quinta-feira, 26 de junho de 2008

Adamantina: Balanço crítico

Como historiador, aprendi que uma análise para ser fundamentada e ter consistência crítica, é necessário o distanciamento e a reflexão, tão caro nos momentos de comemoração e efusividade, como foram os festejos dos 59 anos de nossa emancipação política. Relembram os ‘pais fundadores’, os títulos conquistados, o progresso de outrora, os políticos importantes que por aqui passaram, as conquistas em âmbito estadual e federal. Toda comemoração tem o seu lado saudosista, daquilo que foi e que poderia ter sido, como se o passado, do Eldorado perdido, tivesse ficado apenas na memória e nos empoeirados álbuns de fotografias das famílias pioneiras. O papel do historiador, e também do cidadão crítico, é criar formas de relacionar o passado com o presente e entender o que significa Adamantina nesses 59 anos. Pense em nossa cidade, compare-a com as que a circundam. A olhos vistos percebemos que o nosso município tem o seu diferencial, que serve como referência para os demais, que é pólo educacional, gerador de empregos, com atividade comercial importante. É óbvio que não devemos nivelar por baixo, mas não podemos esquecer que nossa região não fornece os mecanismos para um boom desenvolvimentista, e que as grandes empresas não irão aqui se instalar. Adamantina segue o seu curso de forma digna, mantendo-se firme apesar de todos os percalços e dos políticos que emperraram seu crescimento. Nossa cidade está entre as mais bem cuidadas da região, com uma administração simples, porém eficiente, e que mantém uma linha de desenvolvimento que, se para alguns não é a ideal, não deixa nada a desejar. Não podemos perder a nossa memória e nem os bons exemplos do passado, todavia devemos saber que a época áurea dos trilhos, do café, do Guarani de Adamantina ficou para trás. No momento que nossos cidadãos e políticos entenderem qual é a nossa vocação na região, que não é mais a do passado, poderemos criar políticas públicas que fujam do megalomaníaco e que assente no ideal. Esqueçam balneários e obras mirabolantes. Foquemos no palpável, nas empresas de médio porte, numa possível Fatec, na ampliação da FAI, no desenvolvimento cultural, na qualificação profissional, nas obras de infra-estrutura. Dessa forma, as gerações futuras, dos próximos 59 anos, terão o que comemorar. E talvez, quem sabe, nós não nos tornemos os novos ‘pais fundadores’, com fotos amareladas nos jornais e nomes em bancos no Parque dos Pioneiros. Esse é o destino dos que fazem a História.

20 comentários:

Cacá Haddad disse...

Fazer a história não é fácil, principalmente quando algumas pessoas insistem em se apegar ao passado... vira e mexe, seres de outros tempos, que deveriam ensinar aos mais novos o bom legado e cair fora, insistem em fazer a sua história. Se continuar assim Adamantina vai virar museu.
Parabéns Bruno. O artigo está ótimo.

Laércio R. disse...

Jovem; Parabéns pela sua ideologia política, é disso que o povo precisa...Você poderia se candidatar e devolver a esperança para esse rebanho.

Anônimo disse...

Parabéns pelo seu artigo! Me responde como o poder público pode investir em empresas de médio porte. Não se pensa em Fatec, e pronto ela está ali. Como consegui-la? Aliás, qual o impacto que a cidade e região sofrerá com a vinda de uma Fatec? Quais obras de infra-estrutura são necessárias? Tem verba para isso? O que ampliar da FAI? E se você sabe a resposta, quando vai contar a eles? Isso tudo é palpável? Se não for é vazio?

Bruno Soares disse...

Primeiramente não entendo pq a pessoa acima não se identifica para que possamos debater justamente. Bem, se prefere esconder-se no anonimato não há problemas tb. O cerne é outro.

O espaço para um artigo jornalístico é curto e as idéias não podem ser colocados em sua complexidade.
A questão da FATEC poder ser pleiteada com o apoio político dos partidos da cidade, encabeçados pelo PSDB. Nossa região carece de um órgão desse nível, e acredito que podemos comportar um empreendimento desse porte. Isso daria à Adamantina um status de polo regional de educação, algo que abriria novas portas para investimentos. É bom salientar que FATEC não iria de encontro com os interesses das faculdades da região, pois os cursos oferecidos não abririam concorrência com os já disponíveis.

A direção da FAI deve conquistar a qualidade dos cursos e não apenas a quantidade como estava sendo feito. A contratação de professores doutores, a parceria com empresas da região para desenvolver projetos em Engenharia Ambiental,Zootecnia, Medicina Veterinária, Cursinhos para a população pobre (usando as disciplinas de licenciatura), são bons projetos. E acima de tudo viáveis. Essas são idéias que devem ser debatidas e amadurecidas.

