segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O jornalismo está falindo!

O quarto poder perdeu sua capacidade de formação de consciência cidadã no Brasil. O novo contexto político está atando as mãos daqueles que deveriam ser, em sua essência, os intermediários entre os anseios da sociedade e os atos do poder público em todas as suas esferas.

As leis estão protegendo os criminosos e regulamentando a própria desmoralização do Estado, que deveria ser uma instituição impessoal e mantenedora da ordem e da ética.
Onde está o câncer que corrompe a sociedade? Na moral que imputa valores às decisões interpessoais ou na ética que agrega todas as decisões morais de um povo?

Freud deve estar dando piruetas em seu túmulo. Perdemos a noção de todos os conceitos humanos. Não sabemos mais distinguir o corretamente aceitável do legalmente correto. Bom senso e atentado violento ao pudor moral se misturaram homogeneamente.

Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis em um momento que a veiculação e publicação de denúncias não ultrapassam as mesas redondas das CPI´s. Aliás, passam do debate para a gaveta. Quem não se lembra do famoso Procurador, digo, “Engavetador Geral da República”?

O jornalismo está falindo!

O Boris Casoy foi calado e, agora, o Jabor está sendo processado. Isso para não citar os milhões de jornalistas despedidos diariamente no país por conta do famoso “voto do cabresto”, ou seria “conduta do cabresto”?

O jornalismo não mais atende às necessidades a ele imputadas, bem como as instituições públicas de investigação, punição e proteção do cidadão.
Não cabe a nós, pseudo formadores de opinião, sugerir saídas para a “baderna organizada”; até porque nossa voz não passa de uma simples musiqueta de ninar.

Talvez a “Teoria do Caos”, que apregoa a ordem em plena desordem, se incumba de anunciar a bonança. Caso contrário, continuaremos inseridos em um cenário em que os que lêem jornais continuarão não decidindo as eleições, mas sim os que limpam a b... com eles.

Léo Pereira
Jornalista Profissional Diplomado, Professor e Diretor Artístico da Rádio Nova 89 FM de Adamantina.

14 comentários:

lucas lima disse...

Quando você defende isso ou aquilo você engaveta o que não te importa, não adianta. Você é um jornalista que luta pelo bem comum ou está olhando pro próprio umbigo?
Você jornalista professor e diretor artístico.
Na rádio tem algum programa voltado pra cultura?
Se tem, parabéns.
Se não tem, pq não? Não dá lucro? Dinheiro? etc...
Você é um criminoso tb. Tem uma mídia nas mãos e não desenvolve. Se educação e cultura forma uma sociedade melhor, porque engaveta projetos? Porque escolhe o que dá dinheiro?

Sebar disse...

Entendo que, debater se a mídia tem este poder de manipulação ou persuasão, devemos nos pautar pela contextualizaçãdo da História da Imprensa no País do faz de conta, ou seja, quando D.JOÃO VI aportou por estes lados fugindo de Napoelão, o tal Bonaparte que estava prestes a invadir outra colônia, além do BB, Casa da Moeda e abertura dos portos as nações amigas (sic), fundou a tal IMPRENSA OFICIAL, portanto, pra entender melhor isto e mais aquilo, o livro "CHATÔ, O REI DO BRASIL" pode ajudar a entender melhor este tal QUARTO PODER...
sebar

Fabio Ortega disse...

Concordo plenamente com você Léu. É a revolução da palavra ou revolução da informação, na verdade a imprensa esta sendo manipulada, reeditada, reformulada.

Os conceitos estão sendo misturados, todos maquiados com um verniz de liberdade informativa, mas que ameaça ao conhecimento concordante e inclusivo e a compreensão mútua.

Bruno Pinto Soares disse...

A questão da mídia é controversa e tem que ser analisada com ponderação. Todos os projetos que envolvem humanos estão fadados a parcialidade. Pessoas defendem idéias, visões de mundo, grupos organizados. O problema da mídia é que seus idealizadores querem criar a falsa impressão de que são livres!! Bem, rádio, jornais impressos, televisão, vivem de concessões e de propaganda. Como fazer matérias que vão de encontro com interesses de patrocinadores?
Analisem a questão do MST. A grande mídia não os vê como problema social e sim como caso de polícia.

Vejamos nossa cidade. O Programa Cultura Livre entrevistou donos de rádio e jornais de Adamantina. Todos disseram que é impossível dizer o que pensam, apurar todos os fatos com imparcialidade.
E nós? como ficamos?

Acredito que o mídia virtual, como é o caso desse Blog, pode se tornar um espaço de livre circulação de idéias, pois não está preso com nenhum grupo e nenhum segmento político.

Mas, é claro, os artigos são assinados e todos sabem onde o calo aperta.

ps: Leiam o JC dessa semana, pois há uma denuncia em relação ao cerceamento da liberdade de imprensa em nossa cidade.

Je Theodoro disse...

A realidade esta ai para quem quiser ver, qual jornal denunciaria irregularidades cometidas por seus colaboradores ou patrocinadores, ou mesmo por seus proprietarios, para não citar nosso querido e já falecido ACM, que era dono direta ou indiretamente de 90% dos meios de comunicação do estado que dominava, dominio que agora é exercido por seus sucessores, vivemos a ditadura informativa, a sucessora da ditadura militar, a verdade dos fatos nos é negada (pela midia de massa), caso muito bem exemplificado pelo Bruno, o caso do MST, que esta semana recorreu a ONU para denunciar a "marginalização" dos movimentos sociais no Brasil, marginalização essa encabeçada por quem!?! Por quem saira prejudicado pela reforma agraria, e por ai vai.

