sexta-feira, 27 de junho de 2008

Aos senhores aspirantes

Aos “Aspiras”, dedico.


As eleições municipais estão chegando e o assunto em pauta é, sem sombra de dúvidas, a sucessão no Executivo e no Legislativo. Resolvi escrever este artigo para as pessoas que pretendem colocar o seu nome à apreciação pública no próximo ano. Aquilo que mais desejo (assim como milhões de brasileiros) é que os futuros candidatos saibam onde estão colocando seus pés.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política porque se acha popular, porque todos te cumprimentam na rua, porque você é daqueles que aperta as mãos de todos e sabe o nome de seus parentes, mas não sabe o que é ética, por favor, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política porque tem ódio no coração, mágoa e quer apenas se vingar daqueles que hoje ocupam o poder, por misericórdia, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política e é daqueles que, se eleito, escolhe com quem vai conversar na sala de espera de seu gabinete e diz: “esse eu ajudo porque é filho de um amigo e esse não porque eu nem sei quem é”. Pelo amor ao direito de justiça, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política porque é apenas um filhinho de papai, um burguês médio que tem necessidade de status e quer mostrar a todos que é o “bom da boca”, mas não sabe o que é administração pública, pelo amor de Deus, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política para mostrar que o seu grupo é melhor do que qualquer outro, assim Vossa Excelência é o rei ou rainha dos bons princípios, dos valores de pátria, família e Deus, no sol pujante de um amanhã vindouro, mas não sabe dialogar, por favor, não cometa este sacrilégio, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política porque possui apenas ideal, mas não sabe administrar a coisa pública, por compaixão, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você está entrando na política e não tem paciência para agüentar o peso do “mundo” em suas costas, extravasando sua ira, sempre, com um tapa na mesa, por amor ao povo brasileiro, não se candidate.
Caríssimo aspirante a candidato, se você não sabe o que é moral, conduta ética e respeito pelo povo, vive pedindo favores políticos para quem está no poder, como preferências em concursos públicos ou empregos para parentes e amigos, pela memória dos bons políticos que um dia passaram por essa terra, por favor, não se candidate.
Caríssimo aspirante, se você está pensando em se candidatar para prefeito (a) ou vereador (a) e desconhece elementos como a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e o Plano Diretor e acha que administração pública é fazer “oba-oba” com o povo durante a campanha eleitoral, por gentileza, pedimos educadamente, não se candidate.
Enfim, caríssimo aspirante, se você desconhece o Capitulo VII da nossa Constituição que trata dos princípios da administração pública e se encaixa no trecho da música do Legião Urbana – Que país é esse? – (“ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”), mais uma vez, como diria o narrador esportivo Silvio Luiz, “pelo amor dos meus filhinhos”, não se candidate.
Você que não se encaixa em nenhuma das características acima mencionadas, por favor, se candidate.

4 comentários:

Anônimo disse...

É difícil para um homem falar longamente sobre si mesmo sem vaidades,seja mais humilde,você esteve até ontem na atual administração,pondere suas palavras,você não é o dono do mundo,com todos os seus exageros,quem pensa que é Bach, Dostoievski, Coetzee,seja um bom desertor,já que largou seus aliados no meio do caminho,você nada mais é do que um Igor Gouzenko da administração atual

bruno soares disse...

Belo artigo Cacá! Pena que ele é utópico. A política é feita por pessoas e essas tem vícios, vaidades, projetos pessoais.

Não acho que vc se coloca como 'dono do mundo', mas tem uma opinião para defender. E isso eu respeito!
Espero que durante esses quatros anos que virão, deixemos, tanto Eu, quanto Vc, e tantos outros de Adamantina, as palavras de lado e sejamos mais pragmáticos. Daqui um tempo uma nova 'leva' terá que colocar a mão na massa.

Espero que estejamos no caminho certo!

Fabio Ortega disse...

Ótimo artigo Caca

Chiquinho Toffoli disse...

Creio que toda pessoa que está em dia com suas obrigações eleitorais, pode ser candidato. Mesmo estando ela com tudo de errado que o Cacá colocou em seu artigo. Faz parte do jogo político. O que devemos saber fazer é separar o joio do trigo.Quanto ao conhecimento de leis, etc. nem o melhor advogado sabe de tudo. O político infelizmente muito menos. Adgovo a idéia de se fazer uma preparação muito profunda obrigatória para os candidatos que estão nas ruas. Muitos deles, como escreveu o Cacá, são candidatos pela sua popularidade, etc. não sabem direito de suas responsabilidades se forem eleitos. Um abraço a todos que "blogueiam" por aqui.