quinta-feira, 4 de março de 2010

Contradições sobre a Academia

No último sábado, a Folha Regional publicou entrevista em que o prefeito Kiko Micheloni falou sobre o assunto que mais inquieta os adamantinenses: os problemas da FAI. Já era tempo de esclarecimentos oficiais, visto que a sociedade e o legislativo discutem o assunto há meses. O jornal sediado em Flórida Paulista saiu na frente.

As palavras do prefeito confirmam o que se comenta há algum tempo, mas não traz esclarecimentos objetivos e não autorizam qualquer expectativa de que os problemas sejam efetivamente resolvidos. A entrevista tende, aliás, a deixar a população mais apreensiva.

Segundo Kiko Micheloni a má situação da autarquia é “preocupante e real”, palavras que contradizem o próprio diretor geral da autarquia Roldão Simione que, há apenas um mês, no jornal Diário do Oeste, afirmou que a faculdade estava nos trilhos e que não havia com o que se preocupar. Não fosse absurdo, seria de se imaginar que, na ocasião, o próprio diretor não estava, digamos, bem informado sobre a real situação da autarquia que administra.

Um dado importante suscitou questionamentos. Se o número de alunos é igual ou maior do que nos anos anteriores, como disse o prefeito, por que a deterioração das contas da autarquia? Como se sabe, anos atrás, com semelhante quantidade de alunos, a FAI conseguia não só pagar suas contas como também acumular (expressivos) recursos financeiros; recursos que, aliás, foram integralmente utilizados pela atual diretoria.

Fala-se bastante sobre a enorme quantidade de bolsas de estudo. Mas a decisão de conceder bolsas integrais a todos os servidores públicos municipais e seus familiares, por exemplo, não foi precedida de detalhado estudo sobre o consequente impacto financeiro? Se não foi, que esperança a população pode ter em relação às medidas que o prefeito disse que serão tomadas? (e que, a bem da verdade, não foram explicadas quais sejam).

O prefeito afirmou que tomará decisões realistas, e não políticas, mas não acena com modificação nos altos cargos, mesmo se mostrando ciente de que possa ter havido “falhas administrativas”. Será que na esfera pública não se observam nem mesmo os fundamentos mais básicos do mundo administrativo?

Eliminação de desperdícios, cortes em benefícios e auxílios, como hospedagem, combustível e alimentação, estudo detalhado sobre a evasão nos cursos, penalidade a professores que faltam em demasia ou se atrasam e que acabam comprometendo a qualidade dos cursos, são medidas de grande impacto e com retorno rápido; cobrança judicial de mensalidades em atraso, revisão na concessão de bolas, assim como responsabilização de administradores, são medidas importantes nesse tipo de situação.

As críticas em relação ao problema não devem ser entendidas como políticas e pejorativas. Todo cidadão de mentalidade sadia torce para que a FAI volte a ter destaque e se torne referência na região. Não se pode querer que a sociedade fique alheia a tais acontecimentos, mesmo porque o sucesso da FAI interessa a cada adamantinense.

Não se pode esquecer também que tanto prefeito quanto diretores de autarquia, não obstante toda capacidade pessoal e mérito de que possam ser detentores, são, no que tange à Administração Municipal e à FAI, meros representantes dessa mesma população.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Por trás das cortinas

Algum desavisado que tome a imprensa local por fomentadora dos debates na cidade pode acreditar que vivemos uma calmaria em Adamantina. Uma passada de olhos pelos nossos jornais chega a dar a impressão de que os problemas do município se resumem a asfalto, trânsito, entulhos em terrenos e uma ou outra “fatalidade” de ocasião.

Adamantina tem cinco jornais, mas quantos têm a coragem de tratar do que é relevante em termos de vida pública, de atuação política? Assuntos inexpressivos, enorme espaço para publicidade, editoriais evasivos são a constante. Na falta de outras futilidades, para preencher espaço, há pouco tempo Adamantina chegou a ser santificada num dos jornais como um “celeiro de novos talentos” e como a cidade da “população mais solidária do Brasil”. Abusa-se da inteligência do leitor. Diante da expressiva verba oficial e das necessidades de comunicação da Academia, não vamos nos surpreender se um dia destes nos depararmos com um editorial com o título “Pra frente, Adamantina!”, ao modo dos piores tempos da ditadura militar.