Everton Santos disse...

Bom... tenho uma visão diferente. Denunciamos sim... basta ler o Diário do Oeste e Jornal da Cidade. Lembram-se das denúncias feitas pela Veja? Ledo engano se acham que o jornalismo está falindo. Talvez esteja enfrentando um momento de reestruturação, de normatização, de regulamentação, mas não falindo. Agora, gostaria de saber o quê as emissoras de rádio de Adamantina/Lucélia têm denunciado? O que ouço na programação destas emissoras é uma releitura dos jornais e "puxa-saquismos" aqui e acolá... o Jornalismo é maior do quê todos nós... vamos parar de hipocrisia!

Je Theodoro disse...

Everton, "VEJA", com capas como Dolares de Cuba, PTbulls, a VEJA é um atentado a democracia brasileira, aquele jornaleco de direita é aquilo que Marx chamaria de "a mão invisivel do capitalismo", só q nesse caso é bem visivel, a revista VEJA é o maior e mais claro exemplo disso q nomearam de "falencia do jornalismo", idéia q não concordo, hoje (e ontem tb) temos a grande fonte de informações q é a internet, ai vão algumas fontes de ótimos jornais e revistas virtuais www.brasildefato.com.br www.adital.com.br www.cartacapital.com.br. Procurem tb o overmundo, www.overmundo.com.br, um banco de informações riquissimo, com pouquissimos membros da nossa região, abraço!

Everton Santos disse...

Obrigado Jé Theodoro! Realmente fui infeliz em citar a Veja. Abraços.

bruno pinto soares disse...

Acredito que a revista Veja, assim como alguns jornais e rádios de nossa cidade e região, defendem a visão de mundo do grupo que mantêm esses meios de comunicação.
Tanto a Veja como a Carta Capital, não fazem uma análise totalmente imparcial dos fatos, afinal sobrevivem de anunciantes. É interessante os estudos de Perseu Abramo nesse sentido. Recomendo a todos.

No entando, temos que ter discernimento dos fatos e saber analisar as reportagens. Se alguns acreditam que a mídia está falida, talvez esse fato seja um reflexo da sociedade que consome aquela informação. Os meio de comunicação são o espelho comunidade.

Quando vcs analisam os jornais e as rádios de Adamantina, que imagem vcs encontram refletida? (Isso não é uma crítica e sim uma indagação).

Espero que esse blog se torne um espaço independente de discussões em nossa cidade. Acredito que isso seja possível.

PS: Acessem - www.observatoriodaimprensa.com.br

Mateus Tiveron da Costa disse...

Analisar um meio de comunicação específico, como todos os que foram citados, acaba virando "balaio de gato". Cada um tem a sua tendência e parcialidade.
Não desprezando as denúncias que podem haver na imprensa local, o 4º poder, numa visão geral, transformou-se em um cinema da vida real, com produções hollywoodianas, salvem as devidas proporções.
Sempre surgindo novos lançamentos e o plúbico esperando mais uma nova grande produção! Sem querer cair no clichê, todo mundo espera uma nova Isabela Nardoni e outro Roberto Jeferson. Mas ninguém nunca se lembra do caseiro do Palocci.
É sempre mesmice... mas é mesmice pq sempre acontece!

Rubens Galdino da Silva disse...

Dizer que o jornalismo est� falido, acho meio complicado. Entend que estmaos tentando fazer a hist�ria dele diferente. Aliar interesses comerciais e jornalismo s�rio ainda � uma luta ardua. Apesar disso, h� avan�os. N�o se pode negar. Em cidade pequena como a nossa, a situa�o � ainda mais complicada. Mas tamb�m n�o se pode negar que h� esfor�os para contribuir com a constru�o a cidadania. Esse espa�o � um exemplo. Estamos fazendo comunica�o e temos tido oportunidade de manifestar nossas opini�es. Abra�os, Rubens

Everton Santos disse...

Grande Mateus!
Primeiro parabéns por mais uma etapa de sua vida...

Bom, quando se analisa um assunto é preciso conhecê-lo.

Concordo com o professor Rubens. O jornalismo está em constante transformação e existem exemplos do bom jornalismo em nossa cidade.

Abraços

Everton Santos disse...

Só pra dirimir dúvidas que possam pairar sobre os comentários acima, as rádios de nossa cidade/região não produzem denúncias, apenas reproduzem as feitas pela mídia impressa/eletrônica, mesmo que amenizando os fatos narrados... Quem quiser comprovar, basta ir a uma das emissoras na hora do noticiário e conferir!

Mauro Cardin disse...

Eu queria ficar fora desse debate, mas não posso deixar de dizer que concordo com o Everton. Apesar de tudo, a imprensa escrita da cidade, por alguns de seus órgãos e até por alguns de seus funcionários (inclusive o Everton), têm dado aqui e ali bons exemplos de independência. É preciso dizer também que as rádios de Lucélia não me negaram o microfone quando precisei denunciar um (grave) caso de perseguição política (eu seria injusto se não dissesse isso). Abração ao Everton e ao Leo.