domingo, 20 de julho de 2008

A vida é um sonho!!!

Entre os dias 6 e 8, estive em Maringá. Fui acompanhar minha filha, treineira, para um vestibular na UEM (Universidade Estadual de Maringá). Depois de 13 anos voltei a cidade. Na época, como professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, fui participar de uma palestra do historiador inglês, Peter Burke. Já era uma grande cidade. Mas, de volta, fiquei impressionado com o desenvolvimento de Maringá. Por ser época de vestibular, para qual se inscreveram 22.410 candidatos, o trânsito estava lento. Mesmo assim nada de intolerável. Ao contrário, tudo bem organizado e fluindo, sem irritação. Os candidatos estavam à cata de 1.542 vagas, em 47 cursos de graduação. Como a presença dos jovens vitaliza a cidade!
Claro, diante do imenso movimento, pus-me a pensar e sonhar sobre Adamantina. Fiquei imaginando a presença desses 22.410 candidatos à procura de vagas em nossa instituição de ensino superior. Sabe-se que a FAI, hoje, com os seus 28 cursos, oferece quase 2.000 vagas. Entretanto, quando consegue 1.500 candidatos, dá-se por realizada. Que diferença, não é? Mas são realidades distintas. Sem dúvida, ambas são públicas, porém a UEM é gratuita. Isso faz diferença. Sim, muito. Por quê? No Brasil, consolidou-se a idéia de ensino superior público, como sinal de qualidade, e com a vantagem de ser gratuito.
A FAI tem tudo para ser isso. O seu corpo docente não deve ser muito diferente da UEM, porém o corpo discente, sim, e muito. Aí as diferenças são gritantes. Como isso poderia ser mudado? Bastaria que a FAI oferecesse ensino gratuito. Mas o município não tem dinheiro para isso, diríamos. Concordo, talvez, nem o Estado. Mas há outros caminhos. Então, por que não federalizá-la? O governo federal tem dinheiro, hoje, e muito.
Assim, no meu sonho, imaginei a FAI já federalizada fazendo o seu primeiro vestibular. Que imagens desfilaram em minha mente? O centro da cidade congestionado. Os hotéis e pensões sem vagas, os restaurantes com mesas ocupadas, as lojas cheias de pessoas fazendo compras, os postos de gasolinas com filas enormes de carros, as farmácias lotadas, lojas de conveniência fervilhando... Enfim, Adamantina em polvorosa.
Exagero? Não, vamos aos cálculos. Durante os três dias de Maringá tive um gasto em torno de 1 mil reais. Multiplicados por 20.000, o comércio receberia um fluxo de aproximadamente 20 milhões de reais em três dias. Mas há quem possa achar que é exagero 20 milhões. Então deixemos por 10 milhões. Mesmo assim ainda há exagero. Então fiquemos com uma conta muito simples: cada candidato gastando 100 reais nos três dias, isso representaria cerca de 2 milhões de reais. Quando isso aconteceu em Adamantina?
Ah, não podemos esquecer que isso é apenas um sonho que pode se tornar realidade. Bastaria ter vontade política e espírito de conquista para a comunidade.

10 comentários:

Jé Theodoro disse...

Éééé...muito bem justificado o titulo do texto.

Jé Theodoro disse...

Mas eu tenho uma amiga que certa vez me disse: "É necessário sonhar alto para conseguir pelo menos o minimo".

Everton Santos disse...

A FAI ou Bela Caetana de Adamantina, como certa vez escreveu um amigo, é a esperança de muitos adamantinenses, mas seu futuro continua incerto. Os desmandos, a falta de controle, a ingerência e a inexistência de um projeto acadêmico claro e objetivo transformam a 2ª maior autarquia municipal de ensino superior em uma incógnita. Por falta de recursos para me manter em outra cidade, fiz dois cursos superiores na FAI. Não me arrependo, mas não sou tão sonhador assim.

bruno pinto soares disse...

Rubens,

Essa questão da federalização da FAI geram muitas informações desencontradas.

Vc acredita que o Governo Federal interessaria-se pela instituição a esse ponto? Nossa região teria força política para executar esse projeto?

Grande abraço

Henrique Toffoli disse...

Faço do seu, meu sonho também Rubens. Respondi isso no "Painel Cidadão" de vosso jornal.
Bruno, talvez, hoje, nao teria força politica. Mas como no artigo, vamos sonhar!!! ...

Sebar disse...

Disse o sonhador do outro tempo que para um sonho se tornar realidade, deve-se sonhar coletivamente, portanto, em tempo de pós-globalização midiática, sonhar é mais do que preciso...
Sebar

Je Theodoro disse...

Pós-globalização midiática!?!? Eu não conheço esse conceito: "pós-globalização". Sebar vc poderia discorrer sobre o assunto neste blog!? Se isso for pernitente ao propósito principal do blog é claro!...Abraços!

Cacá Haddad disse...

Caro Rubens,

A federalização da FAI divide a minha opinião. Por um lado, penso que seria ótimo para a cidade (desenvolvimento para o comércio e por aí vai...), por outro penso: "todas as faculdades públicas deste país são, na sua maioria, apenas para estudantes provenientes do ensino médio de colégios particulares (classe média-alta), que disputam as vagas para papai não pagar mensalidade. O que faremos com os alunos de Adamantina e regíão (a maioria provenientes do ensino médio do estado e que nunca passariam no vestibular de uma Universidade Federal) que contam com uma faculdade que supre as suas necessidades?

bruno pinto soares disse...

Bem Cacá,

Acredito que uma faculdade federal em nossa cidade, invariavelmente, elevaria a qualidade das escolas de nossa região. Os próprios pais e alunos buscariam e batalhariam por uma maior qualidade de ensino, pois seus filhos poderiam oculpar uma das vagas disponíveis.

Há também a formação de bosn profissionais que poderiam construir suas carreiras em nossa região, elevando o padrão qualitativo de nossos serviços.

Tenho uma dúvida: Algum dos nossos candidadtos a prefeito pensa em discutir essa questão?

Rubens Galdino da Silva disse...

Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o artigo. Na verdade, não vejo saída para a FAI. Como está, dificilmente ela vai sobreviver. Não se trata de colocar em dúvida a capacidade de que está à testa. É um problema estrutural, que exige saídas estruturais. Digo, estrutura pesada, forte concorrência e profunda mudança no perfil do mercado presssionam a FAI para duas direções: privatização ou federalização. Em outubro, vamos ter a oportunidade de saber qual será a previsão para 2009. Eu acredito que a FAI deva apresentar um retração de até 20% na arrecadação. Se isso acontecer, é apenas um começo de algo que pode se tornar um grande presságio. Torcemos para que isso não aconteça. Abraços a todos