Não se encontram nos jornais assuntos incômodos sobre o Executivo e a Academia. Isso fica claro no caso da “intervenção branca na FAI”. Há tempo se discute em Adamantina o risco da faculdade vir a ter sérios problemas financeiros. Diminuição no número de alunos, aumento exagerado de bolsas de estudo, elevadas e desnecessárias despesas de hospedagem e locomoção com professores de outras cidades seriam as principais razões. Se as finanças da faculdade vêm se deteriorando vertiginosamente como comenta a opinião pública, a população precisa saber, não só porque se trata de uma autarquia municipal, mas também porque dela a cidade depende. No entanto, nossa imprensa se limita a repassar sumárias e esquivas informações oficiais. Num dos jornais, o assunto foi veiculado por uma minúscula nota em espaço secundário, de forma até constrangedora.

Por que não se discute a (verdadeira) situação da FAI? Em recente problema ocorrido num concurso, que gerou sérias críticas a dirigentes da instituição, uma assessora afirmou que medidas foram tomadas e estavam disponíveis no site. Segundo ela, não cabia à FAI levar tais informações aos jornais. Se as pessoas públicas não prestam contas àqueles que as elegeram, cabe a imprensa desempenhar tal função. Pelo menos é assim que funciona em todas as sociedades do mundo desenvolvido.

Em Adamantina insinuam-se casos de nepotismo, corporativismo e perseguição, assim como não faltam críticas em relação a pretenso descumprimento de jornada de trabalho por parte de médicos nos postos de saúde. A omissão da imprensa colabora para que tais histórias se legitimem, num município em que há seis anos, quem agora está no poder, ganhou a preferência da população defendendo a transparência.

Por que a imprensa não diz, por exemplo, que estando em recuperação, o chefe do executivo despachou em casa durante várias semanas? Por que não se questiona a razão da vice-prefeita não ter espaço na Administração? (continuamos com a antiga prática da perseguição política?) Por que a população não foi informada de que o “deputado estadual da região”, que Adamantina ajudou a eleger com amplo apoio do professorado, votou contra o aumento salarial a todos os professores?

A população adamantinense não sabe o que ocorre por trás dessa cortina de silêncio. Não entende a situação da FAI, as intrigas do poder municipal, as desavenças entre vereadores, que tantas vezes usam a tribuna não para discutir projetos, mas para disputas pessoais.

Raras vezes os jornais assumem uma posição. Quando há algum lampejo questionador, é mais uma manifestação pessoal de quem se sente prejudicado pela Administração do que uma legítima análise em favor do bom andamento das coisas.

Não é de hoje que é assim. A pomposa verba de publicação de atos oficiais do Executivo dita as regras na informação em Adamantina, o que nos leva a acreditar que Millôr Fernandes tenha razão ao dizer que “o dinheiro fala e também manda calar a boca”.

domingo, 15 de novembro de 2009

Os “malditos” e os vassalos

Lucidez analítica e coragem argumentativa não são qualidades que geralmente possam ser atribuídas àqueles que têm se posto na imprensa como observadores do poder. Com exceção de meia dúzia de “malditos” (como são conhecidos os que de fato se expõem na mídia local), raramente lemos ou ouvimos algo que mereça reflexão. Às vezes até mesmo os editoriais chegam a lembrar a clássica redação do aluno da primeira carteira elogiando a professora, tamanha a falta de profundidade das “análises”, a eloquência das palavras e a subserviência em relação a quem manda.

Nas conversas informais não são poucos os que têm solução para os problemas da cidade e os que apontam erros dos antigos e dos atuais administradores, mas poucos são os que se propõem a ir à imprensa discutir com a comunidade. É que a exposição é um ato de coragem, um ônus que poucos se dispõem a pagar. Numa pequena cidade um texto mais incisivo, que mexa com interesses ou critique atitudes, pode gerar históricas rivalidades.

