segunda-feira, 7 de julho de 2008

A deterioração da 7ª arte

É incrível perceber a maneira com que certas pessoas lidam com objetos ou estabelecimentos de idade mais avançada e como, também, o processo de renovação parece não surtir efeito ou proporcionar satisfação para os mesmos. Nota-se facilmente que um processo de restauração é louvado pelos mais nostálgicos e saudosistas. Já as cabeças do futuro que não dotam das duas características preferem terminar por destruir, banhados numa espécie de impulso de euforia, tais antiguidades.

Um exemplo aplicável a nossa cidade é o antigo cinema. Reinaugurado duas vezes, se não me engano, não apresentava todas as mais sofisticadas qualidades de uma sala de cinema dos dias de hoje, mas na última reabertura ganhou novo sistema de som e reforma nas cadeiras. Não sei se todos os esforços ou recursos possíveis foram utilizados nas mudanças, porém o local ganhou uma cara nova, uma maquiada para as noites de entretenimento.

Era mais que suficiente para apreciar um bom filme por um preço ínfimo e não havia porque reclamar da demora na entrada em cartaz de grandes lançamentos, porque até lançamentos mundiais ocorreram. Entretanto, determinadas pessoas preferiam praticar atos de vandalismo - ao invés de cuidar de um bem cultural e patrimônio municipal - e aos poucos já não se tinha cadeiras conservadas e aquelas pessoas que gostavam de prestigiar o cinema passaram a ser vítimas daquelas que pouco se importavam com tal diversão e não freqüentavam o local.

O resultado esperado aconteceu, apesar de inúmeras tentativas de manter o funcionamento, este não resistiu. Então, após algum tempo, a iniciativa privada bateu no peito e chamou a responsabilidade para a construção de uma nova sala nos padrões atuais. Climatizada, com poltronas confortáveis e novo projetor. Possuía apenas um pequeno problema: havia certa demora na chegada dos filmes. Algo aceitável pra uma cidade do interior cercada por tantas outras (até maiores) que não possuem sala de cinema.

Agora vai! Foi o que todos pensaram... em vão. Não há depredação, as condições são favoráveis, no entanto, a população em geral continua sem freqüentar as sessões. Não consigo pensar em uma explicação razoável para isso. Acho que o fato de ser cinéfilo me turva a visão para os reais motivos que as outras pessoas possuem para não comparecerem. Até o dia em a situação for, novamente, insustentável e o fechamento das portas for a última saída. Não duvido nada que haverá cara-de-pau suficiente para surgir milhões de reclamações daqueles que não davam as caras.

6 comentários:

bruno soares disse...

Mateus,

Não compreendo o que ocorre em relação a sétima arte. Todavia, esse fato não é singular a nossa cidade. A pirataria, a internet e 'outros interesses' esvaziam as salas de cinema e preocupam os que entendem a importância da cinematografia.

O governo do Estado de São Paulo elaborou um belo projeto de incentivo ao cinema, distribuindo ingressos nas escolas públicas. Adamantina faz parte desse projeto e devemos sublinhar o empenho da secretaria da cultura nesse quesito. Mas isso é atacar apenas uma parte do problema não é?

Acho interessante o projeto do Senador Cristovão Buarque que pretende instituir a obrigatoriedade de sessões semanais de filmes brasileiros nas escolas. Precisamos ressuscitar esse velho hábito.

Agora eu pergunto, o que podemos fazer pela nossa cidade em relação a isso?

ótimo texto.

abraço

Sebar disse...

MATEUS: concordo com suas palavras, ainda, assumo a minha parcela de culpa neste contexto, pois, sempre estou comentando aqui e ali que preciso ir ao cinema e acabo deixando de lado por causa disto ou daquilo...

Fabio Ortega disse...

Concordo Sebar Tenho minha parcela de culpa, devemos freqüentar mais o cinema. Bruno sou contra o projeto do senador citado, Cultura não se obriga se educa. Um abraço

Chiquinho Toffoli disse...

Valeu Mateus pelo artigo. Cinema sempre me fascinou. Quando presidente da Associação dos Amigos da Cultura que cuidava do "Cine Santo Antônio" dei o máximo de mim e as pessoas que nos ajudavam na época também, para mante-lo.Hoje,creio que fico com os que tem uma parcela de culpa,pois de tanto me dedicar ao cinema, não tenho mais frequentado o bem montado cinema de nossa terra. Quanto aos comentários referente ao projeto do Senador Cristovam Buarque, fico um pouco com a opinião do Bruno e do Fabio Ortega. É preciso analisa-lo melhor. Mas não vamos deixar o nosso cinema morrer. Ok?

Jé Theodoro disse...

Mateus eu acredito muito em um evento ainda não comprovado ciêntificamente, o chamado "movimento histórico" a sociedade é mutante, novas idéias vão se construindo e consequentemente o mundo vai mudando, já que o mundo é aquilo que os homens querem. HOJE, os homens não querem mais o cinema, eles querem o espetaculo, o show, querem estar entre os outros, infelizmente isso não acontece em Adamantina, eu enquanto apaixonado pela 7ª arte (talvez não tanto quanto vc..rs) lamento por Adamantina, mas não pela arte, por que está só cresce, e tudo que eu enquanto cinéfilo, posso fazer é me deleitar egoistamente...abraços...parabéns pelo texto.

Jé Theodoro disse...

Mais uma coisa Mateus...me lembro bem de quando trabalhava como estagiario na diretoria de cultura de Adamantina, durante o periodo Caca, que uma forte e bem sucedida campanha em resgate do teatro aconteceu em Adamantina...veja bem...do teatro...se uma campanha semelhante fosse feita em nome do cinema, provavelmente os efeitos seriam os mesmos...abraço!