quinta-feira, 24 de julho de 2008

Direita, Esquerda e os Ambidestros Políticos.

Recentemente, em algumas conversas informais pela cidade, dois figurões da política local levantaram a questão sobre a Esquerda e a Direita em Adamantina. Um deles tentava dar identidade a certos arranjos casuísticos e politiqueiros, outro, relembrava a própria trajetória pessoal e lamentava a alcunha de conservador que jogaram em suas costas. Como historiador, não pude deixar de relembrar os grandes embates revolucionários na França pós-1789, quando a terminologia Direita e Esquerda entrou no vocabulário político do Ocidente. O interessante, e isso não é particularidade de nossa cidade, é que a divisão ideológica está longe de permear as discussões em relação às políticas públicas e poucos levam para seu palanque esse tipo de debate. Direita e Esquerda, atualmente, salvo raras exceções, são objetos de livros de história. A falta de identidade política que há no Brasil acentua-se em cidades menores, e Adamantina não é exceção, na qual, acima de tudo, discutem-se pessoas e não projetos. Partidos criados de última hora por esse ou aquele grupo, coligações questionáveis e ‘donos de partido’ que tiram a legenda de potenciais candidatos para satisfazer interesses próprios são alguns casos emblemáticos que ocorreram nos últimos meses. Até mesmo o Democratas, cria da antiga Arena, partido que deu sustentação ao Regime Militar, tentou coligar-se com o Partido dos Trabalhadores, símbolo do ‘esquerdismo’ nacional. Esse fato, mesmo que pitoresco na visão de algum analista político, demonstra que, mesmo em partidos historicamente díspares, em Adamantina, há mais confluências do que divergências. Muitos de seus filiados não têm raízes históricas com esse ou aquele grupo político e, às vezes, os projetos para a cidade caminham no mesmo rumo, independente de agremiações. Onde fica o eleitor nessa questão? Não há preocupação em relação a isso, pois não temos uma sociedade politizada. Temos os candidatos de grupo: os evangélicos, os católicos, o representante do bairro X, o indicado da empresa Y, o amarrado com o sindicato W. Essa questão chegou ao extremo, quando um pré-candidato tentou construir sua base dentro das Igrejas da cidade, esquecendo que Adamantina não é formada apenas de católicos e que a diversidade religiosa é um dos grandes pilares de nossa democracia. Em nenhum momento houve projeto para a cidade ou alguma estratégia de desenvolvimento e crescimento sustentável. Por um cargo ou uma indicação, todos viram ambidestros políticos, usando a casaca que convém à ocasião e deixando transparecer, sem nenhum pudor, que ideologia é bandeira de quem não entende nada de política e quem ocupa o poder, muitas vezes, são aqueles que se comportam como verdadeiros camaleões.

23 comentários:

Henrique Toffoli disse...

Pois é meu caro Bruno.
Não acredito existir ideologia partidaria em cidade pequena como a nossa.
Aliás.. nacionalmente também hoje é mto dificil dizer que ainda existe.

Talvez o PSOL com a ideologia de ser "do contra"! hahaha

Je Theodoro disse...

Você foi muito feliz nas suas colocações Bruno, essa é mais uma caracteristica da política nacional, desde a abertura política pós-arena não existe mais direita ou esquerda, não existem ideologias e sim interesses, prova maior disso é o fato narrado pelo Cacá no texto "Entre tapas e beijos".

Mauro Cardin disse...

Você escreve muito bem.

Anônimo disse...

Caro Bruno,
Nada como um empreguinho de diretor na prefeitura, ou então umas aulinhas na FAI para mudar a ideologia de alguns líderes. Você viu a entrevista do presidente do PT no Impacto? É, ele já foi secretário de esportes e o cargo continua vago. hahahaha

Fabio Ortega disse...

Abordou um assunto interessante, a falta de projetos para cidade, quem fugir desse assunto demonstra que só tem interesse pessoal. Agora de direita ou esquerda essa ideologia eu concordo com Karl Marx “A ideologia pode ser considerada um instrumento de dominação que age através do convencimento (e não de força) de forma prescritiva, alienando a consciência humana e mascarando a realidade” Parabéns pelo artigo.

