senhora que hoje se encontra com vícios de organização e, por incrível que pareça, dependemos muito dela, uma vez que é o segundo orçamento de Adamantina. Hoje, a FAI possui um grupo de pais zelosos que estão tentando sanar estes vícios.
É engraçado lembrar dos tempos de FAFIA e FEO que a “criança” tinha tantos problemas e era sempre bem cuidada mas poucos queriam saber daquela criança, pois ela não podia arrumar a vida de ninguém. Hoje, uma “cambada de sanguessugas” olha para a nossa Instituição e tenta encontrar a solução de “seus” problemas.
A grande oportunidade de sanar os vícios da FAI encontrou barreiras diante de uma Câmara de Vereadores, na qual a maioria apoiou o projeto e a minoria venceu a maioria com uma estratégia perversa, baseada na deslavada omissão. Pior que isso, um edil que votou contra o projeto, em seu discurso de votação, disse: “o projeto é excelente, muito bom”. Mas votou contra. Atento povo de Adamantina, pois nem toda “pedra” que reluz é ouro, mas bem lapidada pode se tornar um diamante.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Futuro incerto

A frágil posição política de Adamantina no contexto regional é algo que vem se acentuando. A evidência mais palpável é o status atual de Dracena. Não apenas vimos Dracena, nos últimos anos, levando o que era nosso, mas conquistando posições vantajosas junto ao governo do Estado. Sem dúvida, a figura carismática e bem articulada na esfera estadual de Júnior Stelato facilitou, em muito, as conquistas de Dracena. Porém, Junior Stelato deixa o posto de prefeito e, como tudo indica, o próximo não terá a mesma expressão de Stelato. Seja quem for o próximo prefeito de Dracena, a tendência é de refluxo de sua posição junto ao governo do Estado.
Por outro lado, o fantasma não está afastado. Sabe-se que o candidato a prefeito de Osvaldo Cruz, o ex-prefeito Valtinho, tem chances de vencer as eleições. Caso vença, Valtinho vai colocar toda a sua influência a serviço do município. Quando prefeito, de 1997 a 2004, Valtinho explorou muito suas relações com o governo Estadual. Assíduo freqüentador das secretarias de Estado e do Palácio dos Bandeirantes, acumulou muitas experiências e marcou sua administração obtendo conquistas relevantes para Osvaldo Cruz. Portanto, é uma pessoa de trânsito livre no governo estadual. Aliás, essa condição acaba sendo reforçada pelo fato de também ser um tucano de carteirinha, coordenador regional do PSDB.
Assim, seja quem for o próximo prefeito de Adamantina, não se pode manter alheio a essas questões regionais. Município de pequeno porte, como o nosso, depende de uma boa e inteligente articulação com as esferas estaduais e federais. Abrir mão disso é um desserviço aos interesses maiores da comunidade. Afinal, a política é um estado permanente de batalhas. Ao vencedor, as conquistas; ao perdedor, o amargo preço de sua incompetência. Quem sofre com a perda? Todos: população, comércio etc.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Um problema de linguagem

As pessoas quase sempre são estimuladas a se candidatar a vereador por alguma qualidade que têm: ou porque é um conhecido esportista, ou porque é adepto da causa ambiental, ou porque ajuda os necessitados, ou porque é hábil em conseguir internações hospitalares e até por ser um sujeito legal.
Mas, uma vez eleito, o sujeito passa a fazer parte da gestão da cidade, e não apenas do esporte, do meio ambiente ou da área social. Para o município, não importa se ele sabe o nome dos 33.470 concidadãos, e sim se tem competência para o cargo. E para isso é preciso que tenha firmeza de caráter, espírito público, discernimento, habilidade de conviver com diferença de opinião, etc. Isto é, na Câmara são necessárias muitas outras virtudes: aquelas que fazem um líder. O legislador precisa ser alguém de visão e que saiba defender idéias. Um vereador que é vereador só porque prestou muitos favores no seu bairro é um estorvo.
Portanto, é natural que, para decidir em quem votar, a população consciente queira conhecer o potencial de cada candidato e que o candidato saiba mostrá-lo. O sujeito do esporte, além de dizer o que pretende fazer pela área, precisa convencer o eleitor de que está preparado para ser vereador. O mesmo se espera dos demais.
É preciso então que o candidato saiba fazer um bem fundamentado discurso com começo, meio e fim, que diga com clareza por que deseja ser vereador, como vai se relacionar com a população, qual é seu posicionamento em relação aos grandes temas locais, como pretende resolver os problemas do município...
Infelizmente, mais uma vez não se vê por parte dos partidos um esforço para habilitar os postulantes à Câmara nesse sentido. Não há a menor preocupação em debater marketing e conteúdo de campanha com os candidatos a fim de capacitá-los para que se apresentem diante do eleitorado.
Na lista de candidatos há pessoas de bom potencial para a política mas que precisam de um empurrão inicial em termos de apresentação em público (depois elas andam sozinhas). Sem essa ajuda inicial dificilmente passam pelas urnas, e nossa política não vai se renovar nem se enriquecer como se espera. “A linguagem”, diz M. Gnerre, “constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder”; especialmente das pessoas sérias, acrescento eu, já que os “argumentos” dos politiqueiros contumazes pouco têm a ver com linguagem.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A falsa relação entre o poder econômico e a política

