sexta-feira, 22 de agosto de 2008

The book is on the table

Alla mia nonna Idalina che non capisce inglese, solo l’italiano, dedico.
Pensei muito antes de escrever este artigo, afinal, não quero dar a impressão de ser um “crica”. No entanto, quando se trata da cultura brasileira, sinto que devo tomar uma posição do tipo Policarpo Quaresma, nacionalista extremo. A minha guerra é contra o vasto vocabulário da língua inglesa, que enfeita (realmente enfeita, pois muitas pessoas não sabem o significado de tais palavras) desde portas de banheiros (W.C.) até um dos programas de maior audiência da televisão brasileira (Big Brother).
Darei alguns exemplos das minhas últimas experiências com a língua anglo-saxã. Estava na capital paulista e ao entrar em uma pizzaria deparei-me com uma atrocidade, pois ao abrir o cardápio observei que as pizzas vegetarianas estavam assinaladas com a palavra inglesa “veggie”. Não seria melhor dizer que aquelas pizzas eram “vegetarianas”? Vamos para um segundo exemplo. Em uma ótica, de um “shopping center” de Bauru (não seria melhor centro de compras?), encontrei um grande anúncio com a foto da modelo Ana Hickman. Sob a marca do produto li o seguinte slogan: “eyewear”. Não seria melhor que estivesse escrito “moda dos olhos”? Mas não termina por aí. Ainda no mesmo “centro de compras” encontrei uma loja que estava oferecendo uma promoção de seus produtos. Ao invés de colocar a palavra portuguesa “promoção” o proprietário optou por colocar a palavra “sale”. Na hora de almoçar naquele “centro de compras” deparei-me com um restaurante que exibia a placa “chinese food”. Que tal “comida chinesa”?
Estive nos Estados Unidos e nunca vi um cardápio de restaurante oferecendo “pizza vegetariana”; lojas querendo vender, escrevendo “promoção”; restaurante chinês que oferecesse “comida chinesa”.
Não seria melhor investir na cultura brasileira, em nossa língua, que, mesmo trazida pelo colonizador europeu, tornou-se plena de brasilidade, oferecida pela mistura das raças? Por acaso o leitor lembra do último dia do folclore brasileiro? Talvez não! Alguém ainda lembra das lendas do Saci-pererê, da Mula-sem-cabeça, da Iara a mãe d'água? Com certeza lembramos mais das histórias do Halloween.
Este artigo não tem o intuito de condenar a língua inglesa ou a cultura norte-americana, que é de suma importância no mundo globalizado, mas de valorizar a nossa cultura, perdida em alguma carteira de escola. Por que qualquer nevasca nos Estados Unidos tem que ser manchete nos principais telejornais brasileiros? Por que temos que acompanhar as eleições americanas todas as noites, como se os Estados Unidos fossem parte do Brasil? Será que os americanos, todas as noites, em seus telejornais, acompanham os problemas das secas que temos no nordeste? Será que eles acompanham ansiosamente as nossas eleições presidenciais? Em agosto de 2001 fui aos Estados Unidos para fazer um curso de inglês. Chamou-me atenção o número de bandeiras norte-americanas na frente das casas. Passado um mês da minha chegada, as torres gêmeas sofreram o maior atentado terrorista da história mundial. Notei que as bandeiras norte-americanas triplicaram. Pude perceber que o sentimento cultural e patriótico pode sustentar e mudar uma nação. No caso do Brasil, ou respeitamos a nossa cultura, ou, mais uma vez, voltaremos a trocar bugigangas por ouro e pau-brasil.

14 comentários:

Fabio Ortega disse...

Estamos vivendo num mundo onde a globalização está presente em quase tudo. Talvez por isso soframos tão fortes influências de outras culturas em nosso cotidiano e, sendo que a língua inglesa está atrelada atualmente à maior potência político-econômica do mundo. Infelizmente, o Brasil é um país onde o índice de analfabetos e semi-analfabetos é alto, onde a educação é fraca e o investimento na melhoria é pouco, por isso mesmo devemos aprender e ensinar mais a língua portuguesa e quem ataca esse problema merece aplausos.
A um projeto do deputado Aldo Rebelo em defesa e proteção a língua portuguesa, mas não sei como anda a tramitação do mesmo.

