quinta-feira, 10 de julho de 2008

A falsa relação entre o poder econômico e a política

É lugar comum nas discussões sobre eleições e campanhas para cargos eletivos a super valorização do poder aquisitivo para alçar esse ou aquele grupo ao poder. Muitos afirmam, com conhecimento de causa, que o lado financeiro, diversas vezes, é o fiel da balança na maioria dessas disputas, e que os candidatos com maiores recursos tendem a “conquistar” o eleitorado. Essas considerações poderiam valer para antigas eleições, mas, para hoje, será desculpa de mau perdedor.
As últimas resoluções da justiça eleitoral tentaram atenuar esse problema e nivelaram as campanhas políticas, deixando os candidatos em maior igualdade na busca pelos votos do eleitorado. Restrições a showmícios, brindes, outdoors, colocará em prova a capacidade de retórica e as formas de convencimento de nossos políticos.
Contudo, em Adamantina, muitos se acovardaram diante dessa antiga idéia e preferiram deixar o pleito para os mais bem providos de recursos financeiros. Ora, até quando nossa política se assentará nesse pilar? Muitos acordos não foram consumados devido o problema econômico, deixando a impressão de que pinturas em muros, “santinhos” e churrascos valem mais que programas de governo e afinidades ideológicas.
Esquivar-se da disputa ou fazer acordos de última hora para estar do lado dos privilegiados financeiramente mostra o verdadeiro caráter de muitos de nossos políticos que, críticos costumazes, tornam-se amigos de ocasião, tentando beneficiar-se das possíveis vantagens que essas alianças lhes proporcionarão.
Colocar a culpa da vitória na questão econômica mostra profundo desconhecimento da lei ou falta de vontade de trabalhar, além de tratar o eleitorado como um verdadeiro “analfabeto político”, para citar Bertolt Brecht.
O apagão de idéias e propostas, como também a vaidade de alguns de nossos “articuladores” não serão mais mascaradas com a questão financeira. Ou criam coragem para discutir idéias e participar de debates ou serão relegados ao limbo de nossa história política, tornando-se espectros que perambularão pela cidade lembrando, entre uma xícara de café e outra, dos “bons tempos”. Que fugir do páreo era justificado por uma camiseta com número, um muro pintado ou um carro de som a mais a passar pela Avenida Rio Branco.

10 comentários:

Eduardo Ross disse...

Saudações.

É fato que há, bem verdade, supervalorização do poderio financeiro nas disputas eleitoreiras. Entretanto, de que vive a nossa versão atual do regime greco-americano, a que denominamos "democracia", senão a subordinação a outros interesses econômicos, egocêntricos e pessoais, deixando de lado o pensamento base de um regime projetado do povo para o povo? Para mais delongas, vide o texto "Se os homens fossem tubarões", do autor já citado. Com isso e por isso, resta uma fagulha: estaríamos vivendo uma democracia de mercado?

Mauro Cardin disse...

Em campanha política o dinheiro é fundamental; com a nova lei ou sem ela, e não é para comprar votos ou para fazer grande agitação. Tenho certeza de que você sabe disso. Uma campanha eleitoral é cara mesmo não se contratando banda para comício ou deixando de dar brindes e camisetas. Em Adamantina, uma bem humilde para prefeito não fica menos de R$ 40mil, o que para nós da classe média é muito dinheiro. E não pense que nossos grandes empresários abram as burras a um candidato que não seja um deles ou alguém que, por um motivo ou outro, eles queiram no poder.
Mas, se a oposição (o pessoal que foi desalojado em 2004) não lançou ninguém, não foi exatamente por falta de dinheiro. É que ela própria sente que não valeria a pena. No fundo, esse pessoal sabe que a política da cidade começou de novo em 2004 e que os "grandes nomes" dos oito anos anteriores têm hoje na população consciente uma rejeição, digamos, pra lá de considerável. Seu artigo é bom, parabéns por escrever.

bruno pinto soares disse...

Bem, eu entendo que o Poder econômico seja um forte diferencial em campanhas políticas. Todavia, e isso que afirmo neste texto, há uma supervalorização nesse sentido, que deve ser repensado.

Entendo que o 'grupo dos Oito anos' não se firmou apenas devido ao poder econômico e que também faltaram propostas para dar outro norte nessa eleição.

Contudo,a meu ver, e isso eu gostaria de discutir com Mauro Cardin, que essa visão maniqueísta do grupo de 'antes' com o grupo de 'agora' não frutifica um diálogo pra a cidade. É como se houvesse apenas duas alternativas para Adamamtina. Ou, para usar uma metáfira bíblica, a separação do joio do trigo, como muitos daqui gostam de lembrar.

Isso aqui está parecendo um Western americano, com bandido e mocinho.

Bem, talvez minha inabilidade política não me deixe ver tudo isso claramente...

abraço

Aguardo seus textos e suas idéias.

Henrique Toffoli disse...

Concordo com o Mauro... em campanha política $$$ é fundamental!