É lugar comum nas discussões sobre eleições e campanhas para cargos eletivos a super valorização do poder aquisitivo para alçar esse ou aquele grupo ao poder. Muitos afirmam, com conhecimento de causa, que o lado financeiro, diversas vezes, é o fiel da balança na maioria dessas disputas, e que os candidatos com maiores recursos tendem a “conquistar” o eleitorado. Essas considerações poderiam valer para antigas eleições, mas, para hoje, será desculpa de mau perdedor.
As últimas resoluções da justiça eleitoral tentaram atenuar esse problema e nivelaram as campanhas políticas, deixando os candidatos em maior igualdade na busca pelos votos do eleitorado. Restrições a showmícios, brindes, outdoors, colocará em prova a capacidade de retórica e as formas de convencimento de nossos políticos.
Contudo, em Adamantina, muitos se acovardaram diante dessa antiga idéia e preferiram deixar o pleito para os mais bem providos de recursos financeiros. Ora, até quando nossa política se assentará nesse pilar? Muitos acordos não foram consumados devido o problema econômico, deixando a impressão de que pinturas em muros, “santinhos” e churrascos valem mais que programas de governo e afinidades ideológicas.
Esquivar-se da disputa ou fazer acordos de última hora para estar do lado dos privilegiados financeiramente mostra o verdadeiro caráter de muitos de nossos políticos que, críticos costumazes, tornam-se amigos de ocasião, tentando beneficiar-se das possíveis vantagens que essas alianças lhes proporcionarão.
Colocar a culpa da vitória na questão econômica mostra profundo desconhecimento da lei ou falta de vontade de trabalhar, além de tratar o eleitorado como um verdadeiro “analfabeto político”, para citar Bertolt Brecht.
O apagão de idéias e propostas, como também a vaidade de alguns de nossos “articuladores” não serão mais mascaradas com a questão financeira. Ou criam coragem para discutir idéias e participar de debates ou serão relegados ao limbo de nossa história política, tornando-se espectros que perambularão pela cidade lembrando, entre uma xícara de café e outra, dos “bons tempos”. Que fugir do páreo era justificado por uma camiseta com número, um muro pintado ou um carro de som a mais a passar pela Avenida Rio Branco.

Imprensa e Cidadania

A América (EUA), hoje invejada pelo grau de cidadania, certamente não existiria como tal se não fosse a sua imprensa. Modelo de democracia e de respeito aos direitos civis, faz da liberdade de imprensa o escudo contra as investidas totalitárias e arbitrárias do poder público. Certamente eles aprenderam ao longo de sua história que as pessoas que ocupam cargo público não gostam de se ver servos daqueles que as pagam com tributos pesados. Preferem ser tratados como senhores insubmissos às necessidades da comunidade, acima do bem e do mal. Como humanos, preferem a badalação e a bajulação à incômoda cobrança dos cidadãos. Aliás, ao invés do cidadão, preferem-se os súditos, submissos, calados, feito cordeirinhos adestrados para a morte.
Infelizmente, no Brasil, a imprensa não teve a mesma sina da América. Aqueles, que colonizaram estas terras, simplesmente a expurgou. Com a vinda da família real, há 200 anos, permitiu-se que a imprensa fosse possível na Terra de Santa Cruz. Contudo, claro, ela devia cumprir o sagrado papel de contar as anedotas da corte e de seus asseclas. Com o advento da República, a imprensa começou a dar pequenos avanços. Mas, a cada avanço, não faltaram os golpes de foice bem retratados no período do Estado Novo e da Ditadura Militar.
Felizmente a Constituição de 88 colocou-a no devido lugar ao reconhecer o seu papel na construção da democracia e da cidadania. Vinte anos já se passaram, mas o fantasma da censura ainda ronda e tenta torturá-la como forma de se livrar dos incômodos. Não é à toa que a Justiça brasileira ainda está entre as que mais punem a imprensa no mundo, como indicam dados da ONU.
Felizmente, também, aos poucos as garantias constitucionais do exercício da imprensa vêm sendo reconhecidos pela suprema corte. Como já observou Gilmar Mendes, atual presidente do STF, “a tendência desta Corte é não restringir a liberdade da imprensa”, referindo-se a centenas de ações que tramitam na Justiça contra os meios de comunicação.
Enfim, aos poucos estamos aprendendo que não se pode querer um povo livre e soberano sem que haja imprensa livre e independente. Em suma, não pode haver cidadania sem liberdade de imprensa. Restringi-la é dar comida à voracidade do Estado.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A deterioração da 7ª arte

É incrível perceber a maneira com que certas pessoas lidam com objetos ou estabelecimentos de idade mais avançada e como, também, o processo de renovação parece não surtir efeito ou proporcionar satisfação para os mesmos. Nota-se facilmente que um processo de restauração é louvado pelos mais nostálgicos e saudosistas. Já as cabeças do futuro que não dotam das duas características preferem terminar por destruir, banhados numa espécie de impulso de euforia, tais antiguidades.