Alguns articulistas escrevem mil trivialidades, enchem os jornais de palavras que jamais serão lidas, em “análises” que se confundem com a própria propaganda oficial. Outros passam o que seriam suas ideias em trocadilhos impossíveis de entender e por meio de gracejos, sem dizer coisa com coisa, menosprezando a inteligência do leitor (e as regras de bom gosto). Na rádio, muitas vezes os entrevistadores usam seus convidados como mera “escada” para dizer o que eles, entrevistadores, desejam, de acordo com o momento que vivem com o poder municipal.

Nesse ambiente pouco animador, repleto de opiniões servis, as manifestações do ex-vereador Hélio Malheiros (DEM) e a participação do professor Mauro Cardin (PR) em recente audiência do orçamento participativo ganham destaque. Cardin ressaltou a postura de representantes da administração municipal nas reuniões com a população, que ele entende estar no plenário apenas como mera espectadora de “sessões de autoelogio”. O filiado do PR chegou a insinuar que a coordenação de tais encontros sequer cumpre o protocolo de bons modos.

Helio Malheiros, em reportagem ao JC, sugeriu a criação de uma ouvidoria na Prefeitura para que “houvesse maior interatividade entre a administração e a população”. A comunidade não se sente presente na Prefeitura. A pífia presença dos cidadãos nas sessões da Câmara, nos conselhos e nas reuniões abertas não mostra outra coisa. Na FAI a situação não é diferente.

Bem sabemos que a crítica causa mal-estar, mas ela é necessária, também porque temos atualmente na cidade uma oposição dispersa, enfraquecida, que sequer tem conseguido resolver suas mazelas. E o que pode haver de mais inconveniente do que um governo que se coloca como absoluto? O que pode haver de pior do que editoriais que colocam a cidade como um Éden cravado na Alta Paulista quando a realidade mostra que isso está longe de ser verdade?

Quem ocupa o poder público não pode estar alheio às “vozes da rua”. Como afirma Foucault, as ideias são tão pragmáticas quanto às ações, porque são elas que levam à ação.

sábado, 26 de setembro de 2009

Madame Lulu

Nesta semana esteve em Adamantina uma cartomante (muito parecida com Luciana Gimenez) cujas previsões políticas lhe renderam o título de maior autoridade brasileira no assunto. Diante de tais atributos (principalmente do primeiro), resolvi procurar a moça para saber as respostas sobre algumas coisas estranhas que andam acontecendo na cidade.

Chegando à elegante residência onde ela estava hospedada, precisei apertar a campainha várias vezes. Depois que o portão eletrônico abriu, apareceu um sujeito afeminado que foi logo perguntando: “Você tem hora marcada com madame Lulu?” Como me mostrei desentendido, ele disse: “É isso mesmo moço, se não tem, cai fora!” Mas uma voz aveludada veio da casa: “Dézinho, deixe o cronista entrar!”

Constrangido, acompanhei o “delicado” rapaz até a sala da famosa vidente. Madame Lulu pediu-me que não me importasse com Dézinho, pois ele estava perturbado com o caso do papagaio. Ela explicou: “Para ficar livre do papagaio do vizinho, que só vivia falando palavrão, Dézinho trancou o bicho no freezer durante três dias”. Quando perguntei se o loro tinha virado picolé, ela respondeu: “Não, quando abrimos o freezer, ele começou a gritar: “Viva a Caiuá!, viva a Caiuá!” Como se vê, a mulher nem bem chegou e já sabe direitinho a piada que rola na cidade...

Quebrado o gelo, Luciana Gimenez, digo, a bela cartomante, pediu que eu cortasse um baralho colorido, escolheu uma carta e disparou: “Eles deveriam saber que no dia da árvore precisariam plantar pés de arruda, comigo-ninguém-pode, espada de São Jorge e outras do gênero, e não patas-de-vaca!” E, apontando uma foto dos plantadores de pata-de-vaca completou: “Do jeito que os oposicionistas populistas estão mandando maus fluidos para essa gente, a escolha dessa espécie foi infeliz...”