No caso do nosso folclore a um esquecimento muito grande hoje dia 22/08 é o dia do folclore, e eu não vi nenhum meio de comunicação lembrar a data. Onde estão nossos costumes lendas, provérbios e manifestações artísticas em geral. Agosto que é o mês do folclore virou o mês da china olímpica. Parabéns Cacá excelente artigo.

Indio Jaragua disse...

Estamos aqui para polemizar e não explicar, ops, parece que estou plagiando alguém, desculpe minha intromissão mais ao ouvir o seu programa, você teceu muitas criticas acidas sobre os intelectuais da cidade, e não é bem por ai, você só tem esse programa porque muito intelectual sal grosso como mesmo diz lutou bravamente contra a corrupção e desmandos em Adamantina.


Não peço seu reconhecimento nem nada parecido.


Quanto ao artigo muito bem construído, buscou uma temática justamente para debater com intelectuais. O estrangeirismo existe há muito tempo na língua portuguesa, muitos trabalhos acadêmicos focam esse assunto, talvez a cerne do problema esteja em nossos tradutores, O fetiche da cultura alheia, o importante é valorizar nossa pátria, língua e cultura.
Per favore rispettare migliore lê quello intellettuale,buon pomeriggio.

Bruno Pinto Soares disse...

Grande Cacá,

Como sempre, concordo e discordo de vc. Acredito que seja de suma importância promover nossa cultura, símbolos pátrios, língua, personagens históricos. Todavia, não devemos defender um nacionalismo vazio, xenófobo. Essas bandeiras deveriam ter sido sepultadas na década de 1940.

O Brasil é um país multiculturalista. Nossa própria língua não é original. O 'português' sofreu influência de dialetos africanos e indígenas, assim como de imigrantes japoneses, italianos, espanhóis,alemães, em nossa história recente. Dessa forma, não devemos defender uma 'cultura brasileira' pura, pq ela é inexistente.

As trocas culturais e linguísticas fazem parte do processo humano. Incorporar estrangeirismos não é sinal de subserviência cultural e sim de integração em um mundo globalizado e que, necessariamente, estimula esse tipo de troca.

Preservar nossa cultura não significa colocá-la numa redoma de vidro. Não nos esqueçamos que o futebol é inglês, o catolicismo tem raízes judaícas, a capoeira é africana, o cafezinho vem da Arábia e o carnaval é veneziano.

OK?!!! rs

abraço

Indio Jaragua disse...

Bruno o estrangeirismo é nocivo quando faz com que se desconheçam os termos em nossa Língua Portuguesa, pois, causa a desaprendizagem. O estrangeirismo só deveria ser aceito e empregado quando não temos vocábulos próprios correspondentes.
Pior ainda quando ser faz a adaptação para o idioma ou quando se flexiona como se fosse um verbo o termo estrangeiro.
Mas a quem puder informar, qual é a palavra do nosso idioma que se usa em outro país para expressar uma idéia?
Defender nossa língua e costumes não é ser xenófobo e sim patriota.

daniel disse...

Jovem mancebo, chega de exibicionismo. Tua preocupação não é a linguagem, ou qualquer outra bobagem que escreva. Você morou em outros países? Ótimo! Pena que isso não interesse a ninguém! Cuidado que o egocentrismo pode engolir as pessoas.
Daniel Dantas

Anônimo disse...

Daniel não fique com inveja dos meninos seja um bom perdedor.

Runo disse...

Caeca est in propis rabulae sententia causis, caecus et ignorans passu grandiuntur eoden, mel in ore,fel in corde.
Mauro e seu vassalo estão no quarto escuro?

Cacá Haddad disse...

Oi Bruno,

Concordo com você quando diz: "não devemos defender um nacionalismo vazio, xenófobo".
Com certeza, não é esse tipo de postura que proponho com o meu artigo. Países como Itália e Alemanha, por exemplo, deixam-se influenciar a cada dia mais por outras culturas, como a "cultura de massa americana". Por outro lado conservam ainda mais as suas raízes. Isso infelizmente não acontece no Brasil. Não é apenas uma questão de não aceitar outras culturas. Acho que no mundo globalizado em que vivemos, a cada dia, devemos conhecer sempre mais os outros costumes e línguas, mas nunca aceitar o que é do outro em detrimento do meu. No meu artigo eu afirmo: "Este artigo não tem o intuito de condenar a língua inglesa ou a cultura norte-americana, que é de suma importância no mundo globalizado, mas de valorizar a nossa cultura, perdida em alguma carteira de escola". Em outro ponto eu afirmo: "Alguém ainda lembra das lendas do Saci-pererê, da Mula-sem-cabeça, da Iara a mãe d'água? Com certeza lembramos mais das histórias do Halloween".
Por fim gostaria de dizer que já vivi quase um ano nos Estados Unidos, e gosto muito da cultura deles, mas com certeza gosto mais da minha cultura.