Um exemplo aplicável a nossa cidade é o antigo cinema. Reinaugurado duas vezes, se não me engano, não apresentava todas as mais sofisticadas qualidades de uma sala de cinema dos dias de hoje, mas na última reabertura ganhou novo sistema de som e reforma nas cadeiras. Não sei se todos os esforços ou recursos possíveis foram utilizados nas mudanças, porém o local ganhou uma cara nova, uma maquiada para as noites de entretenimento.

Era mais que suficiente para apreciar um bom filme por um preço ínfimo e não havia porque reclamar da demora na entrada em cartaz de grandes lançamentos, porque até lançamentos mundiais ocorreram. Entretanto, determinadas pessoas preferiam praticar atos de vandalismo - ao invés de cuidar de um bem cultural e patrimônio municipal - e aos poucos já não se tinha cadeiras conservadas e aquelas pessoas que gostavam de prestigiar o cinema passaram a ser vítimas daquelas que pouco se importavam com tal diversão e não freqüentavam o local.

O resultado esperado aconteceu, apesar de inúmeras tentativas de manter o funcionamento, este não resistiu. Então, após algum tempo, a iniciativa privada bateu no peito e chamou a responsabilidade para a construção de uma nova sala nos padrões atuais. Climatizada, com poltronas confortáveis e novo projetor. Possuía apenas um pequeno problema: havia certa demora na chegada dos filmes. Algo aceitável pra uma cidade do interior cercada por tantas outras (até maiores) que não possuem sala de cinema.

Agora vai! Foi o que todos pensaram... em vão. Não há depredação, as condições são favoráveis, no entanto, a população em geral continua sem freqüentar as sessões. Não consigo pensar em uma explicação razoável para isso. Acho que o fato de ser cinéfilo me turva a visão para os reais motivos que as outras pessoas possuem para não comparecerem. Até o dia em a situação for, novamente, insustentável e o fechamento das portas for a última saída. Não duvido nada que haverá cara-de-pau suficiente para surgir milhões de reclamações daqueles que não davam as caras.

domingo, 6 de julho de 2008

A censura do poder pelo poder com o poder

“O primeiro sinal, que não é do Apocalipse e nem tem o número 666 da besta, está estampado também nos jornais com toda sua ferocidade...” (A CENSURA DA EUROPA, publicada em 15/06/2008)

Sérgio Barbosa (*)

Existem diversas alternativas para o desenvolvimento da censura neste novo tempo que se chama hoje, porém, a máscara que a mesma utiliza para disfarçar o seu domínio extrapola a nossa “vã filosofia” terrena.
Neste cenário apocalíptico para a humanidade, tendo em vista a predominância do poder em busca do poder para fortalecer um mesmo poder, determina os desencontros neste contexto calado pelas armas da opressão com repressão.
A censura atravessa as barreiras da liberdade para ofuscar as asas livres dos pássaros em busca do sol durante o dia e da lua em noites sem fim, quando a madrugada aparecer para uma simples “boa noite” para os homens de boa vontade.
O universo conspira a favor, porém, pode ser contra, dependendo sempre do microscópio do poder calado pelas vontades da pátria amada e idolatrada, neste caso, também, pelas organizações corporativas do mercado.
O nascimento do homem perambula pelas esquinas de uma província qualquer, destoando entre da ciência comprada um grito silencioso para uma comunidade que marcha em dias comemorativos visando exaltar uma única bandeira ao som da trombeta viciada do poder pelo poder.
Também, a morte ronda o homem provinciano, afinal de contas, para morrer é preciso viver e para viver é preciso morrer de um jeito ou de outro, portanto, se for para o bem da pátria que a morte apareça no colorido da vida.
Deve-se estar atendo as fantasias da censura neste cenário além da província, pois, os encontros nem sempre aparecem por meio de sorrisos amarelos e sim pelas gargalhadas do palhaço da libertação pelas prisões do corredor entristecido pelas muralhas espalhadas numa rodovia de morte.
Para o censor tudo pode acontecer neste emaranhado de dúvidas pela volta do salvador celestial, as amarras serão do espírito celestial, talvez, o triunfo da tríplice aliança com o pai e o filho.
Para a censura deste momento sublime, apenas o ritmo de uma música silenciosa para sufocar os gritos do poder do homem querendo sentir uma falsa liberdade neste contexto singular para determinar a vontade da morte frente à vida.
A tríade deste confronto pode resultar em outras formas desta censura única pela pluralidade da reflexão alada nos paradigmas da criação e pela benção apostólica além da saudação via “pax romana”.
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(*) Jornalista profissional diplomado e professor universitário.