Enquanto dizia, Lulu mostrava a foto do Diário do Oeste de terça-feira em que um alcaide, cercado de afetuosos auxiliares, enterrava uma muda. A vidente suspirou, buscou ajuda nos astros e previu: “Com esses olhares ternos das pessoas em volta, logo logo essas mudas virarão duas enormes árvores!” Disse isso visivelmente emocionada (Madame confessou-me depois, quando já estávamos íntimos, que uma das coisas que mais a emocionam é o jeitinho angelical das pessoas quando querem agradar. Ela me olhou profundamente e perguntou: “Você já imaginou como tudo seria diferente se essa também fosse a expressão desta gente ao lidar com os munícipes e com os subordinados?!...)

Percebendo a sabedoria de Lulu, perguntei sobre a candidatura de Cleusa da Pastoral em 2012. Depois de mexer o baralho, Lulu retirou uma carta e sentenciou: “Nem mesmo o depoimento do homem sem cinta, de camisa vermelha e que gosta de falar sobre jacarés vai impedir que a valente petista seja eleita prefeita em 2012”. Sabendo que algumas pessoas não iriam gostar da previsão, a bela desafiou: “Por que os políticos que não concordam com a candidatura da vereadora não fazem uma pesquisa de opinião com o nome dela para prefeita?”

Entusiasmado com as previsões de madame Lulu, comecei a imaginar a cara daqueles que andam dizendo que sou “vidente” no dia em que for realizada a pesquisa de opinião, proposta pela cartomante. Nisso a sensual voz de Lu me despertou de mais esse devaneio: “Você prefere Black Label com tônica ou com soda?” O que aconteceu em seguida eu conto depois... Fui.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Artigos e discriminação em Adamantina

A intensa liberalidade do mundo atual cria a falsa impressão de que os direitos individuais estão garantidos e que qualquer manifestação contrária não ganhará meia dúzia de adeptos. Mas a vigilância sobre o comportamento social se mantém como prática institucionalizada; a defesa do toque de recolher e a proibição de fumantes nos estabelecimentos comprovam a tese.

Em recente artigo um líder religioso escreveu no jornal Diário do Oeste: “O movimento homossexual continua a impulsionar suas ações, confirmando tragicamente a descida cada vez mais intensa para dentro da espiral mortal [...] A Suprema Corte de Iowa anulou a proibição do casamento gay em abril de 2009. É degradante! É o fim de uma civilização exemplar e decente.”

As palavras do religioso lembram os discursos de regimes totalitários, que defendiam uma concepção de sociedade perfeita e de homens perfeitos. Para esse gênero de discurso, qualquer comportamento contrário seria degradante. Anula-se o indivíduo e padroniza-se o pensamento. Se trocar homossexual por judeu, o artigo de Adamantina muito se assemelha à propaganda nazista.

A presente questão não deve centrar-se apenas no debate da homossexualidade, e sim no direito do indivíduo de escolher, por meio da própria racionalidade, o que entende ser melhor para sua vida. O religioso usa a liberdade de expressão para negar a liberdade sexual, ato íntimo e que diz respeito apenas à vida privada. Classificar como trágico e degradante o movimento homossexual é uma opinião que deve ser reservada a si mesmo, e não imposta a todos os adamantinenses que buscam um jornalismo tolerante e pluralista.

Daniele Hervieu-Léger, socióloga francesa, escreveu recentemente que “uma instituição religiosa não pode prescrever aos fiéis práticas e comportamentos que os conduziriam à contravenção das leis”. A figura do líder religioso tem um grande poder mobilizador, ainda mais em cidades interioranas. Suas palavras, muitas vezes, valem mais do que as das autoridades e dos familiares.