Igor Pedrini disse...

Se um ou outro político fosse carro, seria vendido assim:

Político, modelo 2008,total flex. Preservando a própria natureza.

há braços e risos.

Lucas Lima disse...

Quanto mais impessoal a obra de um homem, mais ela se aproximará da luz da verdade, quanto mais pessoal, mais restritiva, limitada e sujeita a equívocos. Se a gente não tiver muita vigilância, acaba se convencendo que é o tal, o tal do bobo que realmente somos. A minha única intenção nestas linhas Bruno é a de abraçar os companheiros que nelas me reconhecerem

Igor Pedrini disse...

Para os que reconhecerem, o abraço deve ser intenso, por isso, Clarice Lispector: "É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o
bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo".

há braços e kkkkk

Bruno Pinto Soares disse...

Igor Pedrini,

Precisavamos de pérolas como essa para melhorar nosso blog.

Estamos, mais ou menos, um mês nessa empreitada e boas discussões já saíram por aqui.

Agradar a todos seria muita pretensão, contudo é sempre interessante esse tipo de comentário anônimo. Isso mostra, claramente, o grau de consciência política de nossa cidade. Poucos querem agregar e discutir...

A Ágora está sempre aberta!

Anônimo disse...

Uma coisa � certa:
Se no presente a pol�tica est� incerta, no futuro tudo florescer�.

Bruno pinto, Henrique toffoli, F�bio Ortega, Igor Pedrini, Cac� Haddad, Everton Santos - Jovens adultos com grande pot�ncial para reinventar a pol�tica local.

�gora � esperan�a de um futuro melhor, certo e duradourou.
Palavras desajustadas?
Voc�s sabem o pot�ncia que s�o, aglutinando intelig�ncia para florescer na primavera.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Cacá Haddad disse...

Sabádo: Entrevista com SABIÁ na Rádio Cultura 99,3 FM. Novo quadro: leitura dos melhores comentários do blog.

Fabio Ortega disse...

A entrevista com o Sabiá é ao meio dia para quem não sabe um abraço

Chiquinho Toffoli disse...

É isso Bruno. Seu artigo tem tudo a ver. Quero dizer ao "anonimo",que o presidente do PT que concedeu entrevista ao Impacto, pertence a uma das mais conceituadas famílias da cidade. Uma das pioneiras.É uma pessoa resolvida financeira, familiar e economicamente. Em hipótese alguma aceitaria qualquer cargo por acordo político como vc insinuou. A luta dele é pela cidade onde nasceu e criou sua família.Quanto aos "jovens adultos" que estão escrevendo e participando deste blog e da vida pública local,só temos a agradece-los. É uma nova geração. Precisamos e muito de renovar as nossas instituições. Aqui eles mostram suas opiniões e a cara.

Francis_DF disse...

quem é sabiá?
posso ouvir pela internet?

Cacá Haddad disse...

Caro Francis,

Sabiá é um radilaista de Adamantina. Você pode ouvir pela net no site da rádio www.culturafm.fm.br
Fábio: obrigado por lembrar o horário.
Cultura Livre: 99,3 FM, entrevista com o radialista Sabiá, 12:00 hs

Mauro Cardin disse...

Bruno, creia, a direita existe. São aqueles que têm dinheiro. Em conseqüência, existe também a esquerda. Para reconhecer os "conservadores" de direita, repare que quando eles se abraçam são os ventres que se cumprimentam primeiro. Numa pequena cidade, são quase sempre eles que lançam candidatos a prefeito, porque conseguem bancá-los. Ás vezes, perceba, a direita chega a ficar sem saber o que fazer com a multidão de candidatos a vereador que aparece para oferecer "apoio". "O que fazer com tantos 'apoiadores' em busca de material de campanha e de um palanque para subir?", perguntam-se eles, entre uma dose e outra de Red Label (é a melhor marca?).
Com este comentário, que por favor entenda apenas como um esforço de didática, quero dizer que, inobstante todo o nosso desejo de romper com rótulos (venham de onde vierem), eles têm sua razão de ser.
Em vez de se dar uma longa explicação sobre o patrimônio, o grau de desprendimento, a concepção ideológica, etc. do sujeito A e do sujeito B, diz-se apenas que A é de direita e B, de esquerda.
A linguagem tem um princípio de economia, bem sabemos. E é a esse princípio que se devem os rótulos direita e esquerda. Abração. Você sabe que gosto dos seus textos.