Não para "comprar" eleitores, mas tudo envolve custos: desde a gravação dos programas de rádio (que necessita dos profissionais que conhecem do assunto), a produção de material gráfico (pois se deseja ter um material "apresentével" deve ser contratado no mínimo um aspirante à publicitário, ou uma agencia de comunicação)... isso sem contar nas pesquisas, contratação de pessoal para distribuição ... etc etc.. etc...

Como disse Mauro Cardim, uma campanha simples.. mas bem simples.. custa no mínimo 40mil.

Também concordo com MC, qdo diz que a oposição não lançou candidato pelo dinheiro, mas sim pois não valeria a pena.

E que acharam da publicação dos possíveis gastos de campanha dos 2 candidatos: Kiko - 200mil / Genildo - 250mil?????

rogério disse...

500 mil reais, se for verdade ou não, vamos pensar que é...que vão gastar isso.
Já que a atual situação já ganhou faz tempo, pq não pega esse dinheiro e abri algum negócio e consiga emprego para esse pessoal desempregado? Ou então, porque não doa alimentos para os famintos?

Usam dinheiro para dar imagem e personificar um poder temporário, talvez para ter seus lindos nomes em bancos de praça. É tudo muito cult e articulador, porém, caros escritores, se esse blog é um intuito de esperança de que em algum dia alguma coisa favoreça o geral e não apenas um ou outro...
Comece a ir na missa, é mais fácil.

bruno pinto soares disse...

Bem Rogério,

Ir a missa não é muito meu forte. rs. Tb não sou de me apegar a algo metafísico que possa ajudar a solucionar problemas! Mas sua sugestão está em aberto....

Concordo com sua opinião em relação ao gasto exagerado nas campanhas. Talvez e proposta de financiamento público moralize um pouco essa situação.

Contudo, antes disso, nossos candidatos e articuladores deveriam se preocupar com projetos e propostas e não com santinhos e palanques. Será utopia? Nessas eleições talvez sim!

O blog e seus escritores não tem a pretensão de 'inventar a roda'. Mas quem sabe criar um espaço de discussão em relação a alguns temas e problemas de Adamantina. Você poderia nos contribuir com algo. Há alguma solução para isso? Ou devemos cruzar os braços e comungar nos finais de semana?

abraço

Jé Theodoro disse...

Cuidado Bruno...lembra que vc já foi demonizado num desses cultos dominicais naum lembra!?!?..rs...logo estarão a sua porta com tochas.
Não tenho experiência política alguma, mas se ha uma frase em que acredito num jogo de políticos é naquela que diz "a propaganda é a alma do negócio", infelizmente o modo de politicar do adamantinense, e da grande massa adamantinense é esse, umas cestas basicas, um saco de cimento, um tapinha nas costas, acredito que nós ainda temos mais uma eleição antes de um inicio de concientização a favor da "democracia", prova maior disso é a porcentagem de votos que nosso querido governador do estado arrancou da nossa região nas ultimas eleições, terá sido a propaganda, ou o maravilhoso investimento em nossa brilhante rede penitenciaria!?!?...parabéns pela iniciativa Bruno...reuniste um grande elenco...abraços!

Anônimo disse...

Hahahahahaaha
Dinheiro num conta na politica?? Numa cidade pequena como Adamantina ainda? Cara, pelo amor de Deus!! Supervalorização? Tão diminuindo o valor do dinheiro nessa eleição, isso sim!
Com cinquentão e uma cesta básica eu compro o voto que quiser em Adamantina...

bruno pinto soares disse...

Bem, meu caro 'anônimo', o voto que vc quiser é um pouco pretensioso! Muita gente politizada e consciente não daria nem ouvidos a uma pessoa como vc!

Acredito que isso ocorra em nossa cidade e em muitos lugares do Brasil. Entretanto, o artigo não estava discutindo a compra de votos e sim outras questões. Pediria para vc ler novamente o texto e, se possível, fazer um comentário relevante.

abraço

Anônimo disse...

O artigo estava discutindo a relação do poder economico e as eleições e vc se mostrou uma das pessoas mais ingenuas que eu já vi.
"Colocar a culpa da vitória na questão econômica mostra profundo desconhecimento da lei ou falta de vontade de trabalhar, além de tratar o eleitorado como um verdadeiro “analfabeto político" ". Olha isso q vc disse...sem comentários...é uma das maiores pérolas "intelectuais" que já vi escrita! Tem que deixa mesmo isso armazenado aqui só pra dá risada. Mas Ágora era assim mesmo, tinha que aguentar certas coisas, mas no fim valia a pena. É o mesmo que dizer que não há corrupção, pq há uma lei que proibe isso, e concluir que dizer que há grande corrupção no país seria demosntrar grande desconhecimento dessa lei e ser um verdadeiro "analfabeto político".
Ah, se num entendeu a mensagem do "cinquentão e da cesta básica", substitui isso por algumas aulas na faculdade,algum cargo e vc entendera o que quiz dizer...(retirano o qualqer voto, essa generalização foi força de expressão).
Além disso há todo um fator que quando não é de interesse próprio, é psicológico e tem toda uma relação com o poder economico, essa relação fica camuflada no fundo das consciencias: "esse cara num tem nem onde cair morto direito, vai tirar dinheiro de q lugar pra campanha, eu é que num voto nele"

Grande abraço