Por isso deve haver ponderação em certos assuntos, principalmente os que levam a práticas discriminatórias. O bullying nas escolas, as perseguições, os espancamentos contra homossexuais, são fatos reais que mostram o quanto essa questão deve ser debatida; o quanto esse tipo de preconceito deve ser desestimulado.

Brüno, mais recente filme do comediante Sacha Baron Cohen, ganhador do Globo de Ouro, satiriza o mundo fashion e a percepção da homossexualidade em certos grupos. Numa das cenas mais hilárias, o protagonista se encontra com um pastor que promete fazê-lo heterossexual. Quem assiste ao filme ouve com espanto os conselhos do clérigo americano. Mas as risadas constrangidas da plateia mostram que as absurdas ideias do filme podem estar mais próximas do que se imagina.

domingo, 20 de setembro de 2009

Adamantina, 2057

Sete anos depois do famoso discurso da inauguração do Bloco de Letras Aripuanã, o ex-prefeito e ex-diretor da FAI Professor Doutor Bruno Pinto Soares tem um novo e importante desafio pela frente: foi escolhido pelos colegas imortais da Academia Adamantinense de Letras para conduzir as cerimônias de desterro das propostas do I Fórum de Desenvolvimento de Adamantina, ocorrido em 2007.

Apesar da imensa expectativa na Praça Élio Micheloni, o historiador está sereno. Nem mesmo a longa oração feita minutos atrás por um octogenário ex-vereador famoso por cansativas rezas em cadeia de rádio consegue tirar a concentração do intelectual. E é assim, calmo como um padre franciscano, que Doutor Bruno dá o sinal para que os trabalhos de desterro se iniciem.

Após cavarem o duro chão da praça, seus discípulos encontram a resistente caixinha onde foram guardadas as tais propostas de 50 anos atrás. O octogenário ex-edil propõe nova oração antes da abertura da urna, mas o mestre de cerimônias faz ouvidos moucos e ordena a abertura do recipiente. Aí o bicho pegou pra valer. Explico.

Dentro da caixa, em vez das esperadas propostas de 2007, são encontradas várias carcaças de sapos com a boca costurada. E dentro dessas bocas, o nome de políticos que comandaram a cidade no início do século. O pânico se instala. Algumas pessoas saem em debandada, inclusive o octogenário ex-vereador petista, com sua surrada bíblia debaixo do braço. Mas Doutor Bruno, senhor da situação, dá inicio a mais um memorável e esclarecedor discurso:

“Senhores, acalmem-se, por favor! Saibam que há uma explicação para esses sapos: isso ocorreu porque velhos políticos que se intitulavam oposicionistas (mas que na verdade não passavam de populistas), numa de suas costumeiras trapalhadas trocaram o recipiente das propostas elaboradas no I (e único) Fórum de Desenvolvimento de Adamantina por uma caixa contendo um despacho de macumba encomendado ao saudoso Pai Chico.”

Depois de uma pequena pausa, o historiador puxa o fôlego e retoma seu discurso, ainda para falar sobre a oposição que existiu na cidade entre 2005 e 2012.

“Se alguém foi de fato oposição naquela época, esse alguém se chamou vereadora Cleuza da Pastoral. Ao contrário dos intelectuais e dos trapalhões populistas que pareciam usar os óculos verdes dos jumentos nordestinos (truque usado para fazer os animais acharem que folhas secas eram verdes), a brava petista sempre enxergava tudo o que ocorria na cidade, tanto é que acabou se elegendo prefeita em 2012.”

Continuando seu antológico discurso, Doutor Bruno recorda como nasceu o Rio Ganges de Adamantina: “Em 2012, alguns oposicionistas populistas, ao notarem que não tinham candidato para prefeito, sofreram sérios danos de saúde. Por conta disso, em 2013, a prefeita Cleuza mandou fazer uma lagoa no córrego Tocantins, na altura do Parque dos Pioneiros, e assim criou o Ganges adamantinense. Era bonito ver o ritual purificador de almas que os oposicionistas populistas faziam naquelas águas!”