A infra-estrutura está sendo montada com o Distrito Industrial e poderia ser ampliada com um grande lobby da Amnap para a ferrovia voltar a passar na região. Esse quesito poderia atrair investimentos, pois facilitaria e baratearia o transporte e o escoamento da Nova Alta Paulista, o que almentaria o potencial agricultável, hoje resumido apenas a cana-de-açúcar.

E vc 'anônimo', tem alguma idéia a ser debatida visando o crescimento da cidade? Estamos aqui para isso!

Anônimo disse...

Enquanto anônimo não escrevi ofensas. Fui responsável. Abri espaço pra vc fala o que não “cabia no texto jornalístico”. Mas não precisa me agradecer. Por favor. Tudo o que você disse são coisas que já estão aí, basta ler os jornais. Como bem disse o cerne é outro, é vontade política. Tenho e to praticando agora. Tenho questões e vc meu jovem me parece ter as respostas. Pude ver que você tem bastante vontade, idealismo e esperança. Parabéns.
Mas como subtrair o ego na hora de criar a união e a vontade política?
Não precisa me responder agora, estamos nos tempos das guerras partidárias, dos ódios do ego, dos agradecimentos, dos enaltecimentos. Continuo anônimo e o serei enquanto o ego falar mais alto aqui.

junior disse...

Vocês pretendem imprimir os textos do blog e depois enterrar na praça?
Aquele ritual: flores da funerária, uma bela caixinha de marfin, quatro trompetistas da banda marcial e a idéia de que salvou a cidade?

Anônimo disse...

ótimo bruno parabéns

Anônimo disse...

menininho inteligente descobril a polvora só falta fabricar a bomba agora meu amigo vc vive no sítio nebuloso de mentiras só quer um gancho para dar suas aulinhas na fai vc ñao passa de um intereceiro disfarçado de intelectual quer uma melancia para aparecer mais?

Anônimo disse...

Muito bom artigo Bruno,vejo que arranjou amigos anonimos babacas creçam e apareçam

Bruno Soares disse...

O artigo pretende discutir temas relacionados a cidade e seu desenvolvimento. Comentários com ofensas e 'suposições pessoais' não serão respondidos.

Percebo que, como foi frisado, o problema de Adamantina é a desunião e o ego.
Só temos a lamentar.

Aguardaremos os debates dos candidatos e também a viabilidade de suas propostas.

Anônimo disse...

Tá aí o problema. Por isso, que preferi o anonimato.

Não desanime, você está fazendo algo em que acredita.

Parabéns e vá em frente.

Marcos disse...

O anônimo, antes de mais nada você precisa aprender a escrever, descobriu e não descobril, pólvora tem acento, para de falar bobagens fica na sua e vai te catar.

Fabio Ortega disse...

Bruno bom artigo pena que isso traga inveja para alguns

Sebar disse...

nestes casos em pauta, é necessário estar em conexão com as mudanças em nível internacional para trazer o debate para o local, ainda, as teorias existem para proporcionar uma "praxis" além dos muros da acadêmia...
o pontapé inicial está aí, portanto, cada qual sabe como tocar a bola daqui pra frente...

bruno soares disse...

Sérgio,

Já que você citou a academia, como essa instituição pode ser o grande propulsor dessa cidade?

Onde estão os cordenadores? Os projetos? as pesquisas? a interação com a comunidade? a pesquisa de campo?

Sebar disse...

como sempre, os acadêmicos continuam na sua, ou seja, depois do muro da além academia como num olimpo dos deuses, talvez, esperando pelos mortais provincianos...

Chiquinho Toffoli disse...

bruno, parabéns pelo artigo.Não descartaria o balneário, pois hoje o turismo é fonte de progresso também.
É preciso que se alguém tenha crítica ao que foi colocado, o faça com respeito, sem ofensas, como um "anonimo" fez. Vamos debater com classe.

bruno pinto soares disse...

Chico,

Obrigado pelo comentário. Gostaria de debater melhor a questão do balneário, pois acredito que nossa cidade pode desenvolver outros potênciais com o dinheiro empregado.

abraço

Chiquinho Toffoli disse...

O balneário é um antigo sonho da cidade. Os recursos devem vir, principalmente do governo federal. Continuo afirmando que turismo é muito importante.Sei que temos outras prioridades, mas também não podemos esperar que resolvamos todos os problemas que existem e não são poucos, para poder investir em outros setores, acho que nunca chegaríamos lá.

Anônimo disse...

Sugestões engraçadíssimas Bruno. Muito boas as idéias, agora a forma de colocá-las em execução que você não convenceu ninguem e nem convencerá, pois alem de todas essas vontades é necessário operacionalizá-las. Mas com certeza quando lhe oferecerem umas aulinhas na FAI ou um carguinho numa instituição pública para poder mamar os seus ideais mudarão. Parabéns.