Lucas Lima disse...

Suscitar o eterno problema de qualquer sistema político pluralista, onde há sempre quem esteja á direita e que esteja á esquerda, por força do sufrágio popular, bem como que seja de direita, ou seja, de esquerda, por força das convicções, das concepções do mundo e da vida, dos valores, dos princípios das crenças. Mauro seja comedido com o garoto não o insufle com falsos comentários você esta sendo um populista.

Bruno Pinto Soares disse...

Agradeço Mauro, agradeço Lucas.

Vejo que há outras interpretações em relação a essa temática. São outras análises e são importantes para o enriquecimnento das dicussões.

Lucas, percebo que vc poderia colaborar com nosso blog, não só com comentários, mas com textos tb. Seria interessante colocar suas idéias para apreciação de nossos participantes.

Se houver interesse me mande um e-mail. brunubis@yahoo.com.br

abraço

poeta de renome disse...

Lucas Lima é Mauro Cardin?

Cacá Haddad disse...

Eu me acabo com este blog, hshshshshshshshshshshs.

Lucas Lima disse...

Obrigado meu bom garoto, sou de pouca grafia e em um ou vários artigos, dificilmente, eu conseguiria abordar os assuntos sobre os quais ultimamente venho refletindo. Um artigo é como uma carta que endereçamos para alguém: por mais que consigamos dizer, muito ainda fica para ser dito.

nilson disse...

Bruno

Parabéns pela matéria.
Gostaria de responder a uma questão com relação à matéria: Direita, Esquerda e os ambidestros políticos “Um comentário de uma pessoa que se intitula “ANÔNIMO”, não é digno de crédito, mas mesmo assim vou responder a este “ Intelectualóide”.

O Presidente Municipal do PT de Adamantina, Nilson Antonio Citelli, RG 5.720.618, residente a Rua Antonio S. Vilela nº. 539, Professor efetivo, próximo à aposentadoria, como você mesmo disse “JÁ FOI”, secretário de esportes e pelos comentários dos ESPORTISTAS, com muita competência, trabalho e determinação. Nunca viu este cargo como um cabide de emprego e sim como uma maneira de retribuir para a comunidade o quanto ama esta cidade e o muito que ela fez por mim em minha adolescência na área esportiva. Após deixar o cargo continuou tendo esta mesma postura, e o que fizemos nestes últimos anos para ajudar a nossa comunidade é prova disto, sempre nos colocando para pleitear melhorias para a cidade, e nunca nos posicionando contra a busca de melhoria.
Como é triste ver algumas pessoas que tentam imputar nos outros aquilo que realmente são, saia do anonimato e venha para uma discussão olho no olho.
E não esquecendo o cargo vai continuar vago se depender de mim. OK!!

O que também não acho justo, pois existem varias pessoas em nossa comunidade com condições de realizar um belo trabalho, pois os nossos jovens necessitam cada vez mais de atividades salutar que esta secretária pode propiciar. Aproveito para parabenizar o Ademir e o Ronaldo pelo trabalho desenvolvido nesta secretária.

Diego Oliveira disse...

São instigantes as discussões e provocações propostas neste espaço de articulação, creio que este deve ser tomado apenas como um protótipo daquilo que deveria se esternalizar dos limites impostos por esse ambiente.
Bruno, aposto todas as fichas neste trabalho que você propôs para ser realizado junto aos alunos da FAI, se pude entender bem a "proposta"seria um processo de conscientização política, algo extremamente formativo e de grande interesse particular a certas áreas, por exemplo: a sua!Considere e elabore essa proposta e a apresente para que ela seja apreciada, sugiro o professor Fernando Perli, os futuros historiadores demonstram grande propensão a esse ethos articulador!