“Bonito era, mas infelizmente de nada valeu, porque a oposição populista não prosperou. Há historiadores que afirmam que o fiasco se deu por falta de lideranças no grupo, mas a verdade parece estar com os estudiosos que afirmam que a oposição daquela época deu com os burros n’água, digo, não deu certo, porque um militante não suportava o outro.” E calorosos aplausos festejam a lucidez do orador.

“Obrigado, meus amigos, e tenhamos esses sapos apenas como um legado à posteridade da atrapalhada militância oposicionista adamantinense do começo do século!” Mais uma vez acalorados aplausos de uma plateia agora já completamente tranquila e conhecedora dos fatos históricos. “É verdade, depois que o chefe-mor dos oposicionistas populistas saiu do poder, eles perderam totalmente o rumo”, concordou um dos velhinhos que descansavam na generosa sombra da estátua da prefeita de 2013-2016.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Apenas um alerta

A manchete desta edição, “Aumento de portas para alugar assusta adamantinenses”, coloca na pauta o setor imobiliário, principalmente quanto a alugueis e compra e venda de construções residenciais e comerciais na cidade. Trata-se de simples constatação por meio de uma pesquisa cuidadosa, na qual foram percorridas todas as ruas cidade. O objetivo é o de alertar para um quadro que tem sido objeto de preocupação, principalmente entre aqueles que acreditam e investem em Adamantina.

Antes de tudo, não se pode falar em tendência na medida que os índices estão na faixa das oscilações sazonais, ou seja, das variações de mercado, principalmente levando em conta a crise mundial da economia. Adamantina não está isenta, como qualquer outra cidade de seu porte, dos reflexos da crise. Porém, o quadro deve servir de alerta para que isso não venha se transformar numa tendência de mercado.

Cabe ao executivo, legislativo e entidades de classe (ACEA, Sincomercio etc) avaliar, com frieza racional, a situação e tomar as providências necessárias. Neste sentido, destaca-se a missão do Conselho de Desenvolvimento da Cidade, designado pelo Executivo para implementar políticas de desenvolvimento socioeconômico adequadas aos anseios dos munícipes.
Portanto, o objetivo da reportagem é o de estimular respostas acertadas aos desafios que o presente impõe a todos.

Editorial - Jornal da Cidade - 14/09/2009

sábado, 12 de setembro de 2009

Adamantina, 2050

Estamos em 2050. O diretor da FAI, Professor Doutor Bruno Pinto Soares, se prepara para descerrar a placa de inauguração do Bloco de Letras Aripuanã, cujas alas vão receber os nomes de três ilustres educadores adamantinenses: Alfredo Peixoto, Mauro Cardin e Luiz Carlos Galvão. O mestre de cerimônias passa a palavra para o historiador. Emocionado, Bruno Soares, que, a despeito das polêmicas religiosas da juventude, agora é chefe da Pastoral de Comunicação da igreja local, dá início a seu histórico discurso:

“Senhores, antes de qualquer coisa, quero dizer que o nome Aripuanã, com o qual batizamos o novo bloco, tem um especial significado para mim, pois, foi em Rondônia, na Reserva Indígena Aripuanã, que os dois primeiros homenageados encerraram suas brilhantes carreiras acadêmicas. Mas voltemos um pouco no tempo para que todos conheçam a história desses dois mártires da educação.

“Corria o ano de 2012 quando Mauro Cardin e Alfredo Peixoto, desanimados com o resultado das eleições municipais, adquiriram suas motos Harley Davidson, modelo chopper, e caíram na estrada rumo a um projeto pedagógico na Amazônia. O objetivo era ensinar português aos filhos dos cupuaçuzeiros que habitavam as florestas daquela região.

“Diante da distância e dos riscos da viagem, os dois gastaram várias semanas nos preparativos. Depois que ficaram prontas suas vestes de couro, que muito lembravam as de Peter Fonda e Dennis Hopper no lendário filme ‘Sem Destino’, ambos partiram para aquelas que seriam suas últimas aulas.”

