quarta-feira, 30 de julho de 2008

E a democracia, onde fica?

Em tempos de eleição, é muito bonito se falar em democracia, em participação popular, em política limpa. Entretanto, o que se vê nos bastidores, é uma politicagem sem precedentes. Alguns - aqueles mesmos que apregoavam liberdade de expressão e um debate de idéias - deixam-se levar pela falta de “esportividade” e já começam a mostrar suas verdadeiras facetas.
O processo democrático é indispensável para a evolução de toda uma sociedade, mas para que isso ocorra, é necessário interesse dos candidatos, mostrando suas idéias e debatendo com seus oponentes - e não inimigos - sobre as propostas mais viáveis para nossa sociedade.
Existem diversos candidatos, como bem sabemos, que por questão de conveniência procuram esconder seu passado político, impedindo os eleitores de fazerem uma leitura mais completa do seu perfil. Principalmente aqueles candidatos que outrora estiverem militando em partidos que hoje combatem. Ora, a redução, a manipulação e a supressão da memória histórica são práticas tipicamente nazistas, nada tendo a ver com a construção democrática. Os candidatos que delas fazem uso, devem ser banidos, através do voto, de mandatos políticos.
A omissão, neste momento, é prejudicial para todos. O candidato perde credibilidade; a população deixa de ter informações essenciais. Com tudo isso, mais uma vez, o eleitor tem que se desdobrar para analisar as reais intenções de cada político. Ressalte-se a importância e o dever de prestar informações à comunidade. Não estamos, nem estaremos pendendo para nenhum dos lados, mesmo que alguns o façam.
Portanto, cabe ao Estado Democrático não apenas garantir a cidadania política, mas criar as condições, promover e garantir a cidadania civil de todos os cidadãos, a partir daqueles que mais necessitam. O que é preocupante hoje é ver os modelos sócio-econômicos implantados por muitos governos nacionais, democraticamente eleitos, serem incapazes de melhorar a situação moralmente repugnante de tantos cidadãos, chegando muitas vezes a piorá-la.
Falamos isso, sem distinção!
Mas, por exemplo, no Brasil de 2002, o desemprego aumentou consideravelmente em relação aos anos anteriores; as empresas estatais foram privatizadas, mas a dívida externa triplicou; e a economia, sempre aos trancos e barrancos, foi bem mais ou menos. Isto sem considerar que boa parte da população empregada recebia salários que não lhes permitia possuir moradia, educação, saúde, lazer, cultura num patamar que lhes justifique a existência de uma cidadania civil, gerando no seio de uma mesma comunidade, de uma mesma cidade, cidadãos de primeira categoria e cidadãos marginalizados, impedidos do acesso aos resultados da riqueza da vida comunitária.
Até hoje, há que se dizer, os modelos implantados por diversos Estados Democráticos não conseguiram corrigir estes desequilíbrios; pelo contrário, a cada dia só fazem aumentá-los. Mas algumas perguntas se fazem obrigatórias e devem ser, pelo menos, respondidas: Até que ponto essas populações discriminadas e miseráveis podem recorrer às liberdades políticas de um regime democrático como plataforma de proteção e fonte de poder, nas lutas pela ampliação dos direitos socais e civis? Que novos rumos os Estados Democráticos precisam tomar para corrigir esta aberração civil, para, de fato, conferir a todos os membros da comunidade nacional o mínimo de igualdade social?
O debate sobre o aperfeiçoamento do Estado Democrático tendo em vista a sua aplicação na busca de produzir igualdade com fraternidade parece ser um dos pontos basilares da atualidade. É inadmissível permanecermos indiferentes ao que nos acontece ao redor, aos nossos co-cidadãos mutilados pela miopia de políticas concentradoras de renda e poder, acarretando a desagregação e violência social. O Brasil não pode se furtar a este debate.

6 comentários:

Lucas Lima disse...

Na ciência política “democracia” se refere a um governo eleito pelo povo seja diretamente ou representativamente, isso já temos. Agora o que você cita muito em seu artigo é a desigualdade social, e nisso temos um longo caminho a percorrer, e isso se combate com políticas publicas voltada principalmente com educação seja ela básica, técnica e universitária, pois um cidadão mais educado ele consegue melhor emprego conseqüentemente melhor soldo e qualidade de vida. È meu nobre amigo temos um longo trabalho pela frente. Um abraço

Sebar disse...

IGUALDADE COM FRATERNIDADE ou vice-versa, são desafios além deste tempo, ainda, os resultados pós-revolução francesa, neste caso em pauta, LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE estão tremulando em todos os cantos do planeta, porém, não tem como ficar apenas tremulando como bandeiras sem ideais comuns ao SER HUMANO...

Band-aid disse...

A esperança que morre em mim renasce em outro, não acredito em democracia, muito menos em liberdade, igualdade e fraternidade. Sou um nojo para a sociedade, quero sempre ser algumas coisas, me mostrar, continuando sempre na mesmice. A ideologia prisioneira, os grupos prisioneiros.
Como diria João Paulo e Daniel: "Minha vida nesta cela é olhar pela janela e esperar"

Vamos todos cantarolar a vitória do dinheiro, do intelectual burro, do pensador da sociedade. A idade vai chegando, vai tomando os bancos da praça, vai desistindo do encontro, do eu.
Todos falsos, buscando uma religião na política. Sem eternidade.

Bruno Pinto Soares disse...

A democracia tem seus vícios, mas ainda é o melhor sistema que conseguimos elaborar. É claro que podemos criar mecanismos para melhorá-la. Entretanto esse debate sai da alçada de nossas humildes discussões para ser definida em outros graus da hierarquia política.

Em relação a nossa cidade, não devemos reclamar dos tipos popularescos, pitorescos, demagogos e outros mais. A seleção passa pelo eleitorado. Cabe a ele decidir o que é melhor. Por isso, concordo com o Lucas quando ele afirma que a educação é a pedra de toque para mudança de todo o sistema.

Será que a educação, em nossa cidade, esta desempenhando esse papel? Tanto da educação básica como na universitária?

Londrina disse...

Grande Everton Santos,
Toda democracia, mesmo que capenga, é melhor que uma ditadura. Aliás, por falar em ditadura, a pior ditadura que existe é a de esquerda. Pior até que um regime militar. Quanto aos candidatos, é só olhar o resultado parcial da enquete que está sendo feita no blog.
Abraços.

Everton Santos disse...

Obrigado Lucas Lima (ou seja lá quem for), Sebar, Bruno e Londrina pelos comentários. Acredito que ainda há formas para mudar a realidade da "política capitalista". Quanto ao comentário do Band-aid, ressalto que este espaço é democrático e você está participando dele. Então, não há como não acreditar em algo que está inserido, isso seria irreal demais, até mesmo para os "lunáticos" que continuam escrevendo neste blog. Abraços!