sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Meninos de Rua

Quando te vi na rua
Abandonado, com pele nua
Pensei comigo
Quanta injustiça
Nesta sua via, amigo

Sem família, sem amparo
Pela vida afora
Esperas em vão, meu caro
Por uma mão amiga
E a sociedade só te explora

Na rua tudo vê
Drogas, bêbados, violência
E nenhuma chance pra você
E lá se foi sua inocência
Esperas criança, espera...

Tão menino, tão adulto
Sem esperança para vencer
Embaixo do viaduto
Passa fome, cheira cola
Enfrenta tudo para viver

Quando dorme escondido
Sonha com castelos encantados
Acorda na realidade
Com seus sonhos acabados
Mas não se dá por vencido

Sociedade maldita
É o que pensas todo dia
Em sua mente aflita
Vai morrendo a esperança
Nasce então a agonia

Come restos de comida
Nos restaurantes e becos
Ninguém te enxerga a ferida
Nos dias de frio seco
Ainda espera a mão amiga

(*) Escrito em 1993, quando o autor tinha 12 anos.

12 comentários:

Jé Theodoro disse...

Quem é o autor?

Everton Santos disse...

Postado por Everton Santos... autor... escrito aos 12 anos...

Mauro Cardin disse...

Parece que você gosta de escrever desde menino. Excelente texto para a idade! Tenho então uma notícia pra te dar: o texto vai te acompanhar até o fim. Rs. Mas não se preocupe, maturidade, leitura e escrita se dão muito bem.
Obrigado pela competente e simpática matéria sobre meu livro no Impacto. Acho também que ela será útil para quem tem escritos em casa e gostaria de publicá-los. Abração.

Anônimo disse...

gostar não é saber

Everton Santos disse...

Mauro, obrigado pelo carinho...

Aos inominados, algumas frases para acalmar o ímpeto.

"A verdadeira inteligência consiste em dar valor a dos outros" (Jean de la Bruyère)

"Ninguém é bastante sábio sozinho" (Plauto)

"Quem mais sabe, mais duvida" (Piccolomini)

"Saber não é prova de gênio"
(Lucas de Clapiers)

"Tudo o que sei é que nada sei" (Sócrates)

"Muito há que alguém disse: ´O sábio sabe que não sabe´"
(Rui Barbosa)

Londrina disse...

Caro Everton Santos
"Meu Deus, o que é que eu faço/ para viver nesse mundo/ se ando limpo, sou malandro/ se ando sujo, sou imundo/ Meu Deus, que mundo velho/ ó, que mundo enganador/ se não falo, sou manhoso/ se falo, sou falador/ se como muito, sou guloso/ se como pouco, sou sovina/
se bato, sou desordeiro/ se apanho, sou mofino." Essa antiga cantiga de roda de capoeira define bem minha situação perante alguns "amigos" de blog, mesmo assim, parabéns pela criatividade, você é ótimo.
abraços

Fabio Ortega disse...

Everton

Parabéns gostei muito, continue assim.

Londrina é o preço da evidencia do sucesso, isso provoca irritação em alguns. Um abraço

Pedro Paulo disse...

Talvez esse espaço venha sendo usado para manchar reputações de alguns integrantes, isso afasta pessoas endereçadas em debater o cotidiano desta cidade. Talvez na nobre intenção de ser feliz, gastamos horas dias meses anos, não vemos um palmo à frente do nariz, ocupados com nossos próprios planos.

Caipira disse...

Cumpadi ocê sabe pur mode de que a Chalitinha gosta do Pink Floyd?
Sei não cumpadi! Pur que?
A Chalitinha gosta do Pink Floyd purque ele é pink, oras....

bruno pinto soares disse...

Grande Everton,

Ótima poesia para acalmar os espíritos mais inquietos.
Apesar de fugir, um pouco, dos artigos, até agora publicados, seu texto serve como reflexão e quebra um período ácido que custava em desaparecer daqui.

Grande abraço

Everton Santos disse...

Bruno, acredito que a inocência do texto realmente foi uma importante ferramenta para acalmar os ânimos... rsrsrs...
No entanto, ao ler a poesia dias atrás... percebi que a linguagem utilizada pode ser interpretativa e serve para "enquadrar" outras personagens do cotidiano... mas, ninguém fez esta leitura...

Um grande abraço a todos e espero que os inominados se acalmem, já que de nada vale saber sem prazer!

Cintia Scoriza disse...

Everton,com certeza este poema pode ser interpretativo e muitas pessoas se enquadram no contexto, de ambos os lados, em ambos personagens; o dificil é saber qual e admitir o qual nos convém.
Belo poema, acredito que na infância escrevemos o real, com fantasias proprias e não pensando em deve vestir as personas.Parabéns já era o começo de um futuro promissor.
ABS