Enxugando os olhos, o grande orador e inesquecível ex-prefeito Bruno Soares (gestões 2017-2020 e 2021-2024) se recorda da ciumeira que teve de enfrentar por ocasião do lançamento de sua candidatura em 2016 e explica à plateia que, já em 2009, sua vitória eleitoral houvera sido profetizada pelos dois homenageados. E, com a voz embargada, continua: “Lamentavelmente, meus amigos, ao chegarem à Reserva Aripuanã, em Rondônia, nossos heróis foram capturados por ferozes índios cintalargas.

“Levados à aldeia, ambos foram submetidos a um cruel julgamento pelos pajés da tribo que, assustados com o símbolo de bandeira pirata da jaqueta do professor Alfredo, composto de caveira e ossos cruzados, tiveram a visão de que os educadores adamantinenses seriam a reencarnação de antigos inimigos antropófagos. Os nativos decidiram então resolver a questão ao modo tradicional, ou seja, na base da borbuna (porrete usado para matar garimpeiros) .”

“Essa homenagem é mais do que justa”, observam alguns alunos. “Por que será que esses dois nunca tiveram uma chance?”, perguntam-se uns poucos professores.

Após tomar um gole d’água, Doutor Bruno retoma seu discurso, agora para exaltar o mérito do terceiro homenageado.

“E saibam, meus amigos, que o professor Galvão, apesar de pequenas diferenças no modo de agir, também foi injustiçado. A começar pela perda da direção do partido político que mais amou. Isso aconteceu bem na época em que o grande professor e emérito político lutava por grandes projetos culturais, como a aquisição de livros em hebraico, japonês, latim, coreano e javanês para a biblioteca municipal. Outra coisa, vocês sabiam que a Academia Adamantinense de Letras também foi ideia desse inesquecível educador?

“Pois é, infelizmente, o destino também aprontou com o professor Galvão, que nunca imaginou que ser o primeiro presidente de uma academia de letras como a nossa era um enorme risco para a saúde.

“Agora que todos conhecem a história de nossos homenageados, declaro inaugurado o Bloco de Letras Aripuanã e suas alas Alfredo Peixoto, Mauro Cardin e Luiz Carlos Galvão. Obrigado a todos!” A seguir, Doutor Bruno faz demoradas reverências diante das imagens de santo do recinto e manda benzer as dependências. “O tempo é o senhor da razão!”, murmura o velho padre encarregado da tarefa. “O que disse, Padre?”, indaga o erudito. “Nada, nada...”, responde o quase centenário pároco local já iniciando sua sacra missão.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Uma vergonha...

Quem é que nunca reclamou das constantes quedas de energia em Adamantina. Como diz um leitor: “é só cachorro pensar em urinar no pé do poste que já cai a energia da cidade inteira”. O cidadão que paga corretamente por utilizar os serviços da Caiuá quer ser bem atendido. Imagine se você ficar sem pagar energia elétrica? A Empresa, após os trâmites burocráticos, com certeza, mandar-lhe-á um aviso de corte no fornecimento de energia elétrica.

Quem paga o prejuízo ao cidadão que teve perdas com a interrupção de energia elétrica? E quando há sobrecarga de energia, com queima de equipamentos eletrônicos, além de outros prejuízos? Se o cidadão não tem seguro residencial ou comercial, só será ressarcido no pólo judicial. A questão é sempre a mesma: nem mesmo chove, apenas um início de mudança de tempo já é suficiente para provocar interrupção no fornecimento de energia. Como exemplo, ontem, 07, por volta das 21 horas, houve uma queda abrupta, seguida de retorno da energia. Quantos não estavam trabalhando e foram surpreendidos com perda de textos ou coisa do gênero, além de outros prejuízos?