Abraços,

Espero Respostas.

Cacá

Runos disse...

Sua antropofobia o leva ser um talambor seja menos venéfico.

bruno pinto soares disse...

Cacá,

Entendo sua postura em relação a preservação de nosso patrimônio cultural. Concordo que nossos costumes, muitas vezes, são preteridos em relação ao europeu ou norte americano. Não tenho dúvida que devemos preservar e, muitas vezes, resgatar nossas raízes. Mas em toda discussão,nesse sentido, aflora-se o sentimento 'brazuca', aquela idéia do cão vira-lata que defende o seu osso.

É estremamente fácil levantar essa bandeira, pintar a cara de verde e amarelo, e dizer que o Saci é mais importante que o Papai Noel. Entretando, acredito que o mundo, no âmbito cultural, está muito mais permeável, e só temos a ganhar com isso. Há exageros, é claro. Mas não podemos nos tornar a 'Polícia Nacionalista', proibindo esse ou aquele verbete ou comemoração.

Deve-se ensinar e priorizar a cultura e os costumes brasileiros, mas de forma alguma acreditar que algumas leis nos tornarão mais patrióticos.

Essa é minha opinião.

abraço

Cacá Haddad disse...

Oi Bruno,

Desculpe a demora. Correria aqui em Bauru.
Gostaria de dizer que sou um nacionalista sim, mas não um xenófobo.
Não estou levantando uma simples bandeira, estou levantando a bandeira do nosso país, da nossa cultura, das nossas raízes.
Em nenhum momento eu disse que o saci é mais importante que o papai noel. Cada cultura com os seus valores. Você disse: "não podemos nos tornar a 'Polícia Nacionalista', proibindo esse ou aquele verbete ou comemoração".
Quem sou eu para proibir papai noel ou festa das bruxas, meu caro protejido do Ruivo Ering, rsrsrsrsrsrrss.
Também acho que nenhuma lei irá mudar as influências culturais.
Acredito que a educação fará o brasileiro crescer dentro da sua cultura. Enquanto não houver educação de verdade neste país continuaremos o nosso louvor ao vermelho da roupa do papai-noel: um golpe de marketing da coca-cola. Você sabia?
Assim acredito.

Abraços,

Cacá

bruno pinto soares disse...

Claro que sabia!!! rs

abraço

ieda disse...

Oi,Cacá.
Seu artigo,embora aborde um tema já há muito discutido, ainda é pertinente.Interessa-me em particular,já que trata-se do idioma que eu "tento" ensinar.Pois bem,eu concordo que não devemos abusar do uso de termos da língua inglesa se temos termos apropriados em nossa língua.Acho exagero por exemplo chamar a balsa de ferry boat,mas penso que o uso da palavra design é perfeitamente justificável.
Mas sabe o que me irrita mesmo?Ver dois brasileiros falando inglês em plena avenida Rio Branco,sem a menor necessidade....esnobismo puro e simples!
Amo a língua inglesa,mas adoro minha língua mátria!!
Aliás,:se fosse italiano faria alguma diferença?Sua opinião seria a mesma?? rsrs.Liga não,provocação barata mesmo.
Um abraço e parabéns a todos vcs pela inciativa.

Cacá Haddad disse...

Oi Ieda,

Que bom receber seus comentários. Assim como você, concordo que determinados exageros não ficam legal e que determinados termos fiquem bem. Quando minha mãe estudava, a língua da moda era o francês, por isso tanta influência como limousine, garçom ou abajour. Hoje a moda é o inglês com o freezer, o "cheese (X) salada" e tantos outros termos que ora ajudam e ora atrapalham a nossa língua (como ferry boat). Uma coisa é certa: eu também não aturo duas pessoas falando inglês em plena Avenida Rio Branco.
A minha critíca vale para todas as linguas, inclusive para a pizza e o pomodoro italiano.

bjs,

Cacá