A Caiuá está em Adamantina desde final dos anos 40. Mas a impressão que se tem é a de que a sua tecnologia é quase a mesma daquele tempo. O pior de tudo é que, como tudo sugere, a Administração Pública e a Câmara quase nada tem feito para exigir da empresa respeito ao consumidor adamantinense. Salvo engano, a situação, quase sempre, acaba sendo relegada a plano secundário. Caso tivessem se empenhado à altura do problema, certamente, a situação seria outra. E, mesmo que tive tido ações para tentar superar este tipo de problema, pelas evidências do presente, foram pífias e ineficazes.

São situações desta natureza que acabam reforçando o sentimento, na população, de que o poder público, além de oneroso, está longe de atender o básico da condição cidadã dela. O que acontece em nossa cidade, relação aos serviços de fornecimento de energia, é uma vergonha que afronta a condição cidadã do adamantinense.

Editorial - Jornal da Cidade - 08/09/2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Manifesto de um cronista

Começo meu manifesto parafraseando La Fontaine. “Críticos e políticos, principalmente os últimos, só dão atenção àquilo que querem ouvir e só acreditam na desgraça quando veem a cara que ela tem”. Mas não pensem os detentores do poder que uso tais palavras para provocá-los. Acontece que as questões a seguir podem ser debatidas por todos, no entanto só os políticos podem resolvê-las. Então é a eles que questionamos:

1) Quando será que os políticos adamantinenses vão entender que é preciso dar algum tipo de incentivo aos empresários que acreditam que a educação pode trazer mudanças positivas para a sociedade e, consequentemente, liberam seus empregados em horário de expediente para as atividades universitárias exigidas pelos cursos da FAI?

2) Quando será que os políticos adamantinenses darão destinação correta ao terreno existente ao lado da Camda, fruto de uma luta de vários anos do saudoso Dr. Cândido Jorge de Lima, deste humilde cronista e do petista João Grandão? Será que no local não daria para construir uma dessas creches modelo que o governo Lula anda distribuindo aos montes, uma vez que a EMEI da Cecap foi edificada ao lado do cemitério, portanto em lugar inadequado?

3) Quando será que os políticos adamantinenses vão entender a necessidade de contratação de enfermeiras para as creches, para ministrar medicamentos e prestar os primeiros socorros às crianças em caso de acidente? Aliás, em agosto de 2008 fizemos essa proposta à Prefeitura e, para resguardar o direito das educadoras das EMEI’s, encaminhamos cópia à Câmara e ao Ministério Público. Se tais justificativas não bastam, que tal lembrarmos a gripe suína?

4) Quando será que os políticos adamantinenses vão perceber que muitas leis municipais precisam ser revistas, pois da forma que estão atrapalham o desenvolvimento do município? Um exemplo é a lei sobre doação de terrenos (áreas comerciais ou industriais), que impede os empresários de fazer financiamentos com o menor juro dos últimos 40 anos. Detalhe, o professor Rogério Buchala está buscando legislação de outras cidades para adequá-la a Adamantina. Essa tarefa não seria de nossos políticos?

5) Quando será que os políticos adamantinenses vão criar coragem para desviar da cidade os caminhões de cargas fétidas que transitam por nossas principais ruas e avenidas? Em tempo: qual será o motivo que impede a Prefeitura de pôr em prática a alternativa (ao anel viário oficial) que meses atrás apresentamos para resolver essa lamentável situação?

6) Quando será que os políticos adamantinenses vão notar que a grande quantidade de imóveis com placas de vende-se ou aluga-se pode ser sinal de que alguma coisa muito ruim está para acontecer na cidade? Seria isso reflexo do aumento desenfreado de loteamentos no município? Ou seriam os primeiros sintomas de que é chegada a hora de dar mais dinamismo à nossa faculdade?

Encerrado o questionamento, agora faço um agradecimento e um apelo. O agradecimento é aos cidadãos que debatem e dão sustentação às minhas humildes considerações, especialmente os radialistas, que não têm medido esforços para propagar o que tenho escrito pelas ondas do rádio. O apelo é para que as forças políticas da cidade entendam que sou apenas um adamantinense que vê maior risco nas pedras menores, já que as maiores podem ser percebidas